SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Keeta, empresa de delivery pertencente ao gigante chinês Meituan, fez cortes de funcionários nesta quarta-feira (4) no Rio de Janeiro após adiar o lançamento do serviço na cidade.
A companhia confirma as demissões, que seriam poucas em relação ao total. Afirma também que os postos de trabalho serão mantidos, porém transferidos para o estado de São Paulo, onde atua desde o fim do ano passado.
Na semana passada, quando anunciou o adiamento do lançamento na capital fluminense, a Keeta culpou os contratos de exclusividade firmados entre restaurantes e os concorrentes iFood e 99Food, que inviabilizariam a operação. À reportagem o CEO da empresa, Tony Qiu, disse que levaria a questão ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a autoridade responsável por manter a competitividade no Brasil.
“Cláusulas de exclusividade colocam em risco a livre concorrência no Brasil, não apenas no setor de delivery, mas também em diferentes indústrias, retirando a liberdade de escolha e restringindo oportunidades de geração de renda para os participantes do mercado, incluindo consumidores e parceiros comerciais”, disse a Keeta em nota nesta quarta, ao confirmar as demissões.
Para o iFood, é incorreto afirmar que o mercado de delivery carioca esteja fechado à concorrência. “Nos causa estranheza que os contratos de exclusividade estejam impactando uma determinada plataforma, sem atingir outros concorrentes que seguem investindo na cidade e expandindo suas operações”, disse o aplicativo em nota.
Uma funcionária da área comercial da Keeta no Rio, que pediu para não ser identificada, afirmou que o setor foi convocado na manhã desta quarta para uma reunião de alinhamento, mas que, ao chegar ao local, foi surpreendida com a demissão.
Segundo ela, não houve justificativa individual nem espaço para perguntas durante o anúncio. Os trabalhadores teriam sido informados de que a decisão partiu dos níveis mais altos da empresa e de que outros detalhes seriam tratados posteriormente por e-mail.
A funcionária também descreveu um ambiente de forte pressão por metas desde o início da operação no Rio. As cobranças, segundo afirmou, extrapolavam o horário de trabalho. Ela relata que recebia mensagens das 7h às 23h, com questionamentos sobre desempenho, comparações com concorrentes e exigências constantes por resultados.
O adiamento na expansão da empresa não se restringe ao Rio de Janeiro. A companhia tomou a decisão de se manter em São Paulo antes de expandir para outras regiões para se concentrar na questão regulatória, o que “inclui resolver questões estruturais que inibem a concorrência saudável no segmento de delivery brasileiro”.
A Keeta reafirma o plano, anunciado em 2025, de investir R$ 5,6 bilhões ao longo de cinco anos no país.
Na noite desta terça-feira (3), a agência de classificação de risco S&P Global anunciou o rebaixamento da nota de crédito da Meituan de A- para BBB+, citando principalmente a questão da concorrência com o Alibaba na China. É mencionada também a estratégia para o Brasil.
“Acreditamos que ela limitará a escala e o ritmo de entrada no Brasil até que seu negócio de entrega de alimentos na China se estabilize”, afirma.