RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Os discursos na inauguração do novo setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí nesta sexta-feira (13), com a participação do presidente Lula, tiveram como principal alvo o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República.
O senador foi apontado como o responsável por controlar contratos da unidade enquanto o hospital passava por um processo de deterioração na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do pré-candidato do PL.
As críticas nominais foram feitas pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), e pelo secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz (PSD). Procurada por mensagem, a assessoria de imprensa de Flávio não comentou as declarações.
As críticas a Flávio foram iniciadas por Paes, que atribuiu ao senador indicações políticas que afetaram a gestão dos hospitais federais no Rio de Janeiro, que teriam feito “com que essas unidades, num processo de algum tempo, literalmente acabassem”.
“A cozinha desse hospital estava fechada há 12 anos porque era muito mais negócio, em vez de gastar R$ 8 milhões para fazer uma obra, ficar gastando R$ 1 milhão por mês para trazer o transporte das quentinhas que vinham para cá. Devia dar muito mais comissão para quem tinha esses contratos”, disse o prefeito.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que havia um projeto de uma família de “políticos tradicionais” do estado que “tinha um projeto de sucatear os hospitais federais do Rio de Janeiro”.
“Porque dominavam os hospitais federais do Rio de Janeiro do contrato, da indicação do diretor até a indicação de quem internava e quem não internava. Por isso queriam que esses hospitais não funcionassem, fosse o próprio caos, sucateado. Não era só desleixo, não era só negligência. Tem uma família que é responsável por esse projeto e que torço, tenho fé e vamos trabalhar muito, que nunca mais essa família imagine querer cuidar da saúde do nosso país, como aconteceu durante a pandemia.”
Lula não mencionou em discurso seu provável adversário nas eleições presidenciais deste ano.
O presidente focou sindicalistas que não fizeram greve no período em que o hospital esteve fechado, na gestão Bolsonaro, mas realizaram protestos quando o governo federal anunciou a municipalização das unidades federais no Rio de Janeiro. Contudo, proferiu indireta ao senador.
“Eu não sei se era um sindicalista de verdade ou eram milicianos que defendiam aquele que administrava o hospital. Não sei. A história vai provar”, afirmou.
Em 2021, a unidade foi citada em conversas na CPI da Covid. O ex-governador do Rio, Wilson Witzel, afirmou em depoimento à época que “hospitais federais do Rio têm dono”, e mencionou, nos bastidores, suposta influência de Flávio Bolsonaro na unidade.
O governo federal municipalizou, em 2024, a gestão dos dois hospitais federais no Rio de Janeiro, de Bonsucesso e Andaraí.
Especializado no tratamento oncológico e de queimados, o hospital do Andaraí foi inaugurado em 1945. Seu centro de tratamento de queimados é o mais antigo do Brasil e era considerado referência nacional.
De 2017 a 2020, o hospital do Andaraí passou por suspensões temporárias no atendimento de emergência e pediatria. Andares de enfermarias ficaram fechados por mais de dez anos.
‘ALGO ESTÁ ERRADO AQUI’, DIZ LULA SOBRE EX-GOVERNADORES DO RJ PRESOS
Durante o evento, Lula desejou sorte a Paes na campanha para o Governo do Rio de Janeiro. O prefeito planeja renunciar na semana que vem para disputar o Palácio Guanabara com apoio do presidente.
Ao comentar a candidatura, Lula lembrou a sequência de prisão de ex-governadores do estado, entre eles os aliados Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão (MDB), este último absolvido no processo de que foi alvo.
“Vocês se lembrem que esse ano tem eleição para governador do estado. E vocês não se esqueçam que esse estado tem seis ex-governadores presos. Não se esqueça. Alguma coisa está errada. Vamos supor que um era inocente, tudo bem, um era inocente. Vamos supor que dois eram inocentes. Até três podiam ser inocentes, mas seis? Algo está errado aqui.”