[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O Brasil teve recorde de exportações (US$ 348,7 bilhões, +3,5%) e de importações (US$ 280,4 bilhões, +6,7%) em 2025, com saldo comercial de US$ 68,3 bilhões (-7,9%). Em ano “sob cenário internacional adverso”, como afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin. Mesmo com o número voluptoso, é preciso olhar os detalhes. As exportações cresceram com a Argentina e caíram em relação aos Estados Unidos, resultando no aumento do costumeiro déficit com aquele país. O superávit com a China foi mantido, mas encolheu. De US$ 30,8 bilhões, em 2004, para US$ 29,1 bilhões Para este ano, a expectativa do chefe da Pasta é tirar do papel o acordo Mercosul-União Europeia (UE) que, segundo ele, está em estágio avançado. “E num momento de guerras, de conflitos, de geopolítica instável e protecionismo, será o maior acordo do mundo”, disse o ministro.
As tensões geopolíticas, que aumentaram nas Américas com ação militar de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ao ditador venezuelano Nicolás Maduro, deu sequência às pressões trazidas para a região com o tarifaço norte-americano, que atingiu em cheio parte dos produtos brasileiros. E os reflexos foram sentidos na balança comercial. As vendas brasileiras para os Estados Unidos caíram 6,7%, de US$ 40,4 bilhões para US$ 37,7 bilhões. Segundo a Secex, essa queda se concentrou no período de agosto a dezembro. Apenas em outubro, a queda nas exportações foi de 35,4%. No último mês de 2025, a retração foi de 7,2%. As importações subiram 11,3% no ano passado, de US$ 40,6 bilhões para US$ 45,2 bilhões. Assim, o déficit com os Estados Unidos saltou de US$ 284 milhões, em 2024, para US$ 7,5 bilhões. Foi o maior desde 2022 (US$ 13,6 bilhões), interrompendo um breve período de redução de déficits.
Ainda de acordo com o governo, os três últimos anos registraram os melhores resultados históricos da balança comercial. Além do aumento de 3,5% em valor, em 2025 houve crescimento de 5,7% em volume. Em outubro, a Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou de 0,9% para 2,4% a estimativa para o crescimento do comércio global no ano passado. Já a projeção para 2026 passou de 1,8% para 0,5%. O superávit brasileiro (US$ 68,3 bilhões) caiu em relação ao ano anterior, mas é o terceiro maior da série histórica, atrás justamente de 2024 e 2023. “Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos”, afirmou Alckmin. Ele destacou programas governamentais como o Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano Brasil Soberano. Ainda segundo a Secretaria de Comércio Exterior, mais de 40 mercados tiveram recorde de compra de produtos brasileiros – entre eles, Canadá, Índia, Noruega, Paquistão, Paraguai, Suíça, Turquia e Uruguai.
Com a Argentina, principal parceiro sul-americano, as vendas brasileiras cresceram 31,2% e somaram US$ 18,1 bilhões, com destaque para o setor automobilístico. E as importações caíram 5,1%, para US$ 12,9 bilhões – o superávit passou de US$ 200 milhões para US$ 5,2 bilhões. As exportações para a União Europeia cresceram 3,1%, para US$ 49,8 bilhões, enquanto as importações aumentaram 6,3%, para US$ 50,3 bilhões. Foi o primeiro déficit com o bloco desde 2021. No caso da China, as exportações somaram US$ 100 bilhões crescendo em ritmo menor que as importações (US$ 70,9 bilhões) – altas de 5,9% e 11,5%, respectivamente.
Entre os setores de atividade, as exportações da indústria de transformação subiram 3,8% em valor (e 6% em volume), atingindo recorde de US$ 189 bilhões. Destaque para produtos como carnes bovina e suína, alumina, veículos para transporte de mercadorias, café torrado e máquinas e aparelhos elétricos. A indústria extrativa subiu 8% em volume, com recordes de embarque para minério de ferro (416 milhões de toneladas) e petróleo (98 milhões).