Entenda o primeiro mês da guerra do Irã em 10 tópicos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã completa um mês neste domingo (29).

Desde que os primeiros bombardeios começaram, no último dia de fevereiro, o conflito já levou à morte de milhares de pessoas, à reconfiguração política da República Islâmica, a uma crise de abastecimento de energia causada pelo fechamento do estreito de Hormuz e a idas e vindas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Veja abaixo os dez principais acontecimentos do primeiro mês de guerra.

Morte do líder supremo Ali Khamenei

Ainda no primeiro dia de bombardeios, em 28 de fevereiro, as forças israelenses assassinaram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Aos 86 anos, ele foi morto em sua residência oficial com outros membros da família.

A morte do aiatolá que governava o país com mão de ferro desde 1989 foi o primeiro assassinato de chefe de Estado em uma operação abertamente liderada pelos EUA. As autoridades iranianas reconheceram a morte no final do primeiro da guerra depois de horas negando o fato.

No dia seguinte, 1º de março, um líder supremo interino, aiatolá Alireza Arafi, foi indicado e uma junta de governo provisória foi formada.

Bombardeio de escola primária em Minab

Também no primeiro dia da guerra, um míssil Tomahawk americano atingiu uma escola primária em Minab, no sul do Irã, matando 175 pessoas –a maioria delas crianças.

Embora o ataque não tenha sido reivindicado por nenhuma das partes durante semanas, um inquérito preliminar dos EUA apontou que o disparo foi um erro de suas Forças Armadas e inteligência. A escola ficava próxima a uma base militar que estava entre os alvos de bombardeio.

Trump chegou a afirmar que o Irã seria culpado pelo ataque, apesar de os EUA serem o único país envolvido na guerra que possui mísseis Tomahawk.

Hezbollah entra na guerra

No domingo, 1º de março, o grupo armado libanês Hezbollah iniciou uma série de bombardeios contra Israel em retaliação aos ataques ao Irã, seu aliado.

A entrada do Hezbollah na guerra arrastou o Líbano para o conflito, ampliando seu alcance no Oriente Médio. Rapidamente, Israel começou a realizar bombardeios no sul do país, chegando a atingir Beirute no dia 5 de março.

Desde o dia anterior, o Irã vinha bombardeando os países do golfo Pérsico com bases dos EUA ou considerados aliados de Trump, como o Omã, o Qatar e os Emirados Árabes Unidos.

Fechamento do estreito de Hormuz

No dia 2 de março, a Guarda Revolucionária do Irã fechou o estreito de Hormuz, um dos mais importantes canais de transporte de petróleo do mundo.

A faixa de navegação de apenas 30 quilômetros é responsável pelo escoamento do combustível extraído dos países do golfo Pérsico para outras partes do planeta.

Até o dia 22 de março, foram contabilizados 24 ataques a navios que tentaram cruzar o estreito e uma redução de 95% do movimento de trânsito marítimo na região.

No dia 26 de março, Israel afirmou ter matado o chefe do braço naval da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri, que determinou o fechamento da passagem.

Eleição de Mojtaba Khamenei como líder supremo

No dia 8 de março, a Assembleia de Especialistas elegeu o filho do aiatolá Ali Khamenei, Mojtaba, como novo líder supremo do Irã. A escolha do sucessor foi vista como um sinal de desafio da República Islâmica aos Estados Unidos, que buscavam conseguir uma “solução Venezuela”, implantando um líder moderado que pudesse negociar com Trump.

A vitória de Mojtaba é considerada um sinal de fortalecimento da linha dura da teocracia e da Guarda Revolucionária.

Provavelmente ferido durante o ataque que matou seu pai, o novo líder supremo não fez aparições públicas desde que seu nome foi anunciado.

Trump revoga sanções de petróleo contra Rússia e Irã

No dia 12 de março, o governo dos EUA permitiu a venda de petróleo da Rússia pela primeira vez desde o início da guerra da Ucrânia, em 2022.

Pressionada pela alta dos preços do petróleo causada pelo fechamento do estreito de Hormuz, a gestão Trump emitiu uma licença temporária para permitir a venda de petróleo bruto e derivados de petróleo russos carregados em navios até 11 de abril.

Já no dia 20 de março, o governo americano emitiu uma licença semelhante permitindo a venda de petróleo iraniano por 30 dias.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a licença vale para o combustível que já está em trânsito e não permite novas compras ou produção. Ele também afirmou que os EUA estão usando “barris iranianos contra o Irã”, já que o país persa visa aumentar o preço do petróleo para pressionar pelo fim da guerra.

Morte de Ali Larijani

Considerado o principal operador do regime islâmico, Ali Larijani foi morto no dia 17 de março. Ele era chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e muito próximo à Guarda Revolucionária.

Larijani foi a mais alta figura do governo iraniano a ser morta depois do líder supremo Ali Khamenei. Israel e os EUA vêm prometendo eliminar toda a cadeia de comando da teocracia, incluindo o novo líder supremo, Mojtaba.

Irã usa mísseis de longo alcance e coloca Europa em alerta

Pela primeira vez, o Irã demonstrou que consegue atingir alvos a pelo menos 4.000 quilômetros de distância. O país disparou mísseis contra uma base americana no oceano Índico no dia 21 de março.

Apesar de não ter conseguido atingir a base (um dos projéteis caiu no mar e o outro foi abatido), as novas armas usadas pelos iranianos geraram preocupação em líderes europeus. Isso porque a distância percorrida pelos mísseis seria suficiente para o Irã atingir quase toda a Europa.

Trump faz ultimato e depois recua

Também no dia 21 de março, o presidente americano deu um ultimato ao Irã para a reabertura do estreito de Hormuz. Trump afirmou que, caso a passagem não fosse reaberta, destruiria toda a infraestrutura energética iraniana.

Mas a teocracia não comprou o blefe e, próximo ao fim do prazo, na segunda-feira (23), o republicano recuou. Ele afirmou estar negociando com autoridades iranianas, o que o comando do país persa negava.

Na quarta-feira (25), o comando do regime islâmico admitiu estar analisando uma proposta de 15 pontos enviada pelos EUA. As negociações, no entanto, não deram resultado e o Irã enviou uma contraproposta nesta quinta-feira (26), com reivindicações também consideradas impossíveis.

Entre elas, estão a manutenção do controle do estreito de Hormuz nas mãos iranianas e compensações monetárias pelos danos causados pela guerra.

Ocupação israelense no Líbano

No dia 24 de março, o Exército de Israel anunciou que irá ocupar o sul do Líbano como fez entre 1982 e 2000. O objetivo, segundo o governo israelense, é eliminar a atuação do Hezbollah, muito ativo na região.

A ocupação também serviria para criar uma “zona de proteção” próxima à fronteira, para evitar ataques a cidades israelenses.

Já para os libaneses, a presença militar gera temores de uma anexação definitiva por parte do vizinho. A conquista do Líbano é defendida abertamente pelos partidos de direita religiosa que integram a coalizão do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

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