Aena vê Galeão como porta de entrada do Brasil e aposta em sinergia com Congonhas

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A espanhola Aena, vencedora do leilão do Galeão nesta segunda-feira (30), prevê ganhos de sinergia em seus negócios ao assumir a operação do aeroporto do Rio de Janeiro. O terminal será o 18º no portfólio da companhia no Brasil, mas o primeiro com peso relevante no tráfego internacional.

Para a empresa, o Galeão é um pilar estratégico para a aviação brasileira, com grande potencial de crescimento em termos de movimentação de passageiros. Isso porque o aeroporto ainda opera bem abaixo de sua capacidade.

Segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o Galeão movimentou 17,5 milhões de passageiros em 2025 -um recorde que põe o terminal entre os três maiores do país. No entanto, o movimento ainda está longe de sua capacidade, estimada em 37 milhões de pessoas por ano.

A título de comparação, o aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, é o principal terminal internacional do Brasil e recebeu 46 milhões de passageiros no ano passado.

Encurtar a distância em relação a Guarulhos e reduzir a diferença entre capacidade real e potencial são desafios que a Aena vai enfrentar com o novo ativo.

Mas a contar pelo cheque de R$ 2,9 bilhões (ágio de 210% em relação à outorga mínima), o grupo espanhol enxerga no negócio uma série de oportunidades.

“O Rio é a porta de entrada do Brasil e [o Galeão] é um ativo que tem capacidade, que tem um grande potencial de desenvolvimento. Temos enxergado os números que o Rio de Janeiro como um todo, e especificamente o aeroporto do Galeão, vem entregando ano após ano”, disse Santiago Yus, diretor presidente da Aena Brasil.

Expectativa semelhante foi declarada pelo ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

Na esteira das restrições a voos no Santos Dumont, no centro da capital fluminense, o aeroporto voltou a registrar alta de movimentação com o redirecionamento de parte da demanda.

“O Galeão hoje é um hub do desenvolvimento brasileiro. Nós já tivemos em 2025 um crescimento em mais de 15% na movimentação de passageiros internacionais do Galeão. Tivemos mais de 10% na movimentação de passageiros nacionais. Agora a Aena vai colocar o Brasil ainda mais na rota internacional”, afirmou.

Uma das apostas da Aena para aumentar a movimentação do Galeão está na Agenda Conectar, uma iniciativa do governo federal para expandir as conexões aéreas no país e tornar a aviação civil mais acessível.

A agenda, lançada oficialmente na semana passada, propõe iniciativas para fortalecer a concorrência, reduzir custos operacionais e promover estabilidade regulatória.

“Se conseguirmos fazer com que o Brasil continue crescendo como nos últimos anos, e se conseguirmos trazer mais população do Brasil para o setor aéreo -num momento em que o país está em situação de prevalência em relação a outras regiões-, vamos conseguir muito mais atividade e muito mais negócio.”

Mas o potencial do Galeão, sozinho, não explica o interesse da Aena no aeroporto. Outro fator de atratividade para o grupo espanhol foi integração entre a ponte aérea Rio-SP.

Com Congonhas (SP) e Galeão no portfólio, a Aena agora tem uma grande operação em São Paulo e uma grande operação no Rio. Isso, segundo a empresa, permite um encaixe bem-sucedido na malha aérea para conectar voos domésticos e internacionais.

A integração, segundo Yus, permite reduzir despesas operacionais e trazer melhores operações comerciais, melhorando a experiência do passageiro nessa e em demais rotas.

De acordo com o executivo, a operação coordenada entre os aeroportos da rede Aena (que agora soma 81 terminais no mundo) gera eficiências fundamentais.

“Não só sinergias do ponto de vista do tráfego, mas também para trazer melhores operações comerciais, melhor experiência para o passageiro e também do ponto de vista das despesas”, disse.

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