Ações fecham em queda, com escalada nas tensões no Oriente Médio

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

São Paulo, 26 de março de 2026 – Os principais índices do mercado de ações europeu fecharamo pregão desta quinta-feira em queda, com os investidores pesando os efeitos da escalada nastensões no Oriente Médio.

As ações em todo o mundo vêm reagindo às declarações de Washington e Teerã nas últimas48 horas sobre o andamento das negociações de paz. Os EUA afirmam que as conversas sobre umaproposta de plano de paz estão em curso, mas o Irã nega qualquer interação direta com Washingtonsobre o assunto.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, em uma mensagem via mídiaestatal na quarta-feira à noite que as autoridades estavam analisando uma proposta americana paraencerrar a guerra, mas afirmou que Teerã não tinha intenção de dialogar com os Estados Unidos.

Já o presidente dos EUA, Donald Trump, vem reafirmando repetidas vezes que há conversas emcurso e que o Irã quer ‘muito’ fazer um acordo.

“Enquanto autoridades dos EUA continuam apontando para canais de negociação abertos, o Irãnegou qualquer progresso e sua postura de manter o controle sobre o Estreito de Ormuz injetou novaincerteza nas perspectivas. A divergência de narrativas abalou o sentimento do mercado, revertendoparte da recente queda impulsionada pelo otimismo em torno de um possível avanço diplomático”,afirma Joseph Dahrieh, diretor gerente da Tickmill.

“A guerra no Oriente Médio provavelmente elevará a inflação, mas terá um efeito menossignificativo sobre o crescimento”, afirmam Amrut Nashikkar e Ajay Rajadhyaksha, do Barclays. Oconflito levou a um choque na oferta de energia, elevando os preços do petróleo e aumentando orisco de inflação. O crescimento global deverá ser de 3% em 2026, dizem os analistas.”Consideramos os EUA muito mais protegidos do que as economias importadoras de energia da Europa eda Ásia, em parte porque esperamos que o Federal Reserve ignore a inflação de curto prazo”,acrescentam.

O varejo na Europa pode ser particularmente afetado pelo conflito no Oriente Médio, por contada alta dos preços e uma demanda mais fraca. “Um conflito contínuo, como a manutenção dos altospreços da energia, criará pressão inflacionária sobre um consumidor que já enfrenta fortepressão inflacionária”, disse o CEO da H&M (multinacional sueca de moda), Daniel Erver.

A varejista de roupas britânica Next afirmou que poderá precisar aumentar os preços em junhoe já contabilizou 15 milhões de libras em custos extras de combustível, frete e outrosrelacionados à guerra, considerando três meses de interrupções.

“O verdadeiro risco surge mais tarde, quando começamos a ver (o impacto da guerra) no preçodos produtos manufaturados. Aí, os aumentos de preços podem não ser de 1% ou 2%, mas de 5% a10%”, diz o CEO da Next, Simon Wolfson.

“Os bancos da zona do euro têm exposição direta limitada à guerra no Oriente Médio, mas oconflito ainda pode gerar estresse sistêmico devido às vulnerabilidades interconectadas”, afirmouo vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, nesta quinta-feira.

Mas a visão sobre aumentos de juros pode variar a depender do banco e dos membros do comitê depolítica monetária. Alan Taylor, que faz parte do Banco da Inglaterra (BoE), disse que vê umobstáculo difícil para o aumento das taxas de juros e que é preferível manter os custos deempréstimo até que haja maior clareza sobre o impacto da guerra no Irã sobre a economia.

Taylor, que até o início do conflito defendia taxas de juros mais baixas, na reunião destemês votou para mantê-las inalteradas. “Dada a enorme incerteza em torno dos preços futuros daenergia e o nosso ponto de partida, atualmente vejo um obstáculo muito grande para um aumento detarifas”, afirma.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices europeus no fechamento:

FTSE-100 (Londres): -1,33%; 9.972,17 pontosDAX-30 (Frankfurt): -1,57%, 22.581,07 pontosCAC-40 (Paris): -0,74%, 7.771,52 pontosFTSE MIB (Milão): -0,71%; 43.701,84 pontosIBEX-35 (Madri): -1,21%, 16.962,90 pontosSMI-20 (Zurique): -0,60%; 12.641,96 pontosPSI-20 (Lisboa): -0,19%, 8.997,09 pontos

Vanessa Zampronho / Safras News

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