SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo começou a semana em forte alta, chegou a ultrapassar US$ 106, e fechou em queda nesta segunda-feira (16) na comparação com o fechamento de sexta-feira (13). Ainda assim, o preço se manteve na casa dos três dígitos.
O barril Brent, referência mundial, alcançou a máxima diária de US$ 106,42 às 19h30 de domingo (horário de Brasília), quando era manhã na Ásia. Após a disparada na abertura, a commodity passou a cair e fechou cotada a US$ 100,84, uma queda de 2,95%. Na sexta, o contrato de maio custava US$ 103,14.
A queda foi maior no barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos Estados Unidos, que caía 3,93%, cotado a US$ 93,23, na hora do fechamento. Os mercados seguiram tendência inversa, e as principais Bolsas pelo mundo tiveram ganhos nesta segunda.
A situação no estreito de Hormuz permaneceu como foco principal dos investidores, e as exigências do presidente dos EUA, Donald Trump, por uma coalizão para ajudar a reabrir a via marítima foram descartadas por aliados históricos como Japão e Austrália, que disseram não planejar enviar embarcações para escoltar navios através do estreito.
Complicando ainda mais a situação, Trump disse ao Financial Times no domingo que esperava que a China ajudasse a desbloquear o estreito antes de sua reunião programada com o líder Xi Jinping em Pequim no final deste mês. Ele ameaçou adiar sua viagem caso os chineses não fornecessem assistência.
Em resposta ao pedido de Trump, o regime do Irã alertou outros países que, caso intervenham, haverá “uma escalada” na guerra no Oriente Médio.
“O mercado parece estar apostando em um presidente dos EUA que, no passado, demonstrou consistentemente uma tolerância relativamente baixa a movimentos adversos nos mercados financeiros”, avaliou Richard de Chazal, analista macroeconômico da William Blair.
“Há esperança de que ele decida encerrar o conflito mais cedo… antes que ocorram muitos danos econômicos internos às vésperas das importantes eleições de meio de mandato”, destacou Chazal.
A alta do petróleo desde o começo da guerra no Oriente Médio também está no centro das discussões dos principais bancos centrais. Nesta semana, o Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA), o BCE (Banco Central Europeu) e os bancos centrais do Brasil, da Austrália, do Japão, da Suíça e da Suécia se reúnem para definir as novas taxas de juros.
A expectativa é que a taxa seja cortada em 0,25 ponto percentual no Brasil, e que europeus e americanos mantenham o patamar atual.
A grande questão para as autoridades é “quanto tempo dura o conflito, (e) se o choque nos preços da energia -compensado pelo apoio fiscal- causa efeitos inflacionários de segunda ordem e, portanto, requer política monetária restritiva”, afirmou Kenneth Broux, chefe de pesquisa corporativa de câmbio e taxas do Societe Generale.
Ativos de risco como ações caíram acentuadamente desde o início da guerra, mas estavam um pouco mais estáveis nesta segunda .
Nos EUA, o retorno dos investidores para ações de tecnologia levou a altas nas principais Bolsas. Nasdaq liderou os ganhos, com alta de 1,22%, seguida pela S&P 500, com alta de 1,01%, e pela Dow Jones, com alta de 0,83%.
Todos os 11 índices setoriais do S&P 500 subiram, liderados pela tecnologia da informação, com alta de 1,39%, seguido por um ganho de 1,34% no setor de consumo discricionário.
O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou em alta de 0,45%, após iniciar o dia em queda. As outras principais Bolsas no continente seguiram a mesma trajetória e subiram em Frankfurt (0,51%), Londres (0,55%), Paris (0,31%), Madri (0,18%) e Milão (0,07%).
Na Ásia, o índice CSI300, que reúne as principais companhias em Xangai e Shenzhen, fechou em alta de 0,05%, assim como as Bolsas de Seul (1,14%), Singapura (0,55%) e Hong Kong (1,45%). Mas outros mercados caíram como Tóquio (-0,1%), Xangai (-0,26%) e Taiwan (-0,17%).
Já o ouro teve desvalorização ao longo do dia, mas fechou em leve alta de 0,04%, cotado a US$ 5.013,60.