BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O BRB (Banco de Brasília) vai contratar nos próximos dias uma empresa para a recuperação de ativos na tentativa de compensar eventuais perdas com a compra de carteiras de crédito consignado fraudulentas do Banco Master.
O escritório Machado Meyer Advogados e a Kroll Brasil apresentam ainda nesta semana um relatório preliminar com o mapeamento da intrincada cadeia de fundos de investimento ligados a Daniel Vorcaro, dono do Master, que têm relação com o BRB.
As duas empresas já foram contratadas pelo banco do governo do Distrito Federal para fazer uma investigação independente (auditoria forense) sobre irregularidades nos negócios com o Master. Esse tipo de auditoria se concentra na investigação, quantificação de danos e identificação dos autores.
É feita uma investigação contábil especializada para detectar provas das fraudes e os crimes financeiros. O trabalho de investigação inclui os fundos que passaram a ser sócios de uma parcela considerável do banco do Distrito Federal.
Os investigadores já detectaram achados importantes sobre a sobreposição de fundos que estão no conglomerado BRB e no Master, de acordo com pessoas a par do tema ouvidas pela reportagem.
Como revelou a Folha, o BRB tem participação em oito fundos de investimento que aparecem no esquema de fraudes do banco de Vorcaro. Os fundos Cartago, CMX Realty III, Jeitto, Kyra, Strelitzia, Supreme Realty, Tessalia e Texas I são listados pelo Banco Central como parte do conglomerado do BRB.
Os investimentos do banco de Brasília nesses fundos mostram um tipo de ligação até então desconhecido entre o BRB e o banco de Vorcaro, liquidado em novembro pelo Banco Central. Alguns desses fundos foram entregues ao BRB para compensar parte das perdas que o banco estatal teve com a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito podres do Master.
O BRB também não descarta pedir o arresto (medida judicial preventiva que visa à apreensão de bens de um devedor) de ações do próprio banco que estão em posse dos fundos com ligação com Vorcaro. Entre eles, o Borneo, administrado pela gestora Reag, e o Deneb, administrados pela Master Corretora, que compraram participação no BRB.
Segundo um integrante do banco do DF, existem mecanismos jurídicos que permitem o arresto dessas ações para a tesouraria da instituição como um mecanismo para garantir a cobertura de eventuais prejuízos com a compra de carteiras de crédito sem lastro real.
Na operação de devolução das carteiras fraudadas, o BRB recebeu de Vorcaro R$ 10 bilhões de ativos do Master, que estão sendo auditados, faltando em valores atuais R$ 2,6 bilhões.
O Banco Central já cobrou que o BRB faça uma provisão (reconhecimento contábil no seu balanço de um passivo, que pode representar uma despesa futura) desse valor para cobrir a perda.
A auditoria independente foi contratada pelo novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, que assumiu o comando do banco após Paulo Henrique Costa ser afastado, em novembro do ano passado, no dia da liquidação do Master pelo Banco Central. Sob Costa, o BRB havia feito uma oferta para comprar o Master, que foi rejeitada pelo BC.
Os auditores estão fazendo um pente-fino na gestão de Paulo Henrique Costa e na relação dele com o ex-presidente do Conselho de Administração do BRB, Marcelo Talarico. A interlocutores, Costa tem afirmado que o BRB vai ganhar dinheiro com as carteiras adquiridas do Master, e que o pedido de provisão determinado pelo BC é feito por prudência e não significa perda.
Foi na gestão de Costa que o BRB fez a compra das carteiras com fraudes.