Página perdida de antigo manuscrito de Arquimedes é redescoberta na França

Uma image de notas de 20 reais

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Uma página considerada perdida do Palimpsesto de Arquimedes, um dos manuscritos mais importantes da Antiguidade, foi identificada no Museu de Belas Artes de Blois, na França, por um pesquisador do CNRS (Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica).

A descoberta foi apresentada em um artigo publicado em 6 de março na revista Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik.

O Palimpsesto de Arquimedes é um dos tesouros da Antiguidade. Trata-se de um importante manuscrito medieval contendo textos do matemático grego Arquimedes.

Atualmente no Walters Art Museum em Baltimore (EUA), o Palimpsesto de Arquimedes ficou por muito tempo acessível aos estudiosos apenas por fotografias tiradas em 1906 por Johan Ludvig Heiberg. No início dos anos 2000, a imagem multiespectral permitiu revelar textos importantes de Arquimedes, além de fragmentos desconhecidos de obras literárias e filosóficas.

O manuscrito mudou de mãos várias vezes antes de chegar ao atual proprietário. Como resultado, três folhas documentadas nessas fotografias desapareceram e desde então eram consideradas perdidas. A folha identificada em Blois por Victor Gysembergh, pesquisador do CNRS, estava entre essas páginas desaparecidas.

A folha encontrada é a página 123 do manuscrito. Um lado da página inclui um trecho do tratado de Arquimedes “Sobre a Esfera e o Cilindro” (Livro I, Proposições 39 a 41), texto fundamental para a história da matemática, grande parte legível. Já o texto no outro lado da página é incerto, pois está coberto por uma ilustração dourada do profeta bíblico Daniel. Os pesquisadores esperam usar métodos avançados de imagem para decifrá-lo.

Arquimedes viveu por volta de 250 a.C. em Siracusa, na Grécia antiga. Foi um dos maiores pensadores do mundo, responsável por teorias, experimentos e invenções sobre matemática, física e engenharia que ainda intrigam os cientistas.

“Essa descoberta desperta interesse renovado em reexaminar o Palimpsesto de Arquimedes completo com técnicas mais poderosas do que as usadas no início dos anos 2000, com o objetivo de realizar uma nova leitura das páginas que permaneceram ilegíveis na campanha inicial”, disse a CNRS.

Voltar ao topo