RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A produção nacional de petróleo bateu recorde em 2025, chegando a 3,77 milhões de barris por dia. O volume é 12,3% superior ao recorde anterior, de 2023, segundo informou nesta segunda-feira (2) a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).
O desempenho reflete a entrada em operação de grandes plataformas do pré-sal. Também houve recorde na produção de gás natural, que chegou a 179 milhões de metros cúbicos por dia. Nem todo esse gás, porém, chega ao continente.
O crescimento acelerado da produção de petróleo permitiu que a commodity liderasse a pauta de exportações brasileiras pelo segundo ano consecutivo em 2025, com vendas de US$ 44,6 bilhões durante o ano.
Segundo a ANP, o pré-sal respondeu por 79,63% da produção nacional de petróleo e gás em 2025. Apenas três campos -Tupi, Búzios e Mero- responderam por 56,27% da produção de petróleo. Os três estão localizados no litoral do Rio de Janeiro, o que leva a grande concentração da renda do setor.
Em dezembro, segundo a ANP, a Petrobras ficou com pouco menos de dois terços da produção total. A segunda maior produtora foi a Shell, com pouco mais de 10%. Sócia compulsória em campos do pré-sal, a estatal PPSA (Pré-Sal Petróleo SA) aparece na quarta posição.
A corrida por maior produção de petróleo é questionada por organizações ambientalistas, que pedem que o governo estabeleça patamares mínimos de produção em sua proposta de mapa do caminho para reduzir o uso de combustíveis fósseis.
Eles argumentam que o Brasil pode evitar a abertura de novas fronteiras exploratórias, como a bacia da Foz do Amazonas, se usar as reservas já descobertas de forma menos acelerada. A ideia seria manter essas reservas apenas para garantir o consumo interno de setores de difícil descarbonização.
Mantendo o ritmo atual de produção, a Petrobras tem reservas de petróleo para quase 13 anos. A estatal tem conseguido repor suas reservas com folga nos últimos anos, mesmo sem abrir novas fronteiras: em 2025, descobriu 1,7 barril novo para cada barril que produziu.
A área energética do governo e a indústria do petróleo, por outro lado, argumentam que o país não pode abrir mão da riqueza do petróleo e precisa buscar novas áreas de exploração para suprir o declínio das reservas do pré-sal, esperado para a primeira metade da próxima década.