[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A rede de franquias Divino Fogão projeta a abertura de 40 novas unidades em 2026, no que deve ser o ano recorde de expansão da marca fundada há quatro décadas. A estratégia foca na consolidação de ‘megalojas’ com até 600 metros quadrados e salão próprio, modelo que marca a saída da rede da dependência exclusiva das praças de alimentação e exige investimento inicial a partir de R$ 1 milhão. “O grande diferencial é o acolhimento do cliente dentro dos nossos espaços, mudando gradualmente o perfil do food service”, afirmou o diretor de planejamento e novos negócios da rede, Rodrigo Varela, à AGÊNCIA DC NEWS.
Das 40 inaugurações previstas para 2026, cinco serão no modelo de megalojas, consolidando a migração para espaços que privilegiam o maior tempo de permanência do consumidor. Atualmente, a rede soma 249 operações distribuídas pelo país, com unidades que variam de 40 a 90 metros quadrados. No ano passado, franqueados de 53 unidades realizaram reformas estruturais para elevar a eficiência e acompanhar o novo padrão de atendimento. ‘O negócio, pelo retorno a partir do capital investido, é satisfatório e os próprios parceiros fazem novos aportes para ocupar o máximo de áreas possível’, afirmou Varela.
Além dos centros de compras, a rede expande a presença para rodovias, com unidades instaladas em postos de gasolina para capturar o fluxo de viajantes. Outra frente de receita prevista pelo Divino Fogão é o modelo de licenciamento para dark kitchens, focado exclusivamente no delivery, que exige aporte médio de R$ 20 mil e permite a entrada em mercados onde o custo imobiliário de uma loja física é impeditivo. ‘É um mercado em que a gente pretende expandir e que está indo muito bem’, afirmou Varela. Embora a franqueadora não revele o faturamento nominal, a empresa mantém um crescimento médio de 10% nas vendas totais ao ano, acumulando selos de excelência da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
Varela é a segunda geração do Divino Fogão, de um negócio fundado pelo agrônomo Reinaldo Varela, do município de Mirandópolis (SP), que costumava cuidar da fazenda de sua família. Em 1984, ele decidiu empreender na capital paulista, com receitas de forno a lenha da bisavó, fundando a Divino Fogão. Dez anos se passaram e a pequena rede de restaurantes, inicialmente restrita a três unidades em São Paulo – nos shoppings Eldorado, West Plaza e Butantã –, tornou-se um franchising e começou a se multiplicar pelo país. Confira a entrevista.
Neste mês, vocês inauguraram uma megaloja, a segunda do tipo. Qual é a diferença para as outras lojas?
RODRIGO VARELA – Estamos migrando para esse formato, nos shopping centers, que são lojas com áreas maiores para os clientes, dentro do salão, para dar mais aconchego e onde conseguimos prestar um serviço um pouco melhor. É mais acolhedor, pois tem espaço kid nessas unidades, onde as famílias podem frequentar e passar um maior período do dia, enquanto as crianças têm brinquedos e bastante atividades para fazer dentro da loja.
AGÊNCIA DC NEWS – Por que seu pai resolveu criar um restaurante com comida da fazenda – qual era a inspiração dele?
RODRIGO VARELA – Ele nasceu na fazenda, em Mirandópolis, uma cidade perto de Araçatuba. E quando ele veio fazer faculdade para o lado de São Paulo, sentia essa falta de comer a culinária que ele tinha de costume lá na fazenda onde ele foi criado. Ele trabalhava na fazenda. Não tinha ainda um segmento muito firme, mas fez agronomia. Daí começou a surgir esse movimento: ele pegou algumas receitas da minha bisavó e começou a fazer aqui, para trazer um pouco dessa cultura.
AGÊNCIA DC NEWS – Como você enxerga hoje o espaço no mercado de food service para comida caseira, assim, de fazenda?
RODRIGO VARELA – Ainda é um mercado muito grande. Nós somos hoje o maior exemplo dessa culinária no Brasil. Tem muito mercado, muitas cidades em que ainda cabe e podem receber o Divino Fogão. E por isso estamos nessa expansão bem agressiva para mais um ano. No ano passado, fechamos com mais de 30 lojas inauguradas. E esse ano já estamos prevendo um pouco mais.
AGÊNCIA DC NEWS – Para onde se orienta essa expansão?
RODRIGO VARELA – É bem pulverizada pelo Brasil todo. Não tem uma cidade: desde Vitória, no Espírito Santo, até Luiz Eduardo Magalhães, na Bahia. Entre as próximas inaugurações temos Santa Catarina, Brasília e Rio de Janeiro. É uma expansão aberta para o Brasil.
