[AGÊNCIA DC NEWS]. Os preços de alimentos voltaram a cair em julho, segundo a “prévia” da inflação oficial, mas o IPCA-15 teve alta em relação ao mês anterior e também sobre julho do ano passado. Com os 0,33% deste mês, acumula alta de 3,40% em 2025 e de 5,30% em 12 meses, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira (25) pelo IBGE. A aceleração “reforça um cenário de pressão de custos persistente, especialmente preocupante para setores com margens apertadas, como varejo, logística e serviços”, disse o CEO do Grupo Studio, Carlos Braga Monteiro. “Para as empresas, o momento exige máxima eficiência: gestão orçamentária rigorosa, revisão de processos e uso inteligente de diagnósticos fiscais e operacionais são diferenciais competitivos.”
Entre os nove grupos que compõem o indicador, Alimentação e Bebidas registrou a segunda queda seguida, agora de -0,06%. Segundo o IBGE, a alimentação no domicílio variou -0,40%, ante -0,24% em junho. O instituto destaca a redução de preços de produtos como batata inglesa (-10,48%), cebola (-9,08%) e arroz (-2,69%). O tomate registrou alta de 6,39%. A alimentação fora do domicílio teve comportamento oposto, com alta de 0,84% (+0,55% em junho). O lanche foi de 0,32% para 1,46% e a refeição, de 0,60% para 0,65%.
“A prévia da inflação confirma que o alívio no bolso do consumidor ainda está longe”, afirmou o CEO da Multiplike, Volnei Eyng. “O acumulado em 12 meses chegou a 5,30%, acima da meta do Banco Central, o que dificulta o cenário para a política monetária e vai afastar o início do corte de juros, que deve iniciar apenas em 2026.” Ele destaca, entre outros itens, o aumento na energia elétrica, que continua na bandeira tarifária vermelha. Com alta de 3,01% no mês, a energia elétrica residencial teve impacto de 0,12 ponto percentual na taxa geral. Houve reajustes em Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e São Paulo – e redução em uma concessionária do Rio de Janeiro.
O grupo Transportes acelerou de 0,06% para 0,67%, com destaque para passagens aéreas (19,86% e 0,11 p.p.) e transporte por aplicativo (14,55% e 0,03 p.p.). “Por outro lado, alimentos no domicílio caíram, o que ajuda a conter a alta generalizada”, disse Eyng. Ainda em Transportes, os preços dos combustíveis recuaram neste mês. No grupo Saúde e Cuidados Pessoais, o IBGE apurou alta de 0,21%, com variação média de 0,35% no plano de saúde, resultado que segundo o instituto “reflete a incorporação dos reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)”.
Para o CEO da MA7 Negócios, André Matos, o resultado “confirma que o processo de desinflação perdeu fôlego”. A inflação acumulada segue acima de 5%, índice superior ao teto da meta (4,5%). “O dado mostra uma economia ainda sujeita a choques de custo, já que a alta concentrou-se em itens administrados: tarifas de energia, água e esgoto, além de serviços de transporte urbano e passagens aéreas” afirmou Matos. “A queda pontual de alimentos atenuou o índice, mas não alterou a leitura de que pressões ligadas ao setor de serviços continuam firmes e que a autoridade monetária precisará manter a taxa básica elevada por mais tempo para ancorar expectativas.”
O IPCA e o INPC deste mês serão divulgados em 12 de agosto. Na semana que vem (29 e 30), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central volta a se reunir. A expectativa é que a taxa básica de juros (Selic) seja mantida em 15% ao ano, após sequência de sete altas. O posicionamento da política monetária é decisivo para o desempenho dos preços ao consumidor no segundo semestre.