Incêndio tira um porta-aviões da guerra, e EUA afastam outro de mísseis do Irã

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os Estados Unidos enfrentam problemas com suas duas joias da coroa na guerra contra o Irã, os porta-aviões USS Gerald Ford e USS Abraham Lincoln.

O primeiro terá de fazer reparos após um incêndio acidental e o segundo foi deslocado ao longo da campanha militar de pouco mais de duas semanas para se proteger de ataques de drones e mísseis de Teerã.

O Ford, maior navio de guerra do planeta, irá do mar Vermelho à base da Otan em Creta (Grécia) para reparos e investigações após ter sofrido um incêndio não relacionado com ataques, mas talvez ligado à insatisfação de tripulantes.

Após enfrentar uma crise sanitária devido a falhas no seu sistema de banheiros, um incêndio iniciado numa lavanderia na quinta passada (12) durou 30 horas para ser apagado e deixou 600 marinheiros sem camas para dormir, segundo o New York Times. Ao menos 200 dos seus 4.600 tripulantes foram atendidos.

Não que isso torne Salalah inexpugnável: seu terminal de embarque de petróleo foi atingido por drones iranianos na semana passada. Mas as operações do Lincoln acabam ocorrendo a uma distância mais segura para tomar providências de defesa.

Na sexta (13), a Guarda Revolucionária disse que tinha atingido o navio com drones, o que não foi possível verificar. O Pentágono até aqui só confirmou um ataque com drones na primeira semana da guerra, mas disse que eles foram abatidos muito antes de ameaçar o porta-aviões.

Vários analistas indicam que, tendo sido duramente alvejados em dois anos de conflito, os houthis preferiram se abster de apoiar abertamente o Irã agora. Mas alguns observadores acreditam que eles estejam sendo guardados como uma opção de escalada mais à frente.

Assim como o Irã está fechando na prática o estreito de Hormuz, no golfo Pérsico, os houthis podem fazer o mesmo com o estreito de Bab al-Mandab, que liga o mar Vermelho ao Índico. Além disso, seus drones e mísseis cobrem todo o corredor marítimo até Suez e Israel, ao norte.

Já o jornal grego Kathimerini disse que o navio irá a Creta para reparos e reabastecimento ao longo de uma semana. Depois, o Pentágono confirmou a informação de forma anônima a diversos meios, como a agência Reuters e o mesmo NYT.

A publicação grega disse que uma hipótese é de que o fogo tenha sido iniciado por marinheiros insatisfeitos com os dez meses do navio no mar, quase o dobro do normal -antes, ele havia sido deslocado para a operação que capturou Nicolás Maduro na Venezuela, em janeiro. Ninguém mais fez esse relato.

Já o Ford chegou com seu grupo de ataque ao teatro de operações na véspera do ataque dos EUA e de Israel. Ele estava no Mediterrâneo oriental e, no dia 6, atravessou o canal de Suez rumo ao mar Vermelho.

Usualmente, seria uma manobra arriscada devido principalmente à presença dos rebeldes pró-Irã do Iêmen, os houthis. Mas eles por ora respeitam o cessar-fogo estabelecido em 2025 com as forças ocidentais, coincidindo com a trégua entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza.

O navio já havia se deslocado para a região de Jiddah, na Arábia Saudita, aparentemente para dar assistência aos marinheiros feridos. Além disso, a posição é mais protegida de mísseis e drones iranianos, dadas as defesas antiaéreas em terra.

A partir de imagens de satélite e do emprego de simulação de deslocamento com inteligência artificial acompanhando as rotas de aeronaves embarcadas, a empresa chinesa MizarVision estimou a posição atual dos supernavios no domingo (15).

A mudança mais notável havia sido do Lincoln, um porta-aviões da classe anterior à do Ford, a Nimitz. Ele operava em águas do mar da Arábia perto de Omã a até 350 km do Irã na abertura do conflito, em 28 de fevereiro.

Agora, a embarcação com cerca de 90 aviões e seus navios de escolta estão mais próximos de Salalah, um porto omani a 1.100 km da costa iraniana. Lá, além da distância, há uma proteção natural na forma de uma cordilheira litorânea.

Como seguem operando normalmente em ritmo de guerra, esses navios não deixam seu rastreador por satélite ligado, mas empresas como a MizarVision fazem estimativas consideradas bem precisas.

Tão acuradas que analistas questionaram o favor que os chineses fizeram aos aliados iranianos com informações públicas acerca dos ativos militares americanos na escalada pré-guerra.

Os iranianos, por toda a propaganda que têm lançado na rede, têm capacidades antinavio consideráveis que ainda não foram vistas nesta guerra. Analistas navais são unânimes em dizer que afundar um porta-aviões, ou mesmo um destróier de escolta, é tarefa quase impossível.

Mas danos podem ser feitos, em especial a vulneráveis aeronaves em seus conveses. Aí entra a distância: drones conseguem voar mais de 2.000 km, mas mísseis navais supersônicos do arsenal iraniano no máximo atingem alvos a 700 km.

Isso dito, evitar danos ao maior símbolo da projeção de poder militar americano está na ordem do dia. O país opera 11 desses navios com cerca de 5.000 tripulantes, e a classe Ford custa o equivalente a quase R$ 70 bilhões a unidade.

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