SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Força Aérea do Irã afirmou ter atingido um caça americano F-15E sobre a ilha de Hormuz neste domingo, horas depois de Donald Trump dar um ultimato à teocracia para reabrir o estreito homônimo por onde por onde se escoava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
Segundo os militares, o avião foi alvejado e seu destino é incerto. A mídia estatal divulgou um vídeo com imagens infravermelhas não confirmadas de um caça com perfil do F-15 lançando iscas incandescentes, tática comum para tentar se livrar de mísseis com sensores de calor.
A imagem, se verdadeira, não mostra o avião sendo atingido. O Comando Central das Forças Armadas dos EUA, responsável pela área de operações, não se manifestou ainda.
Caça F-15E dos EUA pousa em base não revelada no Oriente Médio, com silhueta de avião A-10 na pista (mancha cinza, à esq.) Centcom no X Caça F-15 cinza escuro com marcação ‘LN’ nas caudas decola de pista em ambiente desértico ao entardecer, com céu azul e nuvens claras ao fundo. Imagem pequena **** Se o F-15 de fato foi abatido, terá sido algo inédito nesta guerra. Até aqui, o Irã conseguiu atingir um F-35, modelo mais moderno do arsenal americano, mas os EUA dizem que o caça conseguiu pousar num país aliado próximo, sem que o piloto fosse ferido.
As únicas perdas comprovadas de aeronaves ocorreram no Kuwait, onde três F-15E que participam da defesa do emirado contra uma onda de ataque iraniana foram abatidos no mesmo dia, ao que tudo indica pelo mesmo piloto local, que voava um F/A-18. Todos os seis pilotos ejetaram e sobreviveram.
Depois, um avião-tanque KC-135 chocou-se com outro no ar sobre o Iraque, caindo e matando os seis aviadores a bordo.
Ainda neste domingo, outro incidente ocorreu na região conflagrada. Um helicóptero de transporte militar do Qatar caiu no mar durante uma operação de rotina, matando seus sete tripulantes –três deles turcos, integrantes de um programa de cooperação entre os países. Segundo o governo, foi um acidente devido a um defeito mecânico.
Na noite de sábado (21), Trump escreveu na rede social Truth que daria 48 horas para que os iranianos reabrissem Hormuz, que viu o trânsito de petroleiros e navios de transporte de gás cair a quase zero com a guerra iniciada pelos EUA e Israel há três semanas.
O presidente pressiona aliados a ajudá-lo a montar uma força-tarefa para escoltar navios comerciais, mas mas até agora ouviu primeiro um não, depois uma promessa vaga de contribuir para esforços. No momento, a presença militar iraniana na região não permite isso sem alto risco.
Desde a semana passada, os americanos passaram a atacar mais intensamente posições da teocracia na região, onde havia 16 bases principais ligadas principalmente à Guarda Revolucionária, o esteio do regime islâmico.
Trump disse que, se o ultimato não for respeitado, irá atacar usinas de energia do Irã. A teocracia respondeu que irá retaliar contra alvos energéticos ligados aos EUA em todo o Oriente Médio se isso ocorrer.
Neste domingo, o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, disse que Hormuz está aberto a qualquer navio que não esteja associado aos EUA e Israel, embora isso seja mentira na prática.
O Irã tem permitido a passagem de algumas embarcações por uma rota que passa por suas águas territoriais, o que aumenta a suspeita de que o curso principal por onde passavam os navios, com 3 km de largura em cada faixa de ida e volta, possa estar minado.
A crise tem levado caos ao comércio de energia global, com o barril referencial do petróleo, o Brent, tendo saído da casa dos US$ 60 para quase US$ 120. O gás disparou ainda mais na semana passada, quando Israel atacou a porção do Irã do maior campo da commodity no mundo, e Teerã retaliou destruindo quase 20% da capacidade de processamento do Qatar, líder de mercado.
No Estado judeu, chegou a 115 o número de feridos no ataque com mísseis balísticos iranianos às cidades sulistas de Dimona e Arad. Ao menos 11 deles estão em estado grave. Dimona é a sede do programa nuclear israelense, mas a Agência Internacional de Energia Atômica disse que as instalações estão intactas.