Ações fecham em forte queda, com conflito no Oriente Médio; Kospi cai 12%

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

São Paulo, 4 de março de 2026 – Os principais índices do mercado de ações asiáticofecharam o pregão desta quarta-feira em forte queda, ainda sob efeito do acirramento nas tensõesno Oriente Médio. O Kospi sul-coreano teve seu pior dia, com queda de 12% na sessão.

As perdas na bolsa de Seul superaram em muito as observadas em outras partes da Ásia, uma vezque o conflito com o Irã aumentou os riscos para economias como a da Coreia do Sul, que dependemfortemente do petróleo do Oriente Médio para suas necessidades energéticas. A Coreia do Sul é oquarto maior comprador de petróleo do mundo e cerca de 70% de suas compras provêm do OrienteMédio.

A bolsa de valores sul-coreana chegou a suspender temporariamente o pregão, quando a quedachegou a 14%. As maiores perdas foram registradas pelas peso-pesadas Samsung e SK Hynix, que juntascorrespondem a 50% do Kospi.

“A queda do Kospi pode ser amplamente atribuída à concentração em uma única empresa queobservamos nos mercados coreanos”, diz Lorraine Tan, diretora de pesquisa de ações para a Ásia daMorningstar. O índice sul-coreano vinha em sucessivas altas, justamente pela valorização do setorde semicondutores.

“Acreditamos que a queda no preço das ações é parcialmente impulsionada pela realização delucros após uma forte valorização em meio a um ambiente de aversão ao risco, mas também implicauma crescente preocupação de que o ritmo de adoção de data centers com IA possa diminuir devidoaos seus custos de energia significativamente mais altos do que os data centers convencionais”,acrescenta Tan.

O conflito no Oriente Médio adiciona mais volatilidade às economias asiáticas, e impactatambém no desempenho econômico. No caso do Japão, o PMI revisado de fevereiro do setor deserviços registrou 53,8 pontos, acima dos 53,7 de janeiro. “O setor de serviços do Japãocontinuou a se expandir a um ritmo sólido em fevereiro, com as empresas sinalizando o aumento maisrápido nas vendas em quase dois anos”, afirma Annabel Fiddes, diretora associada de economia da S&PGlobal.

Na China, os dados dos PMIs trouxeram números contraditórios. O PMI oficial do setorindustrial trouxe uma queda na atividade, e marcou 49 pontos. Já o da S&P Global trouxe uma altapara 52,1 pontos.

“O mercado provavelmente ignorará o PMI da China em fevereiro, considerado ‘ruidoso’, para seconcentrar na próxima Assembleia Popular Nacional e nos desdobramentos geopolíticos”, afirmameconomistas do Citi. Embora os PMIs de manufatura e serviços do mês passado tenham sidoligeiramente mais fracos do que o esperado, seus movimentos sequenciais foram mais resilientes doque em períodos comparáveis quando o Ano Novo Lunar ocorreu em meados de fevereiro.

Os economistas esperam que as autoridades estabeleçam uma meta de crescimento realista de 4,5%a 5%, apoiada por estímulos moderados na Assembleia Popular Nacional. “Notavelmente, a agenda depolítica interna não depende de eventos no Oriente Médio”, acrescentam os economistas.

Confira abaixo a variação e a pontuação de fechamento dos índices asiáticos:

Nikkei 225 (Tóquio): -3,61%; 54.245,54 pontosHang Seng (Hong Kong): -2,01%; 25.249,48 pontosXangai Composto (Xangai): -0,98%; 4.082,47 pontosKospi (Seul): -12,06%; 5.093,54 pontos

Vanessa Zampronho / Safras News

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