Acompanhe a cotação do dólar nesta terça-feira (6)

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar abriu próximo da estabilidade nesta terça-feira (6) com os investidores acompanhando os desdobramentos da invasão dos EUA à Venezuela e também à espera da divulgação de novos dados sobre a economia dos EUA nesta semana.

Às 9h08, a moeda norte-americana subia 0,05%, cotada a R$ 5,4077. Na segunda-feira, o dólar fechou em queda de 0,28%, cotado a R$ 5,404, e a Bolsa avançou 0,82%, a 161.869 pontos.

O dia foi pautado pela invasão dos Estados Unidos à Venezuela na madrugada do último sábado, no que foi a maior intervenção contra a América Latina em décadas.

O governo Donald Trump atacou Caracas, capital venezuelana, e capturou o ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, acusados de narcoterrorismo.

Após a prisão, em comunicado no mesmo dia, Donald Trump afirmou que EUA governarão a Venezuela até transição. Segundo ele, o petróleo venezuelano “voltará a fluir” através da exploração de empresas norte-americanas, que seguirão à frente das operações e da infraestrutura do país.

A Venezuela é dona da maior reserva de petróleo no mundo e é do grupo fundador da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), mas sua indústria foi sucateada nos últimos anos e hoje produz menos de 1% do volume global.

Ainda assim, o petróleo representa cerca de 90% das exportações da Venezuela, tendo a China como principal compradora. “Mas para a China, o petróleo venezuelano não é tão importante porque representa muito pouco do seu consumo. O país pode suprir essa falta sem dificuldade”, afirma David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo).

Zylbersztajn ainda afirma que, para a cadeia global de petróleo, é esperado que a operação dos Estados Unidos em solo venezuelano aumente a oferta da commodity mundialmente. Por outro lado, membros da Opep+ decidiram, no domingo, manter a produção estável.

A escalada de tensões impõe volatilidade para o barril do Brent, referência internacional. Após iniciar o dia em queda de mais de 1%, a commodity avançou 1,66% na Bolsa de Londres, cotado a US$ 61,76. Os preços do petróleo caíram mais de 18% em 2025—a maior queda anual desde 2020—, em meio a crescentes preocupações com o excesso de oferta.

Para as petrolíferas norte-americanas, o movimento é de alta. As ações da Chevron, a única grande empresa dos EUA que atualmente opera nos campos de petróleo da Venezuela, subiram 5%, enquanto as refinarias Phillips 66 e PBF Energy subiram 7% e 3%, respectivamente.

No Brasil, as ações da Petrobras chegaram a entrar em leilão logo nos primeiros minutos de negociação na B3. Fecharam em queda de 1,5%, na contramão do movimento do petróleo.

A queda da petroleira e das demais empresas do setor deriva da percepção de que a concorrência no mercado latino-americano vai aumentar, afirma Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, “principalmente se as empresas americanas ganharem espaço por aqui, como parece ser o plano dos EUA”.

A situação venezuelana ainda adiciona ruído à América Latina. “Não é algo que muda o fundamento do mercado brasileiro, mas aumenta a percepção de risco para a região”, diz Thiago Azevedo, sócio fundador da Guardian Capital.

Por aqui, os olhos estão voltados à divulgação dos dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de dezembro e do mercado de trabalho dos Estados Unidos, ambos na sexta-feira (9). As informações são utilizadas na antecipação da trajetória dos juros por parte do mercado financeiro.

“Até a gente voltar para a divulgação de dados econômicos e para as movimentações políticas no Brasil, a gente deve ver um mercado mais neutro, sem grande volatilidade agora no início do ano”, diz Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos.

Além disso, agentes aguardam a definição sobre quem será o sucessor de Jerome Powell como presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA).

Em 2025, o dólar acumulou queda de 11,19% em 2025, o maior recuo desde 2016, quando a moeda americana perdeu 17,8%.

Já o Ibovespa fechou o ano em alta de 33,7%, também o melhor desempenho desde 2016, quando avançou 39% num ano marcado pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff —em dólares, a variação também foi a maior em nove anos.

Segundo analistas, o forte fluxo de recursos estrangeiros para o mercados emergentes, incluindo o Brasil, deu impulso à valorização da moeda brasileira e ao Ibovespa.

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