BRB propõe ao Banco Central venda de carteiras de crédito compradas do Master

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O BRB (Banco de Brasília) quer vender carteiras de crédito de boa qualidade do Banco Master para recompor perdas com a operação frustrada com a instituição de Daniel Vorcaro.

Essa foi uma de quatro medidas apresentadas à autoridade monetária nesta sexta-feira (6) pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, para o plano de capitalização da instituição, ante a necessidade de aporte, estimado em R$ 5 bilhões.

A proposta é considerada uma solução de mercado e já conta com quatro instituições financeiras interessadas em adquirir essas carteiras. Uma delas já teria feito uma proposta firme, segundo pessoas a par do tema.

A venda desses ativos via uma solução de mercado, de acordo com um integrante do BRB, faria com que não fosse mais necessário o aporte de capital no banco, exigido pelo BC para recompor eventuais perdas com a aquisição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro adquiridas do Master. O banco público devolveu essas carteiras e recebeu de volta cerca de R$ 10 bilhões do dono do Master.

O BRB também apresentou ao BC outras três propostas: um empréstimo com um consórcio de bancos, um empréstimo com o próprio FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e a criação de um fundo imobiliário com ativos do acionista controlador, o governo do Distrito Federal.

O FGC, no entanto, está jogando duro nas negociações com o BRB para aceitar a concessão de uma linha de empréstimo emergencial de socorro ao BRB. Formado por recursos repassados pelas instituições financeiras, o fundo quer ver as garantias apresentadas pelo banco do governo do Distrito Federal na análise do pleito.

Por essa razão, o BRB está procurando uma solução de mercado. As conversas com o FGC estão acontecendo, mas não houve até agora um pedido formal, segundo pessoas a par do tema ouvidas pela Folha. Uma dessas pessoas disse, na condição de anonimato, que o FGC só vai se engajar no socorro ao BRB se a operação fizer sentido para o fundo. Ela comparou a negociação a um tango em que os dois bailarinos precisam dançar juntos.

Uma das possibilidades em análise é fazer um mix de opções entre uma solução que envolva um empréstimo e a venda de ativos do BRB que eram do Master. Alguns desses ativos têm fluxo financeiro, mas estão nas mãos do liquidante do Master.

Após a reunião no Banco Central, o BRB divulgou uma nota em que diz que eventuais valores só serão definidos após o fim das investigações. A instituição afirma que o documento entregue ao BC apresenta “um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro”.

O secretário de Economia do DF, Daniel Izaias, também participou da reunião no BC —em um sinal de “reforço”, segundo a nota do BRB, do compromisso do governo de Brasília “com as medidas apresentadas e com a solidez do banco”.

“O BRB destaca que eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento. Elaborado para garantir a sustentabilidade da instituição, o plano fortalece o capital institucional e assegura a estabilidade das operações”, diz o BRB.

“O banco reafirma seu compromisso com a transparência, com a proteção de clientes, investidores e parceiros, e com a adoção de todas as medidas necessárias para preservar a integridade e a continuidade de suas atividades”, conclui.

Nelson também apresentou o plano ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), nesta quinta-feira (5). Segundo relatos, Ibaneis pediu para que o presidente do BRB desse atenção ao chamado Centrad, prédio fechado há 12 anos que foi construído para alocar a sede do governo local.

Assim que chegou ao governo, em 2019, Ibaneis prometeu que iria ocupar o local em até três meses —o que nunca foi feito. Usar a construção, assim, seria uma forma de reforçar o BRB e, ao mesmo tempo, minimizar o desgaste político durante as eleições pelo fato de a promessa ter sido descumprida.

Pessoas a par da operação afirmam que o BRB também conseguiu vender R$ 5 bilhões em ativos próprios para grandes bancos nas últimas semanas para reforçar o caixa e atender à liquidez diária de recursos que são sacados do banco. A maior parte desses ativos vendidos é de carteiras de crédito que foram originadas pelo próprio BRB.

Como mostrou a Folha, o BC já determinou que o BRB reserve R$ 2,6 bilhões para cobrir eventuais prejuízos. Em depoimento à Polícia Federal, em dezembro, o diretor de Fiscalização do BC, Aílton de Aquino, afirmou que o banco pode precisar de um valor ainda maior diante da baixa qualidade dos ativos recebidos do Master.

Como parte das medidas deve passar pela Câmara Legislativa, Nelson pretende procurar os deputados distritais que integram a base de Ibaneis para explicar o plano de ação. A agenda deve ocorrer após o Carnaval.

Voltar ao topo