Tesouro recompra mais R$ 5,4 bi em títulos prefixados em nova intervenção para conter juros

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Tesouro Nacional realizou novos leilões para recomprar mais R$ 5,4 bilhões em títulos públicos na manhã desta quarta-feira (18), mas sem conseguir impedir uma nova alta dos juros futuros.

A operação se soma a outras feitas nos últimos dias para conter a disparada das curvas de juros futuros, após investidores passarem a prever um ritmo mais lento de queda da taxa Selic, diante da instabilidade internacional provocada pela guerra no Irã, que tem feito o preço do petróleo disparar.

No terceiro dia seguido de operações extraordinárias do Tesouro, a recompra alcançou 7,6 milhões de títulos, 37,9% dos 20 milhões anunciados. Nesses três dias, os leilões somam R$ 49 bilhões, na maior intervenção em mais de uma década.

O mercado de juros futuros está pressionado porque, com a disparada das cotações do petróleo, a inflação no Brasil pode voltar a subir, forçando o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter os juros em patamares elevados por mais tempo ou com cortes mais espaçados, adotando uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

A instabilidade internacional já se reflete nas expectativas para a decisão desta quarta-feira do Copom, com projeção de corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa era de uma redução de 0,50 ponto.

As intervenções buscam conter a volatilidade no mercado de juros, que baliza as expectativas para a trajetória futura da Selic, que serve de referência para operações como empréstimos e financiamentos.

Segundo o Tesouro, as operações buscam garantir “o bom funcionamento” do mercado. Nos editais divulgados nesta quarta-feira, a instituição apontou para recompra de até 10 milhões de LTN (Letras do Tesouro Nacional) para dois vencimentos e de até 10 milhões de NTN-F (Notas do Tesouro Nacional – Série F), também para dois vencimentos.

O Tesouro também cancelou as tradicionais operações de venda de títulos indexados à inflação (NTN-B) e prefixados (LTN e NTN-F) desde a segunda-feira (16). Já o leilão de venda de títulos indexados à Selic (LFT) não foi suspenso.

Luiz Parreiras, gestor da estratégia multimercado e previdência da Verde Asset, vê a operação do Tesouro como meritória. “O Tesouro depende do mercado. No fim do dia, o papel é financiar e refinanciar a dívida pública brasileira, ou seja, vender títulos públicos ao mercado. Em momentos de estresse, em que todo mundo tenta sair ao mesmo tempo, as operações ajudam a dar liquidez”.

TAXAS DO DI ENCERRAM O DIA EM ALTA

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que mede a expectativa do mercado em relação ao futuro das taxas Selic e CDI (usado como referência para remunerar investimentos), encerraram em alta nesta quarta-feira.

Após a operação do Tesouro, as taxas caíram, mas assim como na véspera, a discussão em torno da greve dos caminhoneiros voltou a pressionar a curva.

Para Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, temores sobre a paralisação afetam o setor. Uma potencial paralisação aumenta risco fiscal e inflacionário.

A taxa do DI para janeiro de 2027 registrou alta de 4 pontos-base, marcando 14,200% ante 14,158% na sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou 13,915%, uma alta de 9 pontos-base em relação a 13,825% da sessão anterior. Em outro vencimento mais longo, a taxa de 2033 subiu 8 pontos-base, indo a 13,925% da sessão anterior para 13,843%.

Na última quarta, reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que caminhoneiros articulam uma paralisação nacional para os próximos dias. Um dos principais motivos apresentados por porta-vozes do setor é o aumento do preço do diesel nas refinarias pela Petrobras.

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