Operação que mirou Fictor investiga fraudes contra BB, Bradesco, Santander e Safra

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os mandados de busca e apreensão contra executivos do Grupo Fictor fazem parte de uma operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (25) para investigar fraudes de crédito contra os bancos Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Safra.

A PF visou desarticular os negócios ilícitos de Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, morador do interior de São Paulo e administrador de vários CNPJs. As investigações tiveram origem na apreensão de um aparelho telefônico em 2023 durante outra operação contra a facção Comando Vermelho.

“Na nossa investigação, identificamos que o carro-chefe do Ralado é a fraude contra instituições financeiras”, afirmou o delegado Florisvaldo Neves, que chefia a unidade da PF em Piracicaba (SP).

De acordo com o delegado, o investigado constituiu centenas de empresas sem atividade formal, registradas em nome de laranjas, que eram usadas para obter empréstimos aparentemente lícitos. Para isso, Ralado recrutava funcionários dos bancos que adulteravam os cadastros dos clientes nos sistemas das vítimas.

A Justiça Federal expediu 21 mandados de prisão contra Ralado -ainda foragido-, laranjas e profissionais infiltrados em bancos que viabilizaram a suposta operação fraudulenta. Algumas das pessoas presas ocupavam cargos de gerência nas instituições.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Azevedo. Ainda não há indicação de um advogado nos autos.

O BB diz que não recebeu comunicação das autoridades que investigam o caso. O Bradesco afirma que confia no trabalho da PF e aguarda o desfecho das investigações. A Caixa afirma que colaborou com as autoridades no curso da investigação e respeita o sigilo legal do processo. Safra e Santander não quiseram se manifestar.

A atuação da PF se concentra nos crimes contra a Caixa, uma empresa pública. A investigação das demais fraudes cabe às autoridades policiais do estado onde o crime teria ocorrido.

Segundo Neves, os operadores de Ralado movimentariam o dinheiro obtido por empréstimo por cerca de um ano e depois deixavam de pagar as dívidas. “Para o banco isso não parece um crime imediatamente, parece inadimplência”, diz Neves. O calote intencional mediante a adulteração constituía fraude, segundo o investigador.

Até o momento, as autoridades conseguiram rastrear R$ 47 milhões obtidos pela quadrilha em fraudes. De acordo com Neves, as investigações seguem em andamento e a estimativa é que a operação ilícita possa ter deixado um rombo superior a R$ 500 milhões.

Os valores, então, eram convertidos em bens de luxo e em criptoativos, com o intuito de dificultar o rastreamento, diz comunicado da PF.

Na operação, a autoridade policial também apreendeu uma pistola calibre nove milímetros, munições, valores em dinheiro vivo, relógios e aparelhos digitais, como notebook, pen drives, tablets e smartphones.

Segundo a investigação, Ralado também utilizou as empresas de fachada para lavar dinheiro para outras pessoas. Um de seus clientes seria o Bonde do Magrelo, um grupo criminoso atuante no interior paulista e ligado ao Comando Vermelho, investigado anteriormente pela PF.

A apuração contra Ralado começou com a apreensão de um aparelho celular durante operação contra o Bonde do Magrelo.

Mensagens no celular de Ralado indicam que ele também mantinha contato e relações comerciais com executivos da Fictor.

“As comunicações mostram pedidos dos executivos da Fictor para movimentar dinheiro nessa estrutura de empresas de fachada agora sob investigação”, afirma o delegado Florisvaldo Neves, responsável pela investigação.

O CEO da financeira, Rafael Gois, e o ex-sócio da empresa Luiz Phillippe Rubini, que comandava o braço de investimentos do conglomerado, o Fictor Invest, foram alvos de mandado de busca e apreensão.

Procurada, a Fictor afirma que seu CEO foi alvo de um mandado de busca e apenas o smartphone dele foi apreendido. “Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos.”

A defesa de Rubini, executivo que deixou a Fictor em outubro do ano passado, disse que “não teve conhecimento prévio do processo e se manifestará oportunamente”.

Voltar ao topo