SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), vai assinar na próxima quarta-feira (18) um memorando de entendimento com o governo de Donald Trump sobre minerais críticos. O estado abriga a única mineradora em operação de terras raras no Brasil, além de outros projetos do mineral, e é visto como essencial na política minerária do país.
Ainda são incertas as condições do memorando a ser assinado por Caiado, mas o texto divulgação do evento ao qual a reportagem teve acesso diz que o acordo “visa fortalecer a cooperação em minerais críticos e terras raras, promovendo pesquisa, capacitação e um ambiente regulatório transparente e competitivo, além de estimular parcerias entre instituições governamentais, acadêmicas e do setor privado e apoiar o desenvolvimento de processamento e manufatura de maior valor agregado em Goiás”.
A assinatura vai acontecer no Consulado-Geral dos EUA, em São Paulo, antes de um evento organizado pela Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) sobre o tema, com autoridades brasileiras e americanas, além de executivos de empresas de minerais críticos.
Darren Beattie, conselheiro de Trump, participaria do evento, mas teve sua entrada barrada no Brasil, de acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O bloqueio foi uma resposta ao cancelamento do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Desde o ano passado, os governos de Lula e Trump vinham se reunindo para estabelecer condições para um acordo entre os dois países sobre o fornecimento de minerais críticos. Resistências do governo brasileiro sobre onde deveria ser feito o processamento mineral, no entanto, atrasaram as discussões.
As conversas com o governo de Caiado, por outro lado, avançaram nos últimos meses. No início de fevereiro, o governador de Goiás esteve em Washington, durante um evento em que os americanos anunciaram alianças com países da União Europeia, além de Japão e México, para reforçar a segurança e a resiliência das cadeias de suprimento de minerais críticos. O chanceler do Brasil, Mauro Vieira, foi convidado para o evento, mas resolveu enviar um oficial de menor hierarquia lotado na embaixada brasileira.
Um dia depois da visita de Caiado aos Estados Unidos, a Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil, anunciou que o DFC, um banco estatal dos Estados Unidos, havia aumentado para US$ 565 milhões o financiamento concedido à empresa. A operação inclui ainda o direito de o governo americano adquirir uma participação acionária minoritária na mineradora.
Além da Serra Verde, Goiás abriga um projeto da mineradora Aclara, que também tem planos de extrair terras raras no estado. A empresa também já recebeu aportes do DFC (US$ 5 milhões), e os recursos podem ser convertidos em ações da empresa no futuro. Além de uma mina em Goiás, a mineradora tem planos de construir uma refinaria nos EUA até 2028.
É esperado que a extração e o processamento de minerais críticos no Brasil sejam um dos temas abordados por Trump e Lula na provável visita do brasileiro a Washington nas próximas semanas. Inicialmente, a visita estava marcada para março, mas agendas do presidente americano com a guerra do Irã podem adiar os planos.