WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – Em meio às investigações sobre o caso Epstein, o ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton concordaram, nesta segunda-feira (2), em depor na Câmara dos Representantes. Eles faltaram nas audiências que foram marcadas para o casal e afirmaram que já tinham fornecido as “poucas informações” que possuem para investigação do caso.
Pelo X, o porta-voz do casal Angel Ureña criticou a postura do republicano James Cornes, presidente do Comitê de Supervisão, que investiga as conexões entre Jeffrey Epstein e figuras poderosas nos EUA.
Ureña afirmou que o casal contou o que sabe e acrescentou que Cornes “não se importa” com isso. “Mas, o ex-presidente e a ex-secretária de Estado estarão presentes. Eles esperam estabelecer um precedente que se aplique a todos.”
O casal concordou em depor depois de o comitê ter aprovado, nas últimas semanas, duas resoluções que recomendavam que o plenário declarasse a dupla culpada por desacato criminal ao Congresso. O crime pode levar a multas de até US$ 100 mil (R$ 532 mil) ou a um ano de prisão.
Eles não compareceram às audiências a portas fechadas no Capitólio, em Washington, relacionadas ao caso de Epstein, criminoso sexual morto em 2019, que teve ampla presença em círculos de poder.
Comer tem afirmado que “ninguém está acima da lei” e que o casal Clinton tem de ter responsabilidade em seus atos. Mais cedo, antes de concordarem em depor, o republicano disse que o casal estava tentando negociar um testemunho parcial.
O ex-presidente democrata Bill Clinton apareceu em fotografias do primeiro lote disponibilizado pelo Departamento de Justiça, em 19 de dezembro.
Em janeiro, após a ausência nas audiências, o casal de políticos publicou uma carta endereçada a Comer, afirmando já ter tentado fornecer as “poucas informações” que possuíam para auxiliar na investigação e acusando o republicano de tentar desviar o foco das falhas do governo de Donald Trump, amigo de Epstein por quase 15 anos antes de uma desavença que precedeu a primeira prisão do financista, em 2006.
“Cada pessoa precisa decidir quando está pronta […] para lutar por este país, seus princípios e seu povo, não importando as consequências”, escreveram os Clinton. “Para nós, esse momento chegou.”
“Não há explicação plausível para o que o senhor [Comer] está fazendo além de política partidária”, completaram, acrescentando que esperam a denúncia por desacato. “O senhor intimou oito pessoas além de nós. Dispensou sete dessas oito sem que nenhuma delas dissesse uma única palavra. Não fez qualquer tentativa de obrigá-las a comparecer. Na verdade, desde que iniciou sua investigação no ano passado, o senhor entrevistou um total de apenas duas pessoas.”
Segundo o comitê, em julho de 2025, foi aprovado por unanimidade a intimação de dez pessoas, incluindo Bill e Hillary Clinton, para depor sobre os crimes de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell, ex-namorada do abusador. As intimações foram formalmente emitidas em 5 de agosto de 2025.
Os depoimentos de Bill e Hillary foram remarcados várias vezes, inicialmente em outubro e depois em dezembro de 2025, por diferentes justificativas. O comitê ofereceu novas datas em janeiro de 2026, mas nenhum dos dois compareceu às intimações finais.
O governo Trump está sob pressão depois que o Departamento de Justiça divulgou, em dezembro e na semana passada, uma parte dos arquivos do caso Epstein. Figura da alta sociedade nova-iorquina, ele é acusado de ter explorado sexualmente mais de mil mulheres e meninas.