SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo subiu nesta terça-feira (17), em mais um dia de preocupações com a continuidade do confronto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro. O petróleo Brent, referência mundial, passou toda a sessão acima dos US$ 100 e, em seu preço máximo, chegou a se aproximar de US$ 105.
A contnuidade da interrupção do transporte marítimo pelo estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, continua afetando o fornecimento dos produtos em todo mundo e elevando a cotação do barril Brent, que encerrou o quarto dia consecutivo na casa dos três dígitos.
O Brente fechou com alta de 3,37%, cotado a US$ 103,56. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, subia 2,13% na hora do fechamento, cotado a US$ 94,43.
As principais Bolsas da Europa subiram nesta terça, assim como os mercados de Seul e Taiwan, mas os índices na China e no Japão fecharam em queda.
Os investidores avaliam as declarações de líderes europeus, do Japão e da Austrália, que rejeitaram o pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, de ajudar na escolta de navios-petroleiros em Hormuz. O regime do Irã disse que o tráfego estará aberto para quem não for aliado dos norte-americanos, mas que continuará os ataques a quem apoiar Trump.
Posteriormente, Trump voltou atrás e afirmou que não precisava da ajuda de outros países nas operações do local.
As atividades no campo de gás de Shah, nos Emirados Árabes Unidos, permaneceram suspensas nesta terça, enquanto um novo ataque causou um incêndio no importante terminal de exportação de petróleo de Fujairah, nos Emirados Árabes, evidenciando como Teerã está interrompendo os fluxos de energia da região.
Na Bolsa, o mercado asiático teve uma divisão com alta em Seul (1,63%), Taiwan (1,48%) e Hong Kong (0,13%) e queda em Tóquio (-0,1%), em Xangai (-0,85%) e no índice CSI300 (-0,73%), que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen.
Já as principais Bolsas da Europa fecharam em alta. O índice Euro STOXX 600 subiu 0,64%, com a mesma tendência em Frankfurt (0,67%), Londres (0,83%), Paris (0,49%), Madri (0,92%) e Milão (1,22%). Nos EUA, as três Bolsas também fecharam em alta: Dow Jones (0,10%), S&P 500 (0,25%) e Nasdaq (0,47%).
A alta dos mercados nos EUA ocorre, também, na véspera de uma nova decisão de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central americano). “O melhor cenário seria uma confirmação de que o Fed está monitorando a situação, mas meio que adere ao que fez no passado, que é tentar ignorar os grandes choques do petróleo”, disse Ross Mayfield, estrategista de investimentos da Baird Private Wealth Management.
BANCOS CENTRAIS LIDAM COM PREÇOS DE ENERGIA
O Banco Central da Austrália votou nesta terça pela elevação das taxas de juros pela segunda vez neste ano, enquanto enfrenta uma nova onda de inflação, levando sua taxa de referência para 4,1%.
Isso definiu o tom antes das reuniões do Fed e do Banco Central do Brasil, que iniciaram os encontros nesta terça e anunciam o resultado na quarta-feira (18). No dia seguinte, será a vez dos líderes do BCE (Banco Central Europeu), do Banco da Inglaterra e do Banco do Japão divulgarem as novas taxas de juros.
A expectativa é de manutenção no patamar atual, com exceção do Brasil, que deve reduzir entre 0,25 e 0,50 ponto percentual a taxa de 15%.
Os operadores do mercado monetário revisaram suas apostas nas decisões dos bancos centrais pelo mundo. Agora, mercado espera amplamente apenas um corte do Fed no ano, manutenção de taxas pelo Banco da Inglaterra e uma ou duas elevações de taxas pelo BCE.
O Banco de Compensações Internacionais pediu na segunda-feira (16) que os formuladores de políticas não se apressem em reagir ao pico nos preços globais de energia, classificando-o como um caso clássico de quando se deve “ignorar” um choque de oferta.
O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos subiu 1 ponto-base, para 4,226%, e está 26 pontos-base mais alto desde o início da guerra. Os rendimentos sobem quando os preços caem, e vice-versa.