São Paulo, 8 de dezembro de 2025 – O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano)deve cortar os juros em 0,25 ponto percentual (pp) na reunião dos dias 9 e 10 de dezembro, mas adecisão não deve ser unânime. Analistas apontam visões distintas sobre o caminho da economianorte-americana por parte de membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla eminglês).
“A decisão não será unânime e provavelmente apresentará dissidências tanto em direçãohawkish quanto dovish. Na verdade, se quatro ou mais autoridades discordarem, será a primeira vezdesde 1992”, afirmam os analistas do Deutsche Bank.
“É possível que vários dirigentes votem contra um corte de 0,25 pp, enquanto ao menos um devevotar por um corte de 0,50 pp. Powell [Jerome Powell, presidente do Fed] provavelmente sinalizaráuma abordagem cautelosa para futuros cortes de juros, equilibrando preocupações sobre a fraquezana contratação com a inflação elevada”, afirmam os analistas da ANZ Research.
Um dos membros que mantém uma postura mais hawkish é a governadora Lisa Cook, que se mantémno cargo mesmo com pressões de Donald Trump para removê-la do Fed. Embora ela tenha dito que adecisão do dia 10 de dezembro esteja ‘em aberto’, “manter as taxas de juros muito altas aumenta aprobabilidade de o mercado de trabalho se deteriorar drasticamente. Por enquanto, o mercado detrabalho ‘ainda está sólido’, disse ela durante um evento na Brookings Institution.
O governador Stephen Miran é o que apresenta um posicionamento mais dovish, dizendo que cortesde 0,50 pp são mais adequados agora. Ele reitera a defesa de cortes profundos nas taxas de juros,argumentando que o bom desempenho dos mercados de ações e de crédito corporativo não é motivopara acreditar que a política monetária esteja excessivamente frouxa.
Já a presidente do Fed São Francisco, Mary Daly, ofereceu uma perspectiva mais imparcial,afirmando que considerava o corte na reunião de outubro como uma “proteção” adicional contra oenfraquecimento do mercado de trabalho e que estava “aberta” quanto à necessidade de uma medidasemelhante em dezembro.
“As declarações de membros do comitê frequentemente alinhados com as opiniões do presidentedo Fed, Jerome Powell, não indicam que o Fed esteja tentando socializar um possível adiamento emdezembro, mas confirmam que o sentimento no Comitê, de forma geral, mudou na direção deconsiderar um corte nessa reunião como menos óbvio e menos certo”, diz Krishna Guha, da EvercoreISI.
Três grandes bancos norte-americanos (Morgan Stanley, JPMorgan e Bank of America) tambémapostam em um corte de 0,25 pp. O Morgan Stanley mudou seu posicionamento recentemente, por conta dedados mais fracos da economia dos EUA.
“Parece que nos precipitamos”, disseram estrategistas do Morgan Stanley. “Esperamosdissidências, e o presidente Powell provavelmente trocará o corte por mudanças na linguagem dadeclaração que sinalizem que cortes futuros terão critérios mais rigorosos.”
“Esperamos que o presidente Powell sinalize que a fase de recalibração da política monetáriaestá agora concluída. Quaisquer ajustes adicionais serão considerados caso a caso, reunião porreunião, e orientados pelos dados que forem divulgados”, afirmaram os analistas.
Vanessa Zampronho / Safras News
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