SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Após novas provas do caso Jeffrey Epstein virem à tona, Bill Gates, o dono da Microsoft, disse se arrepender “de cada minuto” que passou com o criminoso sexual.
Gates afirmou que nunca visitou a ilha de Epstein. Em entrevista exclusiva hoje ao canal australiano 9 News, o empresário disse que conheceu o bilionário em 2011 e que estiveram juntos para jantares várias vezes ao longo de três anos.
O dono da Microsoft alega que o foco dos encontros era sempre o mesmo. Gates argumenta que Epstein conhecia muitas pessoas e que dizia que poderia convencê-las a doar dinheiro para a saúde global -um tema que se debruçou ao longo dos anos com a Fundação Gates.
Gates diz que a relação foi um erro, mas se defende das acusações de associação de abuso e tráfico sexual. “Fui tolo em passar tempo com ele. Sou uma das muitas pessoas que se arrependem de tê-lo conhecido. Quanto mais informações vierem à tona, mais claro ficará que, embora aquele período tenha sido um erro, não tenho nada a ver com esse tipo de comportamento.”
Nos documentos revelados, Epstein alegou que Gates teve relações extraconjugais. O criminoso escreveu em um rascunho de e-mail que sua relação com o fundador da Microsoft incluiu “ajudá-lo a conseguir drogas para lidar com as consequências de seus encontros sexuais com mulheres russas, até facilitar encontros ilícitos com mulheres casadas”.
Gates negou essa acusação e chamou o e-mail de falso. “Aparentemente, Jeffrey escreveu um e-mail para si mesmo. Esse e-mail nunca foi enviado”, disse ele. “Não sei o que se passava na cabeça dele. Será que ele estava tentando me atacar de alguma forma? Arrependo-me de cada minuto que passei com ele e peço desculpas por isso.”
NOVOS ARQUIVOS LIBERADOS
Após pressão e atraso, o Departamento de Justiça dos EUA publicou mais de três milhões de páginas de arquivos do caso Epstein. Os documentos, liberados pelo órgão no último dia 30, incluem milhares de fotos e vídeos, alguns registrados pelo próprio bilionário condenado por crimes sexuais. A publicação dos arquivos era esperada até o dia 19 de janeiro, o que não ocorreu.
Inicialmente, Trump tentou impedir a divulgação dos documentos. Mas, pressionado pelo Congresso, por membros do próprio partido e pela opinião pública, ele finalmente cedeu e assinou, em novembro passado, a lei que obriga a publicação do material.
SOBRE O CASO JEFFREY EPSTEIN
Epstein foi preso pela primeira vez em 2008, quando foi sentenciado a 13 meses de prisão. Na época, os pais de uma menina de 14 anos denunciaram à polícia que o empresário havia abusado sexualmente da garota em sua mansão. Outras possíveis vítimas foram descobertas e foram encontradas fotos de meninas na casa dele.
Ele se livrou de pegar prisão perpétua. O bilionário fechou um polêmico acordo que o livrou de ficar encarcerado pelo resto da vida e fez com que ele fosse registrado na lista federal de criminosos sexuais. Enquanto preso, podia sair para trabalhar seis dias por semana.
Epstein voltou a ser preso em 2019 acusado de tráfico sexual. Ele foi denunciado por traficar dezenas de meninas, de explorá-las e abusá-las sexualmente. Desse caso, o bilionário se declarou inocente e sempre negou as acusações. Após um mês na cadeia, ele foi encontrado morto na cela, aos 66 anos. A causa da morte divulgada oficialmente foi suicídio.
Trechos de documentos do caso Epstein divulgados na imprensa revelaram que famosos e políticos participaram das polêmicas festas do empresário. Personalidades como Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz, Cate Blanchett, Bruce Willis, Kevin Spacey, George Lucas e Naomi Campbell foram citados, além de Trump e Bill Clinton, mas nenhum deles recebeu acusações formais por crimes até aqui.