AGÊNCIA DC NEWS – E quanto às lojas em rodovias?
RODRIGO VARELA – Estamos com duas lojas já, de rodovia. Estão nas estradas de São Paulo. É outro mercado em que a gente pretende expandir e onde estamos indo superbem – essas duas lojas que inauguramos recentemente. Queremos fazer uma expansão nesses locais, é basicamente isso.
AGÊNCIA DC NEWS – Quais vão ser os investimentos para melhorar o negócio em 2026?
RODRIGO VARELA – Temos investimentos de marketing que são feitos pela franqueadora e é basicamente isso. O negócio por si só, pelo retorno de investimento a partir do capital investido, é muito satisfatório para nossos franqueados e eles mesmos fazem novos investimentos para pegar o máximo de áreas possível.
AGÊNCIA DC NEWS – Qual é o perfil do franqueado?
RODRIGO VARELA – O perfild o franqueado do Divino Fogão são pessoas de diversos segmentos do mercado. Temos gerente de banco, administrador de empresa, engenheiro. O que falamos que a pessoa tem hoje que saber para lidar com uma franquia é administrá-la, saber administrar pessoas e fazer uma gestão de equipe muito bem-feita. Esse é o principal segredo de uma franquia, porque o restante nós garantimos, com todo o suporte técnico de cardápio, de como fazer, como preparar, sistema, marketing. A pessoa não pode deixar de focar nessas coisas, que são muito importantes, só que a franqueadora faz isso pelo franqueado. Se ele produzir os alimentos da maneira que a franqueadora exige, seguindo o padrão, aí sim vem a venda e a rentabilidade – vem tudo isso por trás.
AGÊNCIA DC NEWS – Qual você considera o grande desafio hoje para empreender no setor de alimentação?
RODRIGO VARELA – Gestão de pessoas e construção de novas lojas, o que acaba sendo a mesma coisa.
AGÊNCIA DC NEWS – Qual é o perfil do público e o tíquete médio?
RODRIGO VARELA – O nosso tíquete médio é de R$ 40 a R$ 45. E a gente não tem muito uma definição – não tem um público específico, atendemos todos os públicos. É uma comida muito democrática, vamos dizer assim. E é uma experiência democrática também.
AGÊNCIA DC NEWS – Como vocês estão fazendo para manter as margens de lucro, considerando a inflação e o custo dos alimentos?
RODRIGO VARELA – Fazemos um desenho de cardápio bom para tentar repassar o mínimo possível do aumento de custos para os nossos clientes. Temos feito algumas mudanças de direção nos cardápios para continuar tendo esse preço agressivo, que nós estamos trabalhando, em torno de R$ 34 a R$ 39,90, e a pessoa pode comer o quanto quiser, desde que se sirva apenas uma vez e coloque o quanto quiser de comida no prato.
AGÊNCIA DC NEWS – Qual que é o maior custo hoje?
RODRIGO VARELA – Sem dúvidas, a parte de bovinos e as carnes no geral. As proteínas são o que mais vêm impactando o negócio hoje em dia, acho que de modo geral no segmento de alimentação.
AGÊNCIA DC NEWS – E a maior preocupação?
RODRIGO VARELA – Então, nosso hortifrúti chega todos os dias: nossas saladas são muito frescas. A comida é produzida na loja também, no mesmo dia. A ideia é levar um frescor muito alto para o cliente, uma saudabilidade. É uma uma comida supersaudável para comer no dia-a-dia dele. Esse é o nosso propósito. Levar uma comida mais saudável possível para a pessoa que está ali na correria.
AGÊNCIA DC NEWS – Como é trabalhar com produtos frescos?
RODRIGO VARELA – Todas as nossas lojas possuem chefes de cozinha. O nosso maior desafio é manter aquele tempero e o mesmo padrão em todas as lojas. Às vezes tem um chef que gosta de colocar um pouquinho mais de tempero, e aí tentamos fazer esse controle para que todos sigam a receita da maneira mais certa possível. Temos conseguido fazer isso muito bem feito.
AGÊNCIA DC NEWS – Como você avalia o franchising em brasileiro atualmente?
RODRIGO VARELA – Obviamente tem que estudar muito bem antes de entrar em qualquer franquia – não necessariamente estudar só a franquia, mas se o ponto onde você vai colocar o negócio é para aquele público. Eu particularmente gosto muito dessa parte, você acaba deixando algumas coisas mais difíceis para a franqueadora administrar, que é o marketing e o desenvolvimento de novos produtos, que passam a trazer novos clientes para sua região, e foca realmente aonde está o dinheiro que é na operação.