São Paulo, 17 de junho de 2025 – Antes das recentes negociações comerciais com a China emLondres, autoridades do Departamento de Comércio dos EUA consideraram impor restrições adicionaisà exportação de tecnologias críticas, como equipamentos para fabricação de semicondutores. Aproposta incluía bloquear vendas de equipamentos usados até mesmo na produção de chips comuns, oque poderia afetar profundamente cadeias de suprimentos globais e prejudicar empresas como AppliedMaterials, Lam Research e KLA. No entanto, segundo um funcionário da Casa Branca, essasrestrições foram apenas discutidas como uma medida de pressão, caso as negociações falhassem, eatualmente não estão sendo ativamente consideradas. As informações são da agência de notícias”Dow Jones”.
Durante os encontros em Londres, EUA e China concordaram em retomar uma trégua anterior,incluindo o acesso norte-americano a minerais raros chineses e a continuidade da presença deestudantes chineses em universidades dos EUA. Apesar desse acordo, a tensão persiste, com a Chinaimpondo um limite de seis meses nas vendas de terras raras para montadoras e fabricantes dos EUA,uma medida vista como possível retaliação em caso de novo agravamento do conflito comercial.
Os semicondutores permanecem no centro da disputa comercial. A produção de chips depende deequipamentos altamente especializados, dominados por empresas dos EUA, Japão e Países Baixos.Especialistas apontam que essas exportações são uma das ferramentas mais poderosas nas mãos doOcidente para conter os avanços tecnológicos da China. Enquanto isso, o governo Trump buscareforçar esse controle, inclusive com ações contra subsidiárias de empresas chinesas que constamna lista negra comercial dos EUA.
No entanto, há divergência dentro do próprio governo dos EUA. Enquanto setores de segurançanacional defendem restrições mais duras, autoridades mais voltadas ao comércio desejam preservaracordos e vendas de empresas americanas. Fabricantes de equipamentos alegam que restriçõesunilaterais prejudicam sua capacidade de investir em inovação e fortalecem concorrentesestrangeiros. A China representa cerca de 40% da receita anual de empresas como Applied Materials,Lam e KLA.
Desde 2022, os EUA vêm usando seu domínio no setor de semicondutores como arma estratégicacontra a China, política que enfrenta críticas de executivos como Jensen Huang, da Nvidia, quealerta que isso pode estimular a inovação chinesa. O governo Trump busca fortalecer parcerias comaliados, mas manter a China sob pressão. Sem novas licenças de exportação, empresas dos EUApodem perder espaço no mercado global, já que compradores estrangeiros procurariam fornecedores emoutros países.
Vanessa Zampronho / Safras News
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