"Nenhum grande mercado cresceu em 2024 tanto quanto o brasileiro", diz Anfavea

Uma image de notas de 20 reais
Produção em 2024 chegou a 2,5 milhões: indústria espera atingir 2,8 milhões neste ano
(Marcello Casal Jr./Agência Brasil)(
  • Com 2,5, milhões de veículos produzidos, país retomou o oitavo lugar no ranking mundial. Crédito impulsionou vendas, segundo a associação
  • Entre veículos novos e usados, foram vendidos 14,4 milhões de unidades, recorde histórico. Importações cresceram e exportações caíram
Por Vitor Nuzzi

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS ]
Com produção 9,7% maior (2,55 milhões de veículos) e alta de 14,1% nas vendas (2,63 milhões), o Brasil voltou ao oitavo lugar no ranking dos produtores mundiais, segundo a Anfavea, a associação nacional das montadoras. Os três primeiros são China (31,3 milhões), Estados Unidos (11,9 milhões) e Japão (8,2 milhões). “Nenhum grande mercado do mundo cresceu tanto quanto o brasileiro em 2024”, afirmou a entidade, na divulgação de seus resultados anuais, na terça-feira (14). A média global de vendas teve alta de 2%, segundo a associação. A soma de novos e usados chegou a 14,4 milhões de veículos leves, maior resultado na história do mercado brasileiro, superando 2019 (13,7 milhões).

“Claramente, há uma demanda reprimida por transporte individual que vem sendo atendida de forma crescente, graças às melhores condições de crédito”, afirmou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. “Se essas condições melhorarem e se houver política de renovação de frota, mais pessoas poderão optar por veículos zero quilômetro.” A questão é que os juros permanecem elevados, o que deverá dificultar o acesso ao crédito. Isso já fez, inclusive, com que a própria Anfavea refizesse no ano passado as estimativas, reduzindo sua projeção inicial de 3 milhões para 2,8 milhões de veículos produzidos em 2025. A entidade espera voltar à marca de 3 milhões em 2026, 12 anos depois. O pagamento a prazo correspondeu a 44% das vendas – foi de 58,8% em 2015.

As importações cresceram 33%, atingindo 466,7 mil veículos, com impulso dos eletrificados vindo da China. “Neste ano é preciso reequilibrar os volumes de exportações e importações”, disse o presidente da Anfavea. “Temos um Imposto de Importação muito baixo para elétricos e híbridos, o menor entre os países que fabricam veículos, o que nos torna um alvo preferencial de empresas importadoras, em prejuízo do nosso parque industrial e dos nossos empregos.” Já as exportações (398,5 mil) caíram 1,3% em 2024, apesar da recuperação registrada no segundo semestre.

O nível de emprego no setor cresceu 8,3% em relação ao final do ano anterior. Em dezembro, a indústria automobilística estava com 107,2 mil trabalhadores, 8,2 mil a mais, voltando ao nível de 2019. Foi a maior taxa de crescimento desde 2007.

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