SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O CEO do Santander Brasil, Mario Leão, defende a mudança nas regras no FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para evitar que um novo Banco Master surja no Brasil -o banco de Daniel Vorcaro usou as garantias do fundo aos seus CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) como propaganda para se financiar.
“Esse é um diálogo bastante frequente dos bancos com o FGC e o regulador. O país não deveria aceitar que um novo Banco Master possa acontecer”, afirmou Leão ao comentar os resultados do Santander, nesta quarta-feira (4).
Segundo o executivo, o Santander tem liquidez o suficiente para arcar tranquilamente com o adiantamento de contribuições ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito), tido como necessário pelo mercado para recapitalizar o fundo, após o pagamento de garantias aos investidores do Banco Master. De acordo com o executivo, o Santander corresponde a cerca de 10% dos depósitos do FGC.
RESULTADO DO SANTANDER EM 2025
O Santander Brasil teve um lucro líquido gerencial de R$ 15,615 bilhões em 2025, divulgou o banco nesta quarta. O valor representa uma alta de 12,6% em relação ao resultado de 2024 e ficou perto do esperado pelo mercado -analistas consultados pela Bloomberg previam um ganho de R$ 15,58 bilhões.
Apesar de o lucro vir em linha com o previsto, as ações do banco operam com viés negativo. Por volta das 15h15, os papéis do Santander recuam cerca de 3,3%, enquanto o Ibovespa cai 2,5%.
Segundo analistas, a receita do banco foi pior do que o esperado, puxada pela margem com o mercado negativa no últimos três trimestres, somando uma perda de R$ 3,5 bilhões.
“O desempenho mais fraco da margem financeira, influenciado por fatores de mercado, afetou a qualidade do resultado operacional”, diz Joao Abdouni, analista da Levante Inside Corp.
De acordo com o Santander, houve um impacto negativo à taxa de juros e resultados menores da tesouraria.
Abdouni também destaca o crescimento da inadimplência como um fator negativo para o banco. As contas em atraso por mais de 90 dias aumentaram, indo de 3,4% em setembro para 3,7% em dezembro. Há um ano, o índice estava em 3,2%.
“No geral, os resultados parecem mais estáveis em termos de receitas e rentabilidade, embora a postura ainda cautelosa em meio a um ambiente desafiador possa limitar novas expansões do ROE [rentabilidade] no curto prazo”, escreveram analistas do Citi em relatório
Já a rentabilidade do banco mensurada pelo ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio) teve alta de 1,2 ponto percentual em relação a 2024, indo a 17,2%.
“Os resultados do Santander revelam dificuldades em acelerar a lucratividade operacional, com o aumento da inadimplência sendo o principal detrator das ações”, diz João Pedro Moreno, analista de renda variável da Nexgen Capital.
No balanço, o banco disse que segue priorizando ativos de maior qualidade. A carteira de crédito somou R$ 708 bilhões ao fim de dezembro, um crescimento de 3,7% no ano. Ela foi puxada pelos portfólios de cartão de crédito (13,4%), financiamento ao consumo (13%) e pequenas e médias empresas (13%).
“Continuamos na direção de construir 20% de ROAE, o que não será no próximo trimestre e sim no médio prazo”, disse Leão, CEO do banco ao comentar os resultados.
A PDD (provisão contra devedores duvidosos), ou seja, a proteção contra calotes, somou R$ 25,88 bilhões, um crescimento anual de 8,9%.
A margem financeira, por sua vez, somou R$ 61,858 bilhões em 2025, um ganho anual de 1,8%.
“Vamos terminar 2026 em um nível de portfólio ainda mais saudável do que temos agora”, afirmou Leão.
O executivo afirmou que a estratégia da instituição segue focar alta renda e pequenas e médias emrpesas, em detrimento da baixa renda, mais arriscada.
“Realmente escolhemos, há algum tempo, que queremos crescer desproporcionalmente na alta renda e reduzir a baixa renda, de modo que o nosso portfólio de baixa renda fique do tamanho e com a qualidade ideais no médio e longo prazo, mas ainda não estamos lá”, afirmou Leão.
O Santander Brasil é o primeiro banco brasileiro a reportar os números de 2025. Nesta quarta à noite, será a vez do Itaú.
MERCADO DE CAPITAIS
Leão se diz otimista com o mercado financeiro local em 2026, e vê potenciais ofertas de ações a partir do segundo trimestre. Para o executivo, o forte fluxo estrangeiro na Bolsa é um ótimo sinal, mas ainda é pouco perto do potencial do Brasil.
O volume aportado por investidores estrangeiros na B3 em janeiro deste ano superou a soma total do ano de 2025. O saldo líquido, incluindo follow-ons (novas ofertas de ações), foi de R$ 26,47 bilhões praticamente equivalente ao saldo de 2025, quando a soma foi de R$ 26,87 bilhões, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.
“Poderia ser bem mais porque o mundo está passando por uma grande rotação de portfólio, com fluxo saindo dos Estados Unidos e o Brasil só pode se beneficiar porque tem fundamentos. É um país democrático com demografia forte”, disse o CEO.
Segundo o executivo, o desempenho positivo da Bolsa mesmo em ano eleitoral é um sinal de maturidade do país.
“A eleição não é tão tão central no debate investimento. Eu acho super produtivo, na verdade. Mostra que nós vamos ter um novo presidente ou um novo mandato do atual, mas o Brasil é maior em qualquer cenário.”
RAIO-X SANTANDER BRASIL | 2025
Lucro líquido: R$ 15,6 bilhões
ROAE: 17,2%
Funcionários: 49.661
Agências e pontos de atendimento: 1.685
Clientes: 73,9 milhões
Fundação: em atividade no mercado local desde 1982
Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Nubank