Ao revisitar o ano, como sempre fazemos em dezembro, pensei em todas as ações realizadas para promover transformações no varejo e no mundo corporativo das mulheres.
Falamos muito sobre inovação, melhoria de processos e eficiência operacional, mas esquecemos que a verdadeira transformação começa na empatia. Um exemplo disso foi o projeto de criar espaços de amamentação em feiras corporativas, idealizado pelo Instituto Mulheres do Varejo, que presido.
À primeira vista, parecia algo pequeno. No entanto, somente na NaturalTech, cerca de 500 famílias utilizaram o espaço. Um espaço de amamentação não é um detalhe logístico: é um convite ao pertencimento. É a possibilidade de que mães não precisem escolher entre carreira e maternidade. É um olhar empático sobre criar ambientes onde a vida real cabe, sem pedir licença.
Antes da implementação, ouvi questionamentos como: “quem leva bebês em feiras como essa?”, ou… “mães não irão e ficaremos com o espaço sem uso”. Mas, como costumamos “hackear” o sistema, criamos uma área de rodada de negócios com um cantinho da amamentação. Se as mães não fossem, teríamos negócios realizados. No entanto, elas compareceram e o espaço se tornou um ponto de acolhimento e networking.
O impacto foi tão positivo que já confirmamos mais três espaços em feiras diferentes para 2026. Além disso, recebemos o Prêmio Marketing Strategy Women’s Legacy 2025, da Fundação Brasileira de Marketing, na categoria Diversidade e Inclusão.
Como presidente do Instituto Mulheres do Varejo, vejo diariamente que diversidade não se constrói com discursos, mas com práticas. Cada gesto conta: políticas de flexibilidade, linguagem inclusiva, espaços de cuidado.
Quando empresas olham para a experiência feminina com sensibilidade, constroem ambientes mais humanos, inovadores e sustentáveis. E isso reflete diretamente nos resultados financeiros, para aqueles que ainda não entenderam que diversidade precisa ser parte da estratégia corporativa.
Que em 2026 possamos multiplicar esses gestos porque transformar o mundo corporativo para as mulheres não exige revoluções, mas coragem para começar pelo essencial: enxergar quem está ao nosso lado.
SANDRA TAKATA
Jornalista, presidente do Instituto Mulheres do Varejo, LinkedIn Top Voice, palestrante, coordenadora e coautora do livro Mulheres do Varejo – Mulheres que Constroem a História do Varejo no Brasil.