Thiago Moreno, da Spott, sobre o mercado de carros elétricos: “O desafio de ampliar a rede de infraestrutura continua intenso”

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Thiago Moreno, do Spott, diz que plano da empresa é oferecer um serviço de 360º aos usuários
(Divulgação)
  • Empresa que conecta motoristas e pontos de recarga de automóveis teve incremento de 10 vezes a receita em 2025 e quer manter ritmo este ano
  • Próxima etapa do aplicativo, segundo o executivo, é oferecer ao usuário um raio-x do automóvel enquanto faz o abastecimento
Por Mário Sérgio Venditti

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O avanço na eletromobilidade urbana está diretamente ligado a uma infraestrutura de recarga bem distribuída, disponível e prática para o consumidor. Desde a proliferação de veículos com motores elétricos e híbridos nas ruas brasileiras, uma série de startups vem oferecendo serviços e tecnologias para tornar a jornada do usuário mais fácil e rápida. Entre elas está a Spott. Criada em 2021 com investimento de R$ 3 milhões, a empresa está se consolidando como personagem importante do ecossistema da mobilidade elétrica. “Nossa meta é atingir 150 mil condutores, número equivalente a 30% dos veículos eletrificados em circulação no Brasil”, disse Thiago Moreno, CEO da Spott, em entrevista à AGÊNCIA DC NEWS. Com a demanda em alta, o empresário afirmou que a receita da Spott cresceu 10 vezes em 2025, e deve manter o ritmo forte de aceleração este ano.

De acordo com ele, seu produto promove o “diálogo” entre o dono do automóvel elétrico e o equipamento de recarga. Uma espécie de iFood para abastecimento. A ferrmenta se torna ainda mais necessária em um mercado ainda tão pulverizado. “O mercado já está em uma fase mais madura, mas o desafio de ampliar a rede de infraestrutura continua intenso”, disse. Atualmente, o Brasil soma 670 mil veículos elétricos em circulação, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Em janeiro e fevereiro, foram vendidos 48,5 mil carros elétricos, salto de 91% sobre as 25,4 mil unidades comercializadas no primeiro bimestre de 2025.

Para atender essa demanda crescente, a Spott está se prepara para lançar seu novo app com mais funcionalidades. Pela tela do celular, o motorista terá acesso a informações como autonomia, custos e tempo da operação, de acordo com o modelo do automóvel.  Segundo Moreno, a Spott entra em uma estratégia de 360 graus, abarcando todas as fases da eletromobilidade nacional. Consegue remunerar melhor os responsáveis pele rede de recarga elétrica (CPOs), serve de interface entre o fornecimento de energia e o equipamento e cuida da gestão da frota de veículos elétricos de empresas. “O novo aplicativo é mais um passo estratégico da Spott”, afirmou o executivo, que vislumbra nova rodada de investimentos para dar continuidade à expansão da empresa, como aconteceu com os R$ 20 milhões de aporte em 2025. Confira a entrevista.

AGÊNCIA DC NEWS – No ano passado, você disse que a Spott é o iFood da recarga. Por que essa comparação com a empresa que atua no ramo de entrega de alimentos?
THIAGO MORENO – É porque levamos a energia do eletroposto “à domicílio”, ou seja, até o dono do automóvel, entrando com a aplicação do nosso software para reduzir o custo operacional de quem oferece o carregador. Por trás de uma infraestrutura de recarga eficiente deve existir uma solução inteligente para fazer a gestão perfeita entre a rede de eletropostos e o usuário. Ela serve de elo entre o fornecimento de energia e a bateria do veículo a fim de atender a demanda do consumidor. Mas queremos ir além. Ao executar uma operação perfeita, expansão estratégica e geração estruturada de demanda, a empresa busca transformar pontos de recarga em ativos rentáveis e escaláveis, apoiando seus clientes na tomada de decisão com base em dados e não em suposições. 

AGÊNCIA DC NEWS – Qual foi o faturamento da Spott em 2025 e qual é a projeção para este ano ?
THIAGO MORENO – Não falamos em números, mas posso dizer que, em 2025, nossa receita aumentou 10 vezes sobre 2024 e a expectativa é que neste ano o crescimento em relação a 2025 seja o mesmo. Em fevereiro do ano passado, tivemos um aporte de R$ 20 milhões encabeçado pelo Pátria Investimentos, com participação das empresas AC Next e Positive Ventures. Seguimos em fase de expansão e, hoje, novos investimentos podem acontecer, o que nos permitiria desenvolver e aprimorar outras soluções para deixar a recarga ainda mais prática, confiável e rentável e acelerar a participação em outros mercados da América Latina.

