[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A Ambev, uma das maiores fabricantes de cervejas e bebidas não alcoólicas do mundo, cujas ações são negociadas em Nova York (NYSE) e na B3, do Brasil, ABEV e ABEV3, respectivamente, iniciou uma mudança relevante de estratégia no mercado, disse o BTG, em um de seus relatórios. Em 2025, a companhia passou a priorizar a preservação de margens e rentabilidade, em resposta ao aumento de custos, ao ambiente de juros elevados e ao consumo mais pressionado das famílias. Apesar da movimentação da Ambev, que caminha para estruturar seu caixa, o banco manteve recomendação neutra para as ações da empresa.
Segundo os analistas do BTG, a mudança representa uma inflexão importante na condução dos negócios. “A Ambev busca agora uma estratégia mais equilibrada entre faturamento e lucratividade”, afirmou o relatório. A leitura do banco é que o quarto trimestre de 2025 marca a consolidação desse novo direcionamento, o que deve ser visto em seu balanço, cuja divulgação será em 12 de fevereiro. Segundo o relatório, um dos principais sinais dessa virada foi a decisão da companhia de antecipar reajustes de preços para o segundo trimestre do ano. O período, tradicionalmente, é mais fraco em vendas. A estratégia permitiu diluir o impacto do aumento de custos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre margens no fim do período.
No Brasil, o volume de cerveja da Ambev deve cair 2,2% no quarto trimestre de 2025, na comparação anual, projeta o banco. De acordo com o BTG, a antecipação dos reajustes ajudou a companhia a ser mais moderada nos preços no fim do ano, o que contribuiu para sustentar volumes. Ainda assim, o cenário seguiu desafiador. Os custos unitários cresceram 13% no trimestre, pressionando a margem bruta, que recuou 4,2 pontos percentuais, para 51,4% — uma das mais baixas já registradas para um quarto trimestre. O relatório mostra que a desaceleração de volumes não se restringe ao Brasil. O desempenho varia entre as regiões.
A exceção é a América Central e Caribe (CAC), onde a Ambev registrou crescimento de 2,2% nos volumes e manteve margem EBITDA elevada, de 44,2%. Na América do Sul (LAS), o banco aponta distorções contábeis e efeitos cambiais que dificultam a comparação anual, mas ainda projeta um EBITDA sólido, de R$ 1,6 bilhão, com margem de 34% no último tri. Já no segmento de bebidas não alcoólicas no Brasil, o cenário foi semelhante ao da cerveja, com queda de volumes e pressão de margens, parcialmente compensadas por ganhos de eficiência.
Em seu relatório aos investidores, do 3T25, a empresa reforça que o comportamento do consumidor atrelado ao período longo de temperaturas mais baixas contribuíram para a queda nas vendas, tanto de alcoólicos quanto os não. Questões macroeconômicas, como o próprio BTG trouxe, como juros altos, também aparecem como entrave para crescimento. Em síntese, a leitura do BTG é que a Ambev entrou em uma fase de maior disciplina financeira, mais alinhada ao cenário macroeconômico brasileiro. A estratégia de priorizar margens sinaliza adaptação a um consumidor mais cauteloso, mas ainda não é suficiente, segundo o banco, para destravar um “novo ciclo de crescimento relevante no curto prazo.”