Caiado, Leite e Ratinho, os nomes do PSD, defendem gasto responsável. E que há espaço entre Lula e Flávio Bolsonaro

Uma image de notas de 20 reais
Leite, Ordine, Heráclito, Ratinho e Caiado: em busca de uma alternativa eleitoral
(Andre Lessa/Agência DC News)
  • Na Associação Comercial de São Paulo, três presidenciáveis criticam gastança, pedem reformas e afirmam que a campanha ainda não começou
  • “Não é terceira via, será a melhor via. A mais propositiva e a melhor para o país”, afirma Gilberto Kassab, presidente do PSD
Por Vitor Nuzzi

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Os três presidenciáveis do PSD têm em comum a crítica à política de gastos do governo e a defesa de reformas, como as da Previdência e Administrativa. Também são a favor da restrição da propaganda das bets, que para eles prejudica as famílias e a própria economia. Defendem idade mínima de 60 anos para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) – o que, hoje, tiraria do jogo cinco dos dez ministros (há um cargo vago). E são favoráveis ao voto distrital.

Um deles, Eduardo Leite (governador do Rio Grande do Sul), Ratinho Junior (Paraná) ou Ronaldo Caiado (Goiás), será o candidato do partido à Presidência da República. Não se trata de terceira via, refuta o presidente do PSD, Gilberto Kassab. “Não é terceira via, será a melhor via. A mais propositiva e a melhor para o país”, afirmou, após encontro na manhã de segunda-feira (9) dos três pré-candidatos na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), promovido pelo Conselho Político e Social (Cops) da entidade.

Na mais recente pesquisa Datafolha, divulgada sábado (7), Lula e Flávio Bolsonaro aparecem distanciados dos três. Foram feitos cinco cenários. O nome do petista aparece em quatro, variando de 38% a 39% das intenções de voto. O nome do PL fica entre 32% e 34%. Ratinho Junior (11%), Caiado (4%) e Eduardo Leite (3%) estão mais distantes. Para os três, porém, a política tem opções fora as que estão à vista (Lula e Flávio Bolsonaro).

Da última sexta (6) até esta segunda (9), Caiado, Leite e Ratinho participaram de eventos em São Paulo, na capital e no interior. “Temos aqui três das pessoas mais bem preparadas do país”, disse Kassab. Ele fixa prazo até 15 de abril para a escolha do nome, mas admite que a data pode ser antecipada. Segundo o presidente do PSD, a composição com outras legendas não é prioridade neste momento. “Estamos abertos a alianças, mas nosso foco é um projeto próprio.”

Segundo o presidente da ACSP, Roberto Mateus Ordine, “ouvimos aqui o que o Brasil precisa [ter]”, afirmou. O presidente do Cops, ex-senador Heráclito Fortes, disse que “os três tenores”, como chamou, mostram “coragem e desprendimento” ao aceitar o desafio. Para Kassab, a escolha será muito difícil, “porque são muito qualificados”. Mas também muito fácil: “Os três estão preparados para ser [candidato a presidente] e para não ser”. No dia 4 de outubro, data do primeiro turno, Ronaldo Caiado terá 77 anos. Eduardo Leite, 41. Ratinho Junior, 45. O nome de um deles deverá estar na urna eletrônica, disputando votos de 155,9 milhões de eleitores.

EDUARDO LEITE – Saiu do PSDB para o PSD em maio do ano passado. Foi prefeito de Pelotas e é bacharel em direito. Não vê uma disputa interna “clássica”, ao observar que os três migraram de partido por ter convergências. “Não estamos disputando protagonismo. A liderança que emergir daqui terá competitividade”, afirmou. Para ele, as pesquisas – que apontam Lula e Flávio Bolsonaro disputando voto a voto – têm que ser vistas menos como intenção e mais pelo humor do cidadão. “Há um enorme espaço para uma candidatura nova”, disse Leite.

O atual presidente e o senador têm mais visibilidade, mas também grande rejeição, argumenta o governador gaúcho. Fora dos polos, ele acredita que existe espaço para dialogar com “uma esquerda não lulista” e “uma direita não bolsonarista”. E, assim, conciliar questões como diversidade e segurança pública. Sobre esse segundo tema, não se trata apenas de aprovar leis: é preciso ter “segurança interfederativa”, o que segundo Leite jamais vai ocorrer sob o atual governo.

Propõe “pacto de governabilidade e aprimoramento institucional”. E diz que se o Brasil é polarizado hoje, o Rio Grande do Sul é polarizado desde sempre e que recebeu um governo em pandarecos financeiros – com, por exemplo, 80% da receita comprometida – e conseguiu resolver os problemas com privatizações e reformas que chamou de duras. “Eu acredito em um Estado que seja menos gastador dentro da máquina pública”, afirmou.

