RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) já aprovou R$ 1,3 bilhão de uma linha de crédito voltada para a renovação da frota de caminhões no Brasil, de acordo com informações divulgadas pela instituição pública nesta segunda-feira (2).
A iniciativa faz parte de um programa anunciado em dezembro pelo governo Lula (PT). O orçamento total é de R$ 10 bilhões, o que inclui R$ 4 bilhões em recursos captados pelo banco e R$ 6 bilhões injetados pelo Tesouro Nacional.
Com isso, as taxas de juros ficam entre 13% e 14% ao ano, abaixo da taxa média para a venda de caminhões, que gira em torno de 22%. Os empréstimos do BNDES são repassados por bancos parceiros.
A promessa da instituição é apoiar a compra de caminhões novos, mais eficientes e menos poluentes, e seminovos que respeitem requisitos ambientais e que sejam fabricados a partir de 2012.
Conforme o BNDES, o programa anunciado atendeu até o momento caminhoneiros autônomos, cooperados e empresas transportadoras de 532 municípios. A instituição contabilizou 1.152 operações em janeiro, com ticket médio de R$ 1,1 milhão.
O banco afirmou que o programa busca ampliar a oferta de crédito para apoiar a retomada da indústria nacional de caminhões. O prazo de pagamento dos empréstimos é de até 60 meses (cinco anos), com carência de até seis meses. O valor máximo de financiamento é de R$ 50 milhões por beneficiário.
Do total de recursos disponíveis, uma parcela de R$ 1 bilhão está reservada para transportadores autônomos e pessoas físicas ligadas a cooperativas, o que, segundo o BNDES, reforça “o caráter social e inclusivo da iniciativa”.
O governo Lula (PT) defende uma atuação fortalecida do banco no financiamento a diferentes setores da economia. A posição, contudo, é vista com ressalvas por uma ala de economistas que teme um inchaço das operações e uma eventual reciclagem de ideias de outros mandatos do PT.
A direção do BNDES rebateu as críticas em mais de uma ocasião, dizendo que aposta em áreas consideradas estratégicas, como energia limpa e inovação.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso após julgamento da tentativa de golpe de Estado, já encontrou forte apoio entre os caminhoneiros. Na política, a linha de crédito é vista como aceno de Lula à categoria às vésperas das eleições de 2026.
O argumento de defensores da medida é que o setor enfrenta uma desaceleração abrupta, com risco de impacto nos postos de trabalho.
Em setembro de 2025, a Folha noticiou que empresas estavam preocupadas com a falta de motoristas. A avaliação do setor era que os trabalhadores estavam envelhecendo e que havia dificuldade para atrair jovens.
Em nota sobre a linha de crédito, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, declarou que o governo “está garantindo mais segurança nas estradas, reduzindo o impacto ao meio ambiente e dando um grande impulso à indústria nacional”.
“Caminhoneiros, cooperados e empresas transportadoras têm agora condições mais competitivas para trocar veículos antigos e mais poluentes por caminhões novos ou seminovos, mais seguros e eficientes”, acrescentou.
No mesmo comunicado, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que o programa “acerta” com um modelo de renovação de frota “moderno e efetivo”.