[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Já assinado, mas ainda sem data para entrar em vigor, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia beneficia o Brasil, avaliam o banco C6, a corretora XP e a agência Moody’s. Com ressalvas. Para o C6, por exemplo, embora represente “um passo na direção certa”, o acordo, sozinho, não vai se traduzir em crescimento e eficiência. Para isso, o Brasil precisa fazer sua parte: “melhorar o ambiente de negócios, reduzir entraves regulatórios, custos logísticos e a complexidade do sistema tributário”. Mais abertura para o comércio exterior e “simplificação de impostos” são fundamentais, segundo o banco, “para elevar a produtividade brasileira e permitir que o país cresça de forma mais saudável no longo prazo”.
O C6 cita estudo de 2024 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea): o acordo pode elevar o PIB brasileiro em quase meio ponto percentual ao longo de 15 anos, “por meio de mais comércio, investimento e estoque de capital”. A alta equivale a US$ 9,3 bilhões (aproximadamente R$ 50 bilhões, no câmbio atual). Os possíveis efeitos não se resumem a trocas comerciais: “Ao definir regras claras e prazos longos de transição, o tratado aumenta a previsibilidade e tende a incentivar investimentos”. Inclusive para instalação de unidades produtivas de empresas europeias no Brasil. E o acesso a bens e serviços daquele continente pode aumentar a eficiência de empresas brasileiras, “sobretudo em setores mais intensivos em tecnologia”.
A XP também destaca o estudo do Ipea, em análise assinada pela economista Luiza Pinese. “Trata-se do maior ganho relativo de PIB entre os signatários, superando aqueles projetados para a União Europeia e para os demais países do Mercosul”, afirmou. Ela aponta ainda um esperado aumento da taxa de investimento, além da atividade econômica. Isso reflete “tanto a elevação da demanda doméstica quanto a redução do custo dos bens de capital importados”. No geral, comenta a economista, os efeitos são positivos em médio e longo prazo. “Os ganhos líquidos concentram-se no agronegócio e em setores industriais tradicionais, como calçados, metais não ferrosos e produtos de madeira.”
Já a Moody’s considera o acordo UE-Mercosul “fundamental do ponto de vista geopolítico”, em um momento de tensões envolvendo as duas regiões e os Estados Unidos.. “Estabelece uma importante área de livre comércio, removendo tarifas sobre mais de 90% dos bens e serviços comercializados”. Essa área, acrescenta a agência, abre mercados para que Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai diversifiquem suas exportações. A análise cita projeções mais moderadas da Comissão Europeia: crescimento do PIB do Mercosul em 0,25 ponto até 2040. Ao mesmo tempo, a Moody’s observa que o acordo é positivo para o perfil de crédito de governos e empresas voltadas à exportação, com mais diversificação e crescimento do investimento estrangeiro direto. “A UE já é a maior provedora de IED na região do Mercosul.”
Para o Moody´s, o Brasil “está apto a ser o maior beneficiário dentro do Mercosul dada a composição e escala de suas exportações”. Produtos agrícolas – carne bovina, aves, açúcar – e minerais predominam nas exportações brasileiras. Mas as principais vendas, como as de petróleo e produtos minerais, já estão sujeitas a tarifas baixas. “A expansão das cotas para carne bovina e aves aumentará a receita do agronegócio”, afirmou a agência. “As tarifas do Mercosul sobre alguns bens europeus são elevadas, de forma que sua eliminação gradual aumentará a competitividade e gerará economia.” Essas tarifas chegam a até 35% para autopeças e a 28% no caso de laticínios. Além disso, o acordo deve promover diversificação das exportações, ampliand
o o leque além de China e Estados Unidos, principais parceiros comerciais do Brasil, “reduzindo a vulnerabilidade geopolítica”.
O saldo da balança comercial entre Brasil e União Europeia mostra déficit, mas as vendas para o bloco têm crescido mais em relação às importações. No ano passado, as exportações brasileiras para a UE somaram US$ 49,8 bilhões, alta de 72,9% em relação a 2015. Os dados são da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. As importações totalizaram US$ 50,3 bilhões (+48,8%).
