São Paulo, 16 de março de 2026 – Para a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC),na sigla em inglês), nesta quarta-feira, o mercado acredita que não deve haver alteração napolítica monetária. Assim, os juros devem permanecer na faixa entre 3,5% e 3,75%. As atençõesvão se voltar para as projeções, ou o ‘gráfico de pontos’, que será publicada no mesmo dia, ever as mudanças com relação ao crescimento ou queda da inflação, PIB e taxa de desemprego.
Com o conflito em andamento no Oriente Médio e a disrupção no mercado de petróleo, aexpectativa é ver como o Fed prevê a economia nos próximos meses. Afinal, até antes dos ataquesdos EUA e Israel ao Irã, havia a possibilidade de mais cortes de juros, especialmente por conta deum mercado de trabalho com sinais de enfraquecimento. Mas agora, com o risco de inflação voltandoà baila, esses cortes podem ser adiados.
“Não esperamos que a decisão seja unânime. É provável que alguns membros apresentemdissidência a favor de um corte de juros, observando que a restrição da política monetáriaestá pesando sobre o mercado de trabalho”, afirmam os analistas do ANZ Research Brian Martin eBansi Madhavani.
“O FOMC divulgará uma atualização do Resumo das Projeções Econômicas juntamente com adecisão de política monetária. Embora seja provável que reconheça as incertezas elevadas, nãoesperamos que altere de forma fundamental suas perspectivas para a economia, o mercado de trabalhoou a inflação”, acreditam.
“Na reunião do FOMC de janeiro, a principal conclusão foi que o Federal Reserve queria versinais claros de inflação mais baixa antes de realizar novos cortes de juros. Os acontecimentos noOriente Médio indicam que a inflação nos EUA poderá chegar a 3,5% neste verão, e não a 2,0%”,diz Chris Turner, chefe global de macro da ING.
“O FOMC provavelmente também colocará em dúvida a precificação do mercado para outro cortede juros do Fed neste ano, já que cerca de 0,23 ponto percentual ainda está precificados até ofinal do ano. Além disso, o gráfico de pontos do Fed pode deslocar a expectativa mediana de umcorte de juros neste ano para 2027”, acrescenta.
“Esperamos que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas, já que suas comunicaçõesdestacam a elevada incerteza decorrente do conflito em curso no Oriente Médio”, acreditam osanalistas do Deustche Bank.
“Com a política considerada ‘bem posicionada’, o presidente Jerome Powell provavelmenteevitará dar sinais fortes sobre a política no curto prazo, muito provavelmente preparando oterreno para uma terceira manutenção consecutiva das taxas na reunião de abril – a última sobsua liderança no Fed”.
“Na reunião de março, o Fed terá de lidar com mais um choque de oferta: a alta dos preços dopetróleo. As projeções provavelmente mostrarão inflação mais alta, tanto no índice cheioquanto no núcleo”, afirmam os especialistas do Goldman Sachs.
“Jerome Powell provavelmente reconhecerá os riscos de estagflação, ao mesmo tempo em queenfatizará uma abordagem de ‘esperar para ver’. Também será importante observar se ele tentaráajustar a narrativa do mercado de que preços mais altos do petróleo são, de forma inequívoca, umfator hawkish para a política monetária”, completam.
Vanessa Zampronho / Safras News
Copyright 2026 – Grupo CMA