[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A rede de spas urbanos Buddha Spa cresce 36% em 2025, ritmo acima do avanço de 10,5% no franchising no país, e agora enfrenta um desafio comum a empresas em expansão: encontrar profissionais qualificados capazes de sustentar a abertura de novas unidades. Para resolver o gargalo, a franqueadora estruturou uma escola própria de formação de terapeutas, capaz de abastecer a demanda da rede e padronizar o atendimento nas unidades. A iniciativa nasceu como uma solução operacional para suprir a falta de mão de obra especializada, mas começa a ganhar contornos de novo negócio. Com cursos abertos ao mercado e formação de massoterapeutas, o Buddha Spa College deve ampliar a oferta de profissionais ao setor de bem-estar e transformar um problema da operação em uma nova fonte de receita. “Hoje, um de nossos polos de capacitação, o Buddha Spa College, caminha para deixar o centro de custos para gerar receita”, disse o CEO da rede, Gustavo Albanesi.
Segundo o executivo, atualmente, o braço de capacitação já é capaz de cobrir cerca de 30% de seus custos operacionais, e a expectativa é alcançar 80% nos próximos 12 meses. Além da formação técnica, os alunos passam por uma etapa prática em um spa-escola supervisionado, modelo semelhante ao de residência profissional. “O pilar da qualidade no nosso negócio de serviços é a formação contínua dos terapeutas”, afirma Albanesi. “Por isso estruturamos um sistema que combina treinamento inicial, reciclagem presencial e acompanhamento permanente das equipes.” Hoje, o principal curso do Buddha Spa College é a formação em massoterapia, com 500 horas de carga horária e aulas presenciais complementadas por conteúdos online. A estrutura acadêmica também envolve cursos de curta duração, todos com certificado.
O interesse por cursos de especialização além dos trabalhadores da rede, para Albanesi, reflete a expansão do mercado de bem-estar no país. Segundo a ABF, o segmento que envolve saúde e bem estar faturou R$ 74,3 bilhões em 2025, um incremento de 14,6% sobre um ano antes. No caso da Buddha Spa, o executivo credita o bom momento à maturidade do modelo de franquias da companhia. Em 2025, a rede inaugurou 37 unidades e assinou 34 novos contratos, com destaque para o estado de São Paulo, que concentrou a maior parte das aberturas. Segundo o CEO, o perfil do investidor também vem mudando: 58% dos contratos firmados no período foram com multifranqueados, sinalizando confiança na capacidade de escala da operação e maior profissionalização da rede. Confira a entrevista.
AGÊNCIA DC NEWS – Qual o alcance atual da rede franqueadora e ao que credita o desempenho?
GUSTAVO ALBANESI – Os resultados de 2025 refletem uma combinação consistente de estratégia, expansão qualificada e maturidade do modelo de negócios. Crescemos acima do mercado porque entendemos que o bem-estar deixou de ser um luxo e passou a ser parte da rotina das pessoas. Ao longo de 2025, o Buddha Spa inaugurou 37 novas unidades e assinou 34 contratos, com destaque para o estado de São Paulo, região que concentrou o maior número de aberturas no período. A escolha foi estratégica, considerando a alta densidade urbana, o perfil de consumo e o potencial de maturação das unidades.
AGÊNCIA DC NEWS – Como tem se moldado ao longo dessas décadas o perfil dos franqueados?
GUSTAVO ALBANESI – Um dado recente interessante é o avanço do perfil de multifranqueados dentro da rede: 58% dos contratos assinados em 2025 foram com multifranqueados, evidenciando a confiança dos investidores no modelo e na capacidade de escala da operação. Atualmente estamos presentes em 12 estados brasileiros, e o Buddha Spa cresce com planos de ampliar sua atuação para mais cinco estados em 2026. Nosso foco sempre foi crescer com qualidade. O aumento do número de multifranqueados mostra que o investidor enxerga valor, recorrência e previsibilidade no negócio.
AGÊNCIA DC NEWS – Como se deu a evolução de um primeiro spa urbano para franqueador
GUSTAVO ALBANESI – Sentindo a evolução do mercado, especialmente após observar a maturidade do setor na Ásia, Europa e Estados Unidos, o foco se voltou para o conceito de spa urbano, levando à abertura de uma segunda unidade. Em 2008, deixei o mercado financeiro para se dedicar integralmente ao Buddha, profissionalizando a gestão, a qualidade, o treinamento e a comunicação. Em 2010, o negócio iniciou a abertura de franquias, testando diferentes modelos (rua, shopping, hotel, academia), o que resultou em um crescimento significativo após 2015.
AGÊNCIA DC NEWS – Quanto custa e o que é preciso para ser um franqueado?
GUSTAVO ALBANESI – O investimento varia entre R$ 700 mil e R$ 850 mil para unidades de rua e shopping, e é cerca da metade disso para modelos em hotéis e academias. Os requisitos para franqueados incluem capacidade de gestão de pessoas e habilidade em processos e organização. Realizo uma entrevista para avaliar o perfil cultural do candidato, pois buscamos fortalecer um ecossistema de parceria alinhado com o propósito principal de bem-estar.
