São Paulo, 9 de março de 2026 – Os principais índices do mercado de ações asiáticofecharam o pregão desta segunda-feira em queda, sob efeito do acirramento das tensões no OrienteMédio e a escalada nos preços do petróleo.
Mas os impactos foram diferentes, a depender do país. No Japão e Coreia do Sul, os índicestiveram quedas acima de 5%. Já os mercados chineses tiveram quedas menos acentuadas.
“Países com mercados de ações maiores parecem estar se saindo melhor à medida que a crise noOriente Médio se aprofunda, com a China e os EUA resistindo melhor do que a maioria”, afirma ThomasMathews, chefe de mercados da Ásia-Pacífico da Capital Economics. Segundo ele, isso reflete, emparte, sua exposição relativamente limitada às importações de energia do Oriente Médio.
“Para a economia chinesa, um iuane mais fraco também pode ter ajudado a amortecer o impacto. Noentanto, dado que os mercados chineses tendem a ter um desempenho superior durante a reunião anualda Assembleia Popular Nacional, sua resiliência pode diminuir se o conflito no Irã se prolongar”,acrescenta.
Há quem acredite que os mercados chineses se destaquem na Ásia neste período de conflito. “Osmercados chineses podem superar seus pares do Nordeste Asiático se o conflito no Oriente Médio seprolongar”, afirma o analista William Barton, do BNP Paribas. Embora o BNP Paribas ainda considereque o conflito no Oriente Médio será um evento de curto prazo, Barton observa que os mercadoschineses podem ter um desempenho superior, pois estão menos expostos ao choque do preço dopetróleo, especialmente se a demanda do consumidor fora da China for prejudicada pelos preços maisaltos da energia.
“Estamos em um período de VUCA (volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, da siglaem inglês) acentuada”, observa ele. “Mesmo que a atual situação no Oriente Médio se acalme, osinvestidores devem estar atentos à próxima fonte potencial de volatilidade, como a visita iminentede Donald Trump à China”, acrescenta Barton.
Já o mercado coreano é bastante exposto às tensões no Oriente Médio. “A Coreia do Sulparece particularmente vulnerável à disparada dos preços da energia, visto que quase 70% de suasimportações de petróleo e cerca de 16% de suas importações de gás natural liquefeito provêmdo Oriente Médio”, afirmam analistas do Barclays.
O que também foi notícia na sessão na Ásia foi a divulgação dos índices de preços aoconsumidor (CPI) e ao produtor (PPI) de fevereiro da China. Uma alta expressiva de 1% ao mês no CPIchamou a atenção dos analistas.
“A narrativa de um ‘ciclo fatal de deflação’ na China certamente parece ter envelhecido mal,já que a inflação continua a apresentar tendência de alta. O impulso de fevereiro foiparcialmente impulsionado pelo Ano Novo Lunar, mas é provável que haja mais pressãoinflacionária em março graças ao aumento dos preços do petróleo. A inflação ao longo de todoo ano de 2026 também pode ser sustentada por esforços ‘anti-involução'”, diz Lynn Song,economista chefe para a Grande China da ING.
Confira abaixo a variação e a pontuação de fechamento dos índices asiáticos:
Nikkei 225 (Tóquio): -5,20%; 52.728,72 pontosHang Seng (Hong Kong): -1,35%; 25.408,46 pontosXangai Composto (Xangai): -0,67%; 4.096,60 pontosKospi (Seul): -5,96%; 5.251,87 pontos
Vanessa Zampronho / Safras News
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