São Paulo, 2 de janeiro de 2025 – O crédito deverá crescer 9% em 2025, com a carteira de recursoslivres tendo expansão de 8,3% e a direcionada de 9,7%, revela a Pesquisa de Economia Bancária eExpectativas da Febraban. O resultado do levantamento, feito com 19 bancos entre os dias 17 e 20 dedezembro, aponta uma redução, para 2025, do ritmo de crescimento em relação à expansão dacarteira de crédito de 2024, prevista para fechar em 10,5%.
Os dados de 2024 (até novembro) seguem em linha com o avanço na faixa de dois dígitos do créditono ano, refletindo a queda dos juros no 1o semestre, os índices de inadimplência mais contidos,elevação da renda das famílias, recuperação do crédito para as empresas e novos programaspúblicos.
A carteira com recursos livres, entre janeiro e dezembro de 2024, deverá ficar em 10,1%, mostrandoum aumento ante 9,9% da pesquisa de novembro. Ocorreram revisões positivas tanto na carteira paraas famílias, como para empresas. A expectativa de alta da carteira livre para empresas tambémsubiu de 8,5% para 8,7%, enquanto da carteira livre para famílias saiu de 11,1% para 11,3%.
A estimativa é que 2024 feche com um leve recuo na projeção de crescimento da carteira comrecursos direcionados, de 11,7% para 11,4%. A queda foi puxada pela revisão negativa da expansãodo crédito destinado às empresas (10,0% ante 10,7%), diante da reavaliação do impacto de algunsprogramas públicos. Já a expectativa de expansão do crédito direcionado destinado às famíliaspassou de 11,9% para 12,0%.
A Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban é realizada a cada 45 dias, logo apósa divulgação da Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e mostra a estimativados bancos para o comportamento de diversas variáveis da economia ao longo deste e do próximo ano.
Para 2025, porém, as projeções obtidas com a pesquisa dos bancos já refletem a piora nasexpectativas quanto às condições econômicas e à política monetária, que tendem a ser bem maisapertadas ao longo do ano. Nesse sentido, a projeção para o crescimento do crédito neste anoaponta para uma acomodação, recuando de 9,3% (pesquisa anterior) para 9,0%, com revisão parabaixo concentrada no crédito com recursos livres (de 9,2% para 8,3%). Já a projeção para acarteira direcionada praticamente não sofreu alteração, ficando em 9,7% (ante 9,8%).
Começamos o ano com as expectativas de crédito recalibradas diante do cenário macroeconômicomais desafiador que se desenha, com maior aperto monetário para conter a inflação e seu reflexodireto na atividade. Ainda que a reacomodação seja natural e esperada, os números podem continuarsendo considerados positivos, com crescimento projetado de um dígito alto, próximo ao verificadoem 2024. As previsões são sensíveis à evolução dos números e aos resultados da economia, econforme o cenário fiscal ficar mais claro e os indicadores sinalizarem resultados positivos, ocrédito poderá voltar à faixa de dois dígitos, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia,Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.
Inadimplência no crédito
Ainda de acordo com a pesquisa, a expectativa para a taxa de inadimplência da carteira livre apontaligeira piora. O indicador deve fechar 2024 em 4,5%, pouco acima do nível atual, 4,3% em novembro,segundo dados do Banco Central. Para 2025, a projeção da inadimplência da carteira livre tambémse elevou um pouco e atingiu 4,7%, ante 4,5% na pesquisa anterior.
Esses dados indicam que as instituições financeiras começam a ver um cenário mais negativo paraa inadimplência do próximo ano e, por isso, precisamos analisar com atenção a performance dasfamílias e das micro, pequenas e médias empresas, diante do novo ciclo de alta dos juros,complementa Sardenberg.
Selic
A pesquisa mostra que a grande maioria dos entrevistados (84,2%) espera que o Copom eleve a taxaSelic para além de 14,25% ao ano no atual ciclo de aperto monetário. Porém, a maioria (52,6%)espera que um novo de ciclo de flexibilização monetária se inicie ainda em 2025.
Sobre a trajetória da Selic, a expectativa para os juros se elevou novamente ante as pesquisasanteriores. Agora, a mediana para a Selic prevê alta até 15,0% ao ano em junho de 2025.
Dólar
A expectativa para a taxa de câmbio também seguiu em alta em relação às pesquisas anteriores.No curto prazo, a expectativa é que o câmbio siga próximo do nível de R$ 6,00, mostrandoapreciação ao longo do período avaliado, quando atingiria R$ 5,90 em julho de 2025.
Inflação
A maioria dos participantes (57,9%) espera que o IPCA encerre 2025 acima de 4,5%, ou seja, além doteto da meta, em função de inúmeros fatores, como a atividade aquecida, o mercado de trabalhoapertado e o câmbio depreciado.
PIB
Com relação à atividade, metade dos participantes espera que o PIB cresça em torno de 2,0% em2025, que é o consenso atual de mercado. Contudo, 27,8% dos participantes esperam um crescimentomenor, diante do nível restritivo da política monetária/condições financeiras e redução dosestímulos fiscais.
Pacote de corte de gastos
No campo fiscal, a maior parte dos entrevistados (66,7%) estima que o pacote aprovado no Congressogere uma economia entre R$ 40 bi e R$ 55 bi nos próximos dois anos.
FED
Sobre a política monetária nos EUA, 57,9% dos analistas consultados ainda esperam que o FED sigacom o processo de cortes dos juros em 2025, levando as taxas para o intervalo entre 3,75% e 4,00, próximo ao precificado atualmente pelo mercado.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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