Petróleo dispara e fica perto de US$ 110 após Irã ameaçar novos ataques a instalações de petróleo

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A ameaça do Irã de intensificar os ataques a instalações de petróleo em todo o Oriente Médio provocou uma nova disparada do preço do barril Brent, referência mundial, nesta quarta-feira (18). Na máxima do dia, o preço da commodity chegou a ficar acima de US$ 111.

O regime iraniano informou, por volta das 10h (horário de Brasília), que poderia atacar refinarias e campos de gás na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Qatar nas “próximas horas” e recomendou que funcionários e residentes próximos às instalações deixem os locais.

Após o alerta, o preço do barril Brent saltou mais de 5%. A commodity desacelerou a disparada ao longo do dia, mas voltou a subir no fim da sessão e fechou cotado a US$ 109,47, uma alta de 5,85%.

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também subiu durante a sessão, mas sofreu mais volatilidade. Ao fechamento, estava em leve queda, de 0,07%, cotado a US$ 95,46.

Em 9 de março, o contrato de maio do Brent chegou a alcançar US$ 119,46, o preço mais alto desde 29 de junho de 2022. Nesta quarta, inclusive, o petróleo chegou a cair quase 3% no começo da sessão, sendo negociado a US$ 100,35, mas mudou a tendência com a divulgação de novos ataques dos EUA e Israel ao Irã, que revidou com bombardeios a vários países do golfo Pérsico.

Os preços do petróleo tombaram nas primeiras horas da sessão depois que o Iraque e as autoridades curdas concordaram em retomar as exportações pelo porto de Ceyhan, na Turquia, mesmo com o estreito de Hormuz virtualmente fechado pelo regime iraniano.

Porém a retomada de ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que revidou bombardeando vários países do golfo Pérsico fez com que o petróleo subisse. A madrugada desta quarta-feira tornou-se uma das noites de violência mais espraiada pela região.

O regime iraniano realizou ataques em retaliação à morte do homem-forte do regime, Ali Larijani, na terça-feira (17), levou a uma madrugada de terror nos países do golfo Pérsico atacados por sediarem bases americanas. Em Israel, o uso de mísseis pesados deixou dois mortos em Tel Aviv.

O aeroporto de Dubai voltou a ser atacado e houve interceptações de mísseis e drones também no Kuwait, Bahrain e Qatar. Na Arábia Saudita, defesas antiaéreas derrubaram aviões-robôs perto da capital, Riad, e houve registro de ataques pontuais na Jordânia e no Iraque.

O conflito mantém a preocupação sobre o fornecimento de petróleo, já que os navios-petroleiros não conseguem passar pelo estreito de Hormuz, por onde trafega 20% da produção mundial de petróleo e gás.

“Se o estreito não reabrir… o Brent e o WTI acabarão sendo reprecificados para cima à medida que os estoques da bacia do Atlântico forem reduzidos e o mercado global for forçado a se ajustar a um nível de oferta materialmente mais apertado”, comentou Rebekah McMillan, gestora de portfólio associada de múltiplos ativos na Neuberger.

Com a permanência do preço do petróleo acima dos US$ 100, os analistas temem que a situação tenha consequência direta nas decisões sobre juros que serão anunciadas nesta quarta. No dia seguinte, será a vez do BCE (Banco Central Europeu) e dos bancos centrais do Reino Unido e da Suíça anunciarem suas resoluções.

O Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) manteve a taxa entre 3,5% e 3,75%, destacando o “cenário incerto” da economia do país em virtude do conflito no Oriente Médio. Já no Brasil, a expectativa é de corte de 0,25 ponto percentual, mas que ficará abaixo do 0,50 ponto percentual que vinha sendo previsto até o início do conflito no Oriente Médio.

Em comunicado, as projeções publicadas pelo Fed mostram que os banqueiros centrais ficaram mais pessimistas em relação à inflação. O aumento de preços que era estimado em 2,4% subiu para 2,7%, enquanto a expectativa para a taxa de desemprego permaneceu em 4,4%.

BOLSAS CAEM

As principais Bolsas do mundo registraram queda nesta quarta-feira, após o acirramento do confronto no Oriente Médio. Após abrir em alta, o índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, caiu 0,75% no dia, com as maioria das outras Bolsas do continente seguindo a tendência: Frankfurt (-0,86%), Londres (-0,94%), Paris (-0,06%) e Milão (-0,33%). Apenas a Bolsa de Madri subiu, fechando com alta de 0,29%.

As Bolsas dos EUA também se desvalorizaram na sessão, com quedas acima de 1%, mesmo depois de terem alta no pré-mercado. Recuaram Dow Jones (-1,63%), S&P 500 (-1,36%) e Nasdaq (-1,46%).

Já os principais da Ásia fecharam em alta, já que não foram impactados pelas ameaças feitas pelo Irã horas depois do encerramento do pregão. Na China, o índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, saltou 0,45%, e o índice SSEC, em Xangai, teve valorização de 0,32%. Mas os destaques na Ásia ficaram para Seul e Tóquio, que dispararam 5,04% e 2,87%, respectivamente.

O ouro também seguia o pessimismo do mercado e caía 3,81% no fechamento do mercado, sendo vendido a US$ 4.817,41 a onça.

Os títulos do Tesouro dos EUA estenderam os ganhos após um sólido leilão de títulos de 20 anos. Os rendimentos dos títulos de 10 anos caíram 2 pontos-base para 4,1790%, sua terceira queda consecutiva, recuando de um pico recente de 4,29%. Os rendimentos de referência da zona do euro também caíram 2 pontos-base para 2,88%.

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