AGÊNCIA DC NEWS – Desde que o veículo eletrificado começou a chegar no país com mais intensidade, em 2019, muitas empresas de infraestrutura de recarga entraram nesse jogo. Há espaço para tantos concorrentes?
THIAGO MORENO – Alguns aventureiros ficaram pelo caminho e isso é natural em todos os segmentos, faz parte da seleção natural. Operadores sem tanta experiência e com trabalho mal executado também não foram longe. Por isso, uma plataforma digital de gerenciamento é tão importante quanto o próprio aparelho que realimenta a bateria. Empresas maiores absorveram startups do setor e já fomos assediados por players que desejavam adquirir nossas operações. Não aceitamos porque isso não faz sentido para nós nesse momento.

AGÊNCIA DC NEWS – Existe o risco de haver um refluxo na venda de carros elétricos e, consequentemente, no modelo de negócio das empresas envolvidas na infraestrutura de recarga?
THIAGO MORENO – Estamos diante de uma situação de migração da mobilidade urbana convencional para a eletromobilidade. É um caminho sem volta e, por isso, é preciso organizar a infraestrutura de forma escalável. Cada competidor desse segmento está se posicionando com suas estratégias e atuando com ou sem parcerias em redes de varejo, prédios comerciais e shoppings centers. Estamos sempre avaliando as áreas de demanda e, recentemente, acertamos um acordo com um banco, cujo nome ainda não posso revelar, para a instalação de 300 carregadores em uma rede de shoppings, podendo estimular o aumento do tempo de permanência do cliente no local, o consumo e o faturamento dos lojistas. Ou seja, a infraestrutura de recarga pode gerar um círculo virtuoso na economia. 

AGÊNCIA DC NEWS – O que o novo aplicativo da Spott traz de novo em relação ao anterior?
THIAGO MORENO – Queremos proporcionar uma experiência digital completa do consumidor, hoje tão importante na jornada da recarga da bateria do carro elétrico. O mercado já se encontra em uma fase mais madura, mas o desafio de ampliar a rede de infraestrutura continua intenso. O usuário está mais exigente e quer previsibilidade, quer ver respondidas perguntas como se o carregador a ser usado estará disponível na hora em que ele precisar, quanto tempo o carro ficará conectado no equipamento, qual será o custo final da sessão e se a autonomia entregue será suficiente para o trajeto seguinte. Levamos tudo isso em consideração e, agora, o sistema exclusivo de algoritmo do aplicativo mostra o tempo e o custo atrelados ao modelo do automóvel. Com essas funcionalidades, a plataforma é mais um passo estratégico para consolidar nosso posicionamento como ecossistema digital de 360 graus.

AGÊNCIA DC NEWS – Qual foi o investimento e quanto tempo levou o desenvolvimento do aplicativo?
THIAGO MORENO – Depois de entender quais eram as principais dores do consumidor brasileiro, buscamos inspiração no que o mercado europeu vem fazendo nesse sentido e ouvimos os anseios dos operadores de eletropostos do Brasil – que estão na ponta do negócio. Com o diagnóstico e informações em mãos, iniciamos o desenvolvimento em agosto do ano passado e investimos cerca de R$ 700 mil. 

AGÊNCIA DC NEWS – Quantos usuários a Spott pretende alcançar com o novo aplicativo?
THIAGO MORENO – Nossa meta é atingir 150 mil condutores, número equivalente a 30% dos veículos eletrificados em circulação no Brasil. Atualmente, a empresa conecta cerca de dois mil pontos distribuídos pelo país, efetuando cerca de oito mil recargas por dia, com índice de confiabilidade acima de 94%. Vale ressaltar que nosso trabalho também é voltado para o operador dos equipamentos de recarga. Cinquenta por cento dos eletropostos são de carga rápida (DC), que cobram, em média, R$ 1,90 o quillowat-hora. Com a utilização das nossas tecnologias, os operadores obtêm aumento médio de 15% na receita logo no primeiro mês. Além disso, cuidamos da gestão de frotas elétricas, com a adoção da ferramenta Asset Light, que promove a integração com estacionamentos e projetos de energia solar. A conexão unificada de veículos e carregadores gera de 30% a 50% de economia por quilômetro rodado, R$ 0,15 menos de manutenção preventiva por quilômetro rodado e 97% de disponibilidade dos veículos. Um dos nossos clientes é o Mercado Livre que nos contratou para a dois mil veículos responsáveis pela chamada última milha das entregas. 

AGÊNCIA DC NEWS – Qual é o próximo passado da Spott na eletromobilidade urbana brasileira?
THIAGO MORENO – Contribuir firmemente para o Brasil alcançar a marca de 80 mil postos instalados, dando suporte a operadores atuais e novos players. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o mercado brasileiro de recarga para carros elétricos já movimenta entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões por ano e tem fôlego para ultrapassar R$ 3 bilhões em 2026. Queremos estar nesse cenário em 100% do ecossistema, dando suporte no fornecimento de energia, na criação da infraestrutura de recarga, trabalhando ao lado de operadores e cuidando das frotas. 

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