[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Em relatório divulgado na terça-feira (3) – já levando em conta o ambiente externo mais incerto após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã – o Bradesco mantém a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 1,5% e IPCA (3,8%) dentro da meta. Segundo a instituição, “por ora, tratamos esse choque como um fator de volatilidade, mas sem alterar o cenário-base”. O Comitê de Política Monetária (Copom) faz sua segunda reunião do ano daqui a duas semanas, nos dias 17 e 18, para decidir sobre a Selic, hoje em 15% ao ano.
Para o banco, o resultado do PIB do quarto trimestre de 2025 reforçou a leitura de estabilidade na segunda metade do ano passado. “A demanda doméstica perdeu fôlego, consumo e investimentos arrefeceram e setores mais cíclicos mostraram perda de tração.” Em resumo, segundo o Bradesco, o país encerrou 2025 com “menor impulso e marcha mais lenta”. O relatório, intitulado Cenário Econômico Bradesco, é assinado pelo economista-chefe do banco, Fernando Honorato Barbosa.
Em relação aos primeiros indicadores de 2026, a partir de sondagens empresariais, o Bradesco afirma que o PIB do primeiro trimestre pode apresentar desempenho mais forte por fatores metodológicos e pela agropecuária, “mas sem mudança estrutural de tendência”. O banco diz que “os dados iniciais não autorizam grande euforia”, apesar de alguma aceleração na indústria, nos serviços e no emprego.

CRÉDITO – A confiança de consumidores beneficiados pela desoneração do IRPF recuou no início do ano, sugerindo impacto limitado sobre a demanda agregada. O banco afirma ainda que o crédito segue como vetor relevante. As concessões cresceram em janeiro. “Mas parte do avanço concentrou-se em linhas emergenciais, como rotativo e cheque especial, recomendando cautela.”
De toda forma, segundo a instituição, caso o ritmo se mantenha com composição mais saudável, o crédito pode surpreender positivamente e elevar o PIB. O que pode atrapalhar é o endividamento elevado, apesar de a inadimplência ter mostrado piora apenas marginal.
No cenário inflacionário, a combinação de atividade mais fraca, apreciação cambial e inflação global contida tem favorecido o recuo do IPCA. Por isso a expectativa é de convergência em direção à meta (3%) ao longo do ano. Segundo o banco, o item Alimentos deve seguir relativamente comportado, Bens Industriais continuam beneficiados por câmbio apreciado e Serviços tendem a desacelerar.
SELIC – Na política monetária, o Bradesco projeta Selic em 12% ao fim de 2026 e afirma que se o câmbio permanecer no patamar atual e a inflação seguir comportamento benigno, “há espaço para discutir uma taxa um pouco mais baixa, se aproximando de 11%”. No ambiente externo, segundo a instituição o Federal Reserve (EUA) deve manter postura cautelosa no curto prazo, diante de incertezas geopolíticas e transição de liderança.
Evidentemente, para o Bradesco os desdobramentos do conflito no Oriente Médio adicionam riscos relevantes ao cenário global. “Se prolongado, com efeitos sobre rotas de petróleo, pode gerar choque de oferta, elevar inflação e reduzir o PIB global.” No cenário-base, porém, o crescimento internacional permanece, sustentado por estímulos fiscais e investimentos em tecnologia. “Seguimos apostando em crescimento resiliente em 2026”, afirmou o banco em seu relatório.