O Brasil precisa de uma agenda de pelo menos 20 anos, defende Leite. “Aqui, a gente discute o dia seguinte, discute mais o desafeto que o desafio.” E é a favor dos 60 anos como idade mínima para o STF: “Tem que ser para coroar a carreira e não viabilizador de escritórios de advocacia nas cortes superiores”. Foi o único explícito sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro: “O legado de Bolsonaro foi trazer Lula, que estava politicamente inviabilizado, de volta”.

Eduardo Leite: há enorme espaço para uma candidatura nova
(Andre Lessa/Agência DC News)

RATINHO JÚNIOR – É o que está há mais tempo no PSD, pelo qual se elegeu governador em 2018 (reeleito em 2022). Empresário e comunicador (como o pai, o apresentador de TV Ratinho), também foi deputado estadual e federal. “Mais do que um plano de governo, precisamos de um programa de geração”, afirmou. “Diferentemente do que fazem China, Estados Unidos, Europa, não aprendemos a planejar no médio e longo prazo.” Mais importante que a ideologia é a metodologia. “Eu defendo valores. Mais do que direita, esquerda, para frente ou para trás.”

Na visão do governador do Paraná, o Brasil tem alicerces econômicos, mas não utiliza seu potencial. “A China virou a fábrica do mundo”, disse Ratinho Junior, citando ainda a Alemanha por sua engenharia, a Coreia do Sul pela tecnologia e a Índia pela biofarma. “Somos ainda um produtor de commodities. Não industrializamos esse agro. Fazemos extrativismo agrícola”, afirmou o governador paranaense. Para ele, o Brasil poderia se tornar “o supermercado do mundo”, que tem a segurança alimentar como grande desafio.

“É um posicionamento de desenvolvimento econômico.” Além de supermercado, o país pode se tornar “a Arábia Saudita da energia renovável, verde”. E ainda “o computador do mundo”. O que é necessário para isso? Basicamente, planejamento e organização. Ratinho Júnior avalia que o Brasil “não se preparou para a velhice” da população e descuidou da educação. Segundo ele, a grade curricular deveria incluir disciplinas como educação financeira e programação.

Sobre a eleição, ele também não vê o processo do PSD como terceira via. “Vejo como alternativa que estamos construindo para a sociedade brasileira.” Na medida em que os nomes estejam definidos, também aumenta a exposição ao público. “No momento em que o PSD tiver a candidatura homologada, tenho certeza de que essa opção será muito bem-vinda.”

Ratinho Junior: mais importante que a ideologia é a metodologia
(Andre Lessa/Agência DC News)

RONALDO CAIADO – Formalmente, ainda não está no PSD: o ato de filiação deve ocorrer no próximo sábado (14). Até janeiro, Caiado estava no União Brasil. Tornou-se conhecido como líder da União Democrática Ruralista (UDR) – foi candidato a presidente em 1989. Elegeu-se deputado federal (cinco mandatos) e senador. É cirurgião especializado em coluna vertebral. “Sou um homem que acredita na ciência, na pesquisa”, afirmou.

Ele enfatizou dois itens: educação e segurança. Citou o primeiro lugar de Goiás no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em 2023, e o investimento em temas como inteligência artificial. Afirmou que deixará um estado “com R$ 9,4 bilhões em caixa” e com capacidade investimento. Para ele, o candidato que for escolhido entre os três “deverá entender a vida como ela é, em cada região do país”. Ele vê situação caótica na economia – e acredita que o presidente Lula vai usar a crise externa do petróleo como pretexto.

O governador vê empresas “alavancadas”, tentando renegociar dívidas a juros de até 22%, e um governo central praticando “aumento de gastos [de forma] irresponsável, populista, cada vez mais onerando a população”. Há o que ele chama de asfixia produtiva. Por isso, acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) só irá baixar os juros se tomar uma decisão eleitoreira. O gasto excessivo, acrescentou, leva ao “descrédito das instituições”. E a um cenário de desconfiança generalizada: “Hoje, só ficam esperando a próxima notícia do Banco Master”.

Dos três, foi o mais contundente a se referir a Lula: “Com cinco mandatos [incluindo os da ex-presidente Dilma Rousseff], o que mais cresce é facção criminosa, é a corrupção”. E também acredita que as pesquisas apenas retratam o momento. “Por enquanto, você está discutindo o 8 de janeiro”, afirmou, referindo-se aos atos em Brasília no início do atual governo, em 2023. “Quando sair do 8 de janeiro, será a vida como ela é.”

Ronaldo Caiado: gastança leva ao descrédito das instituições
(Andre Lessa/Agência DC News)

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