Guerra prolongada no Oriente Médio pode elevar PIB e inflação, estima governo

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Ministério da Fazenda estima que uma guerra prolongada no Oriente Médio, com destruição de infraestrutura petrolífera e interrupções logísticas, pode elevar o PIB (produto interno bruto) brasileiro em 0,36 e a inflação em 0,58 ponto percentual no ano de 2026.

De acordo com a Secretaria de Política Econômica, a disrupção causada pelo aumento no preço do barril de petróleo também elevaria em US$ 10,3 bilhões (R$ 53,8 bilhões) o superavit comercial, levando a uma valorização cambial de 4,5% e aumento de aproximadamente R$ 96,6 bilhões na receita da União.

No caso de choque temporário, com redução do conflito nos próximos dias, o impacto sobre a economia brasileira seria menor, diz a Fazenda –crescimento adicional de 0,10 ponto percentual no PIB e de 0,14 ponto na inflação ao consumidor.

As projeções elaboradas pela Fazenda colocam a cotação média do barril de petróleo Brent em US$ 73 a US$ 100 dólares, a variar conforme a duração e gravidade da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. É essa cotação que impactará inflação, produto interno bruto e receitas do governo, entre outras variáveis.

“Desde 2016, temos um superávit crescente na compra de petróleo e combustíveis. Em países superavitários, [o aumento nos preços do petróleo] tem efeitos bastante positivos na balança comercial, fiscal e no crescimento econômico”, disse o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (13).

Os cálculos feitos pelo governo para elaborar a previsão de impacto na economia brasileira não incorporaram a redução do PIS/Confis sobre o diesel, a subvenção a produtores e o imposto de exportação de petróleo. Essas medidas foram anunciadas na última quinta-feira (12) pelo governo federal.

“Se cenários ainda mais disruptivos do que nós projetamos desencadearem uma crise econômica e financeira internacional, seria preciso refazer as projeções”, ressalvou o secretário Guilherme Mello.

Os impactos econômicos positivos de uma guerra de longo prazo no Oriente Médio também podem ser contidos por outros fatores, como elevação da taxa de juro para conter a inflação e uma redução na demanda mundial por bens e serviços exportados pelo Brasil, segundo a Fazenda.

“A reação dos juros tende a mitigar parcela dos efeitos positivos estimados para a atividade econômica”, afirma o levantamento da pasta. “O choque [nos preços do petróleo] exerce impacto direto [na inflação], por meio da possível elevação nos preços da gasolina e diesel, e impacto indireto, repercutindo a propagação do aumento nos preços de combustíveis e de outros derivados de petróleo, como fertilizantes e petroquímicos, para os demais bens e serviços da cesta.”

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