[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O avanço da tecnologia começa a redesenhar a forma como brasileiros encaram a aposentadoria. Com dois terços da população com 60 anos ou mais conectados à internet, ganha força a ideia de envelhecimento mais ativo, curioso e guiado por propósito – conceito chamado Aposentadoria 5.0, criado pelo especialista em inteligência artificial e futuro do trabalho Rafael Irio. Segundo dados da PNAD Contínua, do IBGE, 66% dos idosos utilizam a internet, percentual que avançou 21,2 pontos entre 2019 e 2023. Já a pesquisa TIC Domicílios, do Cetic.br, mostra que 35% desse público usa ferramentas de inteligência artificial ao menos uma vez por mês.
Longe da ideia de inatividade, o conceito propõe uma aposentadoria mais conectada, em que a tecnologia funciona como apoio para aprender, organizar a rotina, explorar novos interesses e manter a mente ativa. “É um movimento que convida o idoso a se manter engajado, com a tecnologia atuando como copiloto”, afirmou Irio. O conceito propõe inverter a lógica tradicional do envelhecimento, que costuma atribuir papel passivo a pessoas acima dos 60.
Há um novo perfil para essa geração: ativo, curioso e guiado por propósito. Nesse contexto, a tecnologia age como aliada na ampliação da autonomia e da qualidade de vida. “A Aposentadoria 5.0 marca o fim do modelo de trabalhar, parar e descansar”, disse Irio. Para ele, esse momento “não é sobre trabalhar para sempre, mas sobre viver melhor”.
Irio argumenta que, com o aumento da expectativa de vida, a IA pode reduzir o período entre envelhecer e viver com independência. “A tecnologia deve ser usada para ampliar o cuidado, não substituir o olhar humano”, afirmou. “Ela organiza a rotina e facilita decisões, mas a sabedoria continua sendo essencial.” Assistentes virtuais já conseguem criar lembretes de medicamentos, organizar consultas e executar outras funções por meio de dispositivos como relógios e anéis inteligentes.
APRENDIZADO CONTÍNUO – O principal foco da Aposentadoria 5.0 é o aprendizado contínuo, que permite que idosos explorem novos assuntos sem precisar abrir vários links. Plataformas de IA resumem e explicam conceitos complexos e ajudam a criar projetos pessoais, estimulando a manutenção da mente ativa. Aposentados também encontram na tecnologia uma ponte para se reposicionar no mercado ou iniciar nova fase profissional.
Nesse processo, a tecnologia auxilia na atualização de currículos, no entendimento de tendências e na criação de propostas ou metodologias de consultoria e mentoria. Segundo Irio, essa migração tem se tornado mais comum e, com o avanço da IA, tende a crescer. O mercado de inteligência artificial conversacional, por exemplo, deve alcançar US$ 49,8 bilhões até 2031, o que representa crescimento de 192%, conforme relatório da Markets and Markets.
Apesar das vantagens, o especialista destaca que a convivência humana continua sendo essencial. Assistentes virtuais podem oferecer companhia e estímulo, mas não substituem vínculos afetivos ou interações presenciais. “IA é ferramenta, não afeto”, disse. “O contato social, a convivência familiar e a presença dos amigos seguem como pilares da saúde emocional.”
PROTEÇÃO DE DADOS – Irio também chama atenção para o crescimento de deepfakes e golpes baseados em clonagem de voz e vídeo, riscos especialmente sensíveis para quem não está familiarizado com a internet e com ferramentas de inteligência artificial. Ele recomenda práticas como uso de senhas fortes, autenticação em dois fatores, verificação de links e confirmação de pedidos financeiros por telefone ou pessoalmente – exercer o que chama de “inteligência de detetive”: habilidade de investigar informações e capacidade de questionar, validar e proteger dados pessoais.
O especialista afirma que no centro da Aposentadoria 5.0 está o envelhecimento como processo ativo, não destino passivo. A tecnologia atua como ponte geracional e meio para que o conhecimento acumulado ao longo da vida continue gerando impacto. “A idade não é um limite, é um diferencial”, afirmou. Ele acrescenta que a aposentadoria moderna é uma fase para explorar interesses, cultivar conexões e utilizar melhor o tempo disponível. “A tecnologia está pronta para ajudar, mas o caminho continua sendo humano.”