SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As ações da Fictor Alimentos, uma das empresas do conglomerado Fictor, caem mais de 20% nesta segunda-feira (2), após a holding financeira entrar com pedido de recuperação judicial.
Por volta das 16h30, os papéis recuavam 36,84%, cotados a R$ 0,72. Na mínima do dia, chegaram a cair 41,22%, a R$ 0,77. No acumulado do ano, a queda é de 45,19%.
A Fictor Alimentos tem ações negociadas na B3, a Bolsa de Valores brasileira, desde a aquisição, em 2024, da Atom Participações. O negócio, realizado em parceria com a Conquest, permitiu a entrada da companhia na Bolsa por meio de um “IPO reverso”, em que se utiliza a estrutura de uma empresa já listada. Após a operação, a Atom foi renomeada.
O pedido de recuperação judicial da Fictor foi apresentado no domingo (1) ao TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo). Segundo a empresa, a dívida soma R$ 4 bilhões.
No pedido, a companhia solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias. De acordo com a Fictor, a medida reduziria o risco de “corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime”.
A Fictor faz parte de um conglomerado com atuação em setores como alimentos, gestão de recursos, pagamentos, energia e imóveis. Fundado em 2007, o grupo afirma ter cerca de 30 empreendimentos que somam mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).
Em novembro do ano passado, o Banco Master anunciou que seria comprado pela Fictor, um dia antes de o banco ter sua liquidação decretada. A operação foi barrada pelo Banco Central. Atualmente, o Master e outras empresas do conglomerado financeiro, como Will Bank e Letsbank, estão em processo de liquidação. À época da negociação, a Fictor previa injetar mais de R$ 3 bilhões na operação.
Antes de recorrer à Justiça para suspender processos judiciais, a empresa afirmava atravessar um período atípico, mas negava um cenário de insolvência mais ampla. Nas últimas semanas, a companhia vinha sendo alvo de questionamentos judiciais relacionados a atrasos no pagamento de dividendos a clientes.
No último dia 14, a Fictor disse que os pagamentos de investidores seriam regularizados até 12 de fevereiro e afirmou ter ficado mais exposta após a tentativa de compra do Master.
Sobre a negociação frustrada, a empresa declarou que sua reputação foi afetada por “especulações de mercado”, o que teria gerado um volume de “notícias negativas” e impactado a liquidez do grupo. Na manhã desta segunda-feira, o site da Fictor saiu do ar.