Especialistas alertam que Incêndios na Califórnia podem desacelerar a economia e aumentar a inflação

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São Paulo, 15 de janeiro de 2025 – Os devastadores incêndios florestais que destruírambairros inteiros em Los Angeles neste mês estão se somando ao evento de incêndio mais caro dahistória da Califórnia. Economistas afirmam que eles devem desacelerar a economia dos EstadosUnidos e exercer pressão ascendente sobre a inflação.

Dois bancos de investimento, Goldman Sachs e Morgan Stanley, divulgaram estimativas preliminaressobre o impacto dos incêndios florestais no emprego, crescimento econômico e inflação.

O Goldman Sachs estimou que os US$ 40 bilhões em perdas totais causados pelos incêndiosreduzirão cerca de 0,2 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos noprimeiro trimestre e resultarão em uma modesta desaceleração no crescimento do emprego emjaneiro.

Os economistas do Morgan Stanley também disseram que os incêndios florestais devem desaceleraro crescimento do emprego e aumentar temporariamente a inflação subjacente.

Os incêndios subtrairão entre 20 mil e 40 mil empregos das folhas de pagamento da Califórniaem janeiro, principalmente no setor de serviços, afirmou o Morgan Stanley.

O banco acrescentou que o aumento da inflação nos preços ao consumidor deve variar entre 4 e9 pontos-base, impulsionado principalmente pelos custos de carros novos e usados. Essa pressão podedurar pelo menos três meses.

“Estamos em uma situação em que não temos capacidade ociosa para absorver esse desastre”,disse Diane Swonk, economista-chefe da KPMG.

Isso aumentará ainda mais a pressão sobre recursos já escassos, em termos de custos demateriais, atividade de construção e disponibilidade de trabalhadores, explicou Swonk.

Mesmo antes do início dos incêndios, a atividade de construção nos EUA já haviadesacelerado, com várias regiões, incluindo a Califórnia, relatando que os custos mais altos demateriais e financiamento estavam pesando no crescimento do setor, de acordo com o últimorelatório Beige Book do Federal Reserve, divulgado na quinta-feira.

O maior temor dos economistas é que os incêndios sejam parte de uma tendência crescente deeventos climáticos dispendiosos.

No ano passado, houve 27 eventos climáticos que resultaram em pelo menos US$ 1 bilhão em danoscada. Em 2023, houve um recorde de 28 eventos desse tipo.

Entre 1980 e 2023, a média anual de eventos climáticos desse porte foi de nove.

“Estamos em uma situação em que os desastres estão tendo um impacto maior e mais duradouro.Esses eventos uma vez a cada 100 anos estão acontecendo com mais frequência, e é por isso que oseguro está se tornando muito mais restritivo e proibitivo”, disse Swonk.

Os custos mais altos de seguro estão adicionando pressão inflacionária, tornando maisdifícil para o Federal Reserve reduzir a inflação para sua meta de 2%. Os consumidores estãocomeçando a perceber que a inflação veio para ficar, de acordo com a última pesquisa daUniversidade de Michigan, ela observou.

O governo está gastando menos na reconstrução após desastres individuais porque os desastresse tornaram muito maiores, acrescentou Swonk.

Ela citou o caso da cidade de Valmeyer, em Illinois, que decidiu se mudar para um terreno maisalto após ser inundada pelo rio Mississippi duas vezes em um único mês em 1993. A AgênciaFederal de Gerenciamento de Emergências (FEMA) pagou centenas de milhões de dólares para ajudar afinanciar essa mudança.

Com informações da agência de notícias Dow Jones.

Darlan de Azevedo – darlan.azevedo@cma.com.br (Safras News)

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