AGÊNCIA DC NEWS – Como se dividem as responsabilidades? E qual o protocolo da capacitação dos terapeutas?
GUSTAVO ALBANESI – A franqueadora compartilha a responsabilidade com o franqueado (50/50), fornecendo visão de gestão, estratégia, produto, marca, ferramentas e acompanhamento de campo. O pilar da qualidade é fundamental para o negócio de serviço, e isso é garantido pela formação e desenvolvimento contínuo dos profissionais. Todos os colaboradores, incluindo franqueados, especialistas de atendimento e terapeutas, passam por um treinamento inicial que aborda cultura, metodologia e aspectos técnicos. Devido à sensibilidade da prestação de serviços, que envolve o toque físico, é dada uma atenção especial à formação de massoterapeutas, que inclui protocolos técnicos detalhados e aspectos energéticos. O treinamento segue um protocolo estrito que orienta desde os movimentos da massagem até a comunicação e a manutenção da privacidade do cliente.
AGÊNCIA DC NEWS – Como é feita a reciclagem dessa capacitação. Há desligamentos de profissionais frequentes?
GUSTAVO ALBANESI – O desenvolvimento dos profissionais é contínuo, iniciando-se com treinamento presencial (cerca de um mês), seguido de reciclagem anual presencial e acompanhamento mensal online. O sistema inclui avaliações semestrais e métricas mensais de desempenho, impactando a remuneração e as responsabilidades do terapeuta. A franqueadora, como guardiã da marca, tem a prerrogativa de desvincular um terapeuta por questões técnicas ou reputacionais, embora desligamentos por questões puramente técnicas após a formação inicial sejam raros.
AGÊNCIA DC NEWS – Como funciona o Buddha Spa College?
GUSTAVO ALBANESI – O Buddha College, inicialmente um centro de custos para treinamento, foi transformado em uma escola pós-pandemia para melhorar a eficiência e gerar receita. A escola oferece cursos de formação em massoterapia e massagens para iniciantes, diversificando as fontes de receita. Atualmente, a receita do Buddha College cobre cerca de 30% de seu custo, com expectativa de chegar a 80% nos próximos 12 meses. Além de gerar receita, o College também é estratégico para a atração e treinamento de mão de obra para a rede.
AGÊNCIA DC NEWS – Há outras frentes de treinamento para atração e formação de mão de obra?
GUSTAVO ALBANESI – Mantemos o Instituto Buddha Spa que tem uma finalidade social e é comandado pelos franqueados, que fazem contribuições mensais para sua manutenção. O instituto atua como um gerador de mão de obra, oferecendo bolsas para o curso de formação em massoterapia. E recrutamos para o Buddha College pessoas em situação de fragilidade social, nos alinhando aos pilares de impacto ESG. Temos o recém-criado Spa Escola, um passo além da formação: trata-se de uma unidade aberta ao público onde os alunos trainees sob supervisão podem atender clientes, fornecendo prática antes de serem totalmente integrados às unidades, um modelo comparável a uma residência médica.
AGÊNCIA DC NEWS – Como está a atuação para engajar empresas para contratar os serviços?
GUSTAVO ALBANESI – O instituto presta serviços corporativos (massagem quick e eventos) com foco em impacto social, o que também facilita a entrada em programas de compliance de empresas. O Buddha se engaja proativamente e reativamente com empresas, vendendo vouchers para benefícios a funcionários e realizando eventos corporativos através do instituto. Um novo produto é o Buddha Experience, pelo qual empresas podem levar colaboradores ou convidados para uma jornada de bem-estar de 4 a 5 horas na estrutura do Buddha. Em paralelo, investimos na nova sede em São Paulo, unifica gestão, educação e o próprio spa.
AGÊNCIA DC NEWS – Há mais algum resultado relevante no último ano?
GUSTAVO ALBANESI – Além da expansão orgânica, 2025 foi um ano marcado por movimentos estratégicos de fusões e aquisições. Desde então, o Buddha Spa cresce também com aquisições. E foram duas relevantes: a Pomander e a rede paulistana Espaço Prana. A aquisição da Pomander, no valor de R$ 4,8 milhões, reforçou a estratégia de construção de um ecossistema integrado de bem-estar, com ampliação do know-how técnico e fortalecimento da Buddha Lab, empresa do grupo dedicada ao desenvolvimento de produtos. Já a incorporação do Espaço Prana, com investimento de R$ 7,5 milhões, acelerou a presença da marca em pontos estratégicos da capital paulista e impulsionou o modelo de unidades híbridas, no qual a franqueadora participa como sócia da operação. Esses movimentos permitem à companhia acelerar o crescimento, ocupar territórios estratégicos e diversificar nossas frentes de atuação sem perder o foco na experiência e na excelência do atendimento.