SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Tesouro Nacional realizou novos leilões extraordinários para recomprar mais R$ 5,4 bilhões em títulos públicos na manhã desta quarta-feira (18). A operação se soma a outras feitas nos últimos dias para conter a disparada das curvas de juros futuros, após investidores passarem a prever um ritmo mais lento de queda da taxa Selic, diante da instabilidade internacional provocada pela guerra no Irã, que tem feito o preço do petróleo disparar.
O terceiro dia seguido de operações extraordinárias do Tesouro conseguiu recomprar 7,6 milhões de títulos, 37,9% dos 20 milhões pretendidos. Nesses três dias, os leilões somam R$ 49 bilhões, na maior intervenção em mais de uma década.
O mercado de juros futuros está pressionado porque, com a disparada das cotações do petróleo, a inflação no Brasil pode voltar a subir, forçando o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter os juros em patamares elevados por mais tempo ou com cortes mais espaçados, adotando uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.
A instabilidade internacional já se reflete nas expectativas para a decisão desta quarta-feira do Copom, com projeção de corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa era de uma redução de 0,50 ponto.
As intervenções buscam conter a volatilidade no mercado de juros, que baliza as expectativas para a trajetória futura da Selic, que serve de referência para operações como empréstimos e financiamentos.
Segundo o Tesouro, as operações buscam garantir “o bom funcionamento” do mercado. Nos editais divulgados nesta quarta-feira, a instituição apontou para recompra de até 10 milhões de LTN (Letras do Tesouro Nacional) para dois vencimentos e de até 10 milhões de NTN-F (Notas do Tesouro Nacional – Série F), também para dois vencimentos.
O Tesouro também cancelou as tradicionais operações de venda de títulos indexados à inflação (NTN-B) e prefixados (LTN e NTN-F) desde a segunda-feira (16). Já o leilão de venda de títulos indexados à Selic (LFT) não foi suspenso.
TAXAS DO DI CAEM NOS VENCIMENTOS MAIS LONGOS APÓS OPERAÇÃO DO TESOURO
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que mede a expectativa do mercado em relação ao futuro das taxas Selic e CDI (usado como referência para remunerar investimentos), têm desempenho misto no começo desta tarde.
Por volta das 12h50, a taxa do DI para janeiro de 2027 tinha alta de 4 pontos-base, marcando 14,20% ante 14,158% na sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,755%, uma alta de 7 pontos-base em relação a 14,825% da sessão anterior.
Em outro vencimento mais longo, a taxa de 2033 caía 5 pontos-base, indo de 13,843% da sessão anterior para 13,790%.