Após ficar perto dos US$ 85, preço do petróleo fecha praticamente estável nesta quarta (4)

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo começou o dia próximo dos US$ 85, com uma alta de mais de 2%, acumulou oscilações ao longo do dia e encerrou a sessão desta quarta-feira (4) praticamente estável em relação ao fechamento do dia anterior.

O petróleo Brent, referência mundial, fechou a US$ 81,40 (R$ 425,74) por barril, sem variação em relação ao fechamento de terça-feira (3) e em seu nível mais alto desde janeiro de 2025.

De manhã, às 5h30, o preço teve o seu pico nesta quarta, alcançando US$ 84,47 (R$ 443,51), passou a cair e chegou a até US$ 80,32 (R$ 421,72) às 10h45, antes de voltar a subir ao longo da tarde.

Nos dois dias anteriores, o petróleo teve uma disparada em seu preço devido ao confronto no Oriente Médio e chegou a atingir US$ 85,10 na última segunda-feira (2), maior valor durante a sessão desde julho de 2024.

O barril do petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, também começou o dia em alta, chegou a cair durante a tarde, mas voltou a subir e fechou o dia em terreno positivo, com alta de 1,10%, negociado a US$ 75,38 (R$ 394,20).

O movimento ocorre em um dia que começou com a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter “controle total” da passagem marítima que liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã. Horas depois, o presidente Donald Trump disse que a Marinha dos EUA poderá escoltar navios e que ordenou o fornecimento de seguros a “preço razoável” para o transporte na região, o que parece ter acalmado os mercados.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que os mercados de petróleo bruto estão bem abastecidos no país. “Há centenas de milhões de barris armazenados em alto-mar, longe do Golfo do México. Mas, mais importante ainda, temos uma série de anúncios que faremos”, disse em entrevista à CNBC.

Empresas de navegação relatam embarcações paradas e reavaliação de rotas após ataques a petroleiros e ameaças de bloqueio. Além do risco logístico, a guerra já provoca paralisações pontuais na produção e o fechamento de infraestrutura energética no Oriente Médio, elevando o temor de uma nova crise global de energia.

Segundo analistas, a sustentação de preços acima de US$ 80 dependerá da duração e da intensidade das interrupções. Estoques estratégicos elevados em países da OCDE e na China, além de volumes expressivos em trânsito e armazenamento flutuante, funcionam como amortecedor no curto prazo.

Em cenários-base traçados por consultorias internacionais, o Brent poderia permanecer na faixa dos US$ 80 em março e recuar para a casa dos US$ 70 nos meses seguintes. Num cenário extremo, com destruição relevante de infraestrutura, não se descarta pico acima de US$ 100.

O preço do petróleo pode pressionar a inflação brasileira, mas analistas ouvidos pela Folha de S. Paulo dizem que ainda é cedo para dimensionar os efeitos. O país hoje exporta mais da metade do petróleo que produz, o que reforça a entrada de dólares e tende a melhorar receitas públicas e o saldo externo. Ao mesmo tempo, segue dependente de importações de diesel e de GLP (gás de cozinha), o que pressiona custos internos.

“O petróleo alto tem dois efeitos. Aumenta a arrecadação e a entrada de divisas, mas também pressiona os combustíveis”, afirma Décio Oddone, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis.

A defasagem no diesel já era relevante antes da nova escalada. Segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), na abertura do mercado desta terça-feira (3) o preço nas refinarias da Petrobras estava R$ 0,83 por litro abaixo da paridade de importação -patamar próximo ao observado antes do último reajuste, em janeiro de 2025.

A estatal afirma que evita repassar volatilidades momentâneas, promovendo ajustes apenas quando identifica mudança estrutural de preços. Mas, se o Brent se mantiver acima de US$ 80 por período prolongado, a pressão por reajustes tende a crescer, sobretudo no diesel, cujo mercado internacional já registra alta mais intensa que a da gasolina.

O risco maior, avaliam economistas, não é um salto imediato da inflação, mas a persistência de um petróleo elevado em um ambiente global já marcado por incertezas geopolíticas e comerciais. Em ano eleitoral, o impacto sobre combustíveis ganha dimensão política adicional.

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