BRB estuda vender fatias de diferentes subsidiárias em plano de capitalização

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O BRB (Banco de Brasília) analisa a possibilidade de vender participações minoritárias em diferentes subsidiárias do conglomerado. O objetivo é levantar recursos para enfrentar os problemas financeiros surgidos após prejuízos em operações com o Banco Master.

A eventual venda de fatias dessas empresas é relatada por três pessoas com conhecimento do assunto. De acordo com uma delas, o banco concluiu de maneira preliminar haver potencial de negócios em ao menos três controladas: as divisões financeira, de cartões e de serviços.

Segundo outra pessoa, um representante do banco ouvido nesta quarta-feira (25), há propostas para mais de uma empresa do conglomerado -mas em especial para a Financeira BRB, que tem como produtos principais o crédito consignado e o financiamento de veículos.

A controlada tem 1,6 milhão de clientes (de acordo com o balanço do primeiro semestre de 2025, o mais recente disponível), o que representou um aumento de 316% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo o banco, o crescimento foi favorecido pela expansão do crédito consignado.

O tema foi levado a representantes do Banco Central em reuniões recentes. Na avaliação de um interlocutor a par das tratativas, a alternativa apresentada pelo BRB se mostra viável economicamente, mas dependerá do valor de oferta do mercado. Além disso, ele considera que essa solução sozinha não resolve o problema do banco do Distrito Federal.

De acordo com representantes do BRB, não está sendo considerada a venda integral das companhias. A ideia é colocar em prática a venda de uma participação minoritária, de até 49% de cada subsidiária negociada.

O entendimento interno é que essas são empresas saudáveis e que geram faturamento. Portanto, elas reuniriam condições de compor o conjunto de ações lançadas para melhorar a situação do BRB.

A subsidiária de cartões, BRB Card, administra e processa transações de pagamento e saques cartões pré ou pós-pagos, além de credenciar recebedores para aceitação dos instrumentos de pagamento. Um de seus produtos, o cartão Dux, é referência entre os cartões de crédito de alta renda, e se tornou nos últimos anos um dos produtos mais desejados no mercado premium brasileiro.

A BRB Serviços, por sua vez, faz cobranças, recuperação de crédito, multas e dívidas em geral para empresas e órgãos da administração pública, além de avaliação e leilão de bens e serviços de atendimento a clientes.

No início do mês, o BRB apresentou ao BC diversas alternativas para capitalização: a venda de carteiras de crédito de boa qualidade do Banco Master, um empréstimo com um consórcio de bancos, um empréstimo com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e a criação de um fundo imobiliário com ativos do acionista controlador, o governo do DF.

O BRB tem um prazo de até 180 dias para implementar as ações apresentadas. Segundo relato feito à reportagem, as soluções de mercado são encorajadas pelo próprio BC. As carteiras de crédito originadas pelo BRB são vistas como oportunidade de negócio por algumas instituições financeiras, como a Caixa Econômica Federal.

O presidente do conselho de administração da Caixa e secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou nesta quarta que o banco federal está acompanhando a situação do BRB. Ele citou, inclusive, que há uma análise sobre uma possível oportunidade de negócio com uma eventual transação.

“Como qualquer instituição financeira há um acompanhamento da situação, preocupação com o que está acontecendo e até um olhar sobre uma eventual oportunidade de negócio, […] Mas no momento não há nada [concreto]”, afirmou.

Nesta quarta, o BRB propôs a seus acionistas um aporte de até R$ 8,86 bilhões para capitalizar o banco após prejuízo com ativos do Master. É o teto sugerido para aumento de capital social em proposta a ser votada em assembleia extraordinária no dia 18 de março.

A deliberação está condicionada à aprovação do projeto de lei apresentado pelo governo de Ibaneis Rocha (MDB), acionista controlador do banco, à Câmara Legislativa do Distrito Federal. O texto autoriza ao Executivo distrital a adoção de medidas destinadas à “recomposição, reforço ou ampliação do patrimônio líquido e do capital social” do banco.

Na última versão da proposta, apresentada nesta terça (24), está previsto um limite de R$ 6,6 bilhões para operações de crédito com o FGC ou com instituições financeiras.

A proposta também traz uma lista de nove imóveis que poderão ser vendidos, transferidos, usados como garantia em empréstimos ou na estruturação de fundos de investimento imobiliário. De acordo com o projeto, a alienação ou a exploração econômica das propriedades poderá ser realizada diretamente pelo DF ou pelo próprio BRB.

Em nota, a Secretaria de Economia afirmou que o BRB segue negociando soluções no mercado. “O envio do projeto demonstra que o GDF está disposto a colaborar na construção de alternativas que assegurem a estabilidade e a continuidade das atividades da instituição”, disse.

“Como acionista controlador, o Distrito Federal tem o dever de zelar pela solidez patrimonial da instituição e assegurar o cumprimento dos requisitos prudenciais”, acrescentou.

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