Centrão e PT pressionam STF contra prorrogação da CPI do INSS para evitar turbulência na eleição

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Caciques do centrão, lideranças do PT e a cúpula do Congresso avaliam que o STF (Supremo Tribunal Federal) precisa derrubar, na sessão do plenário desta quinta-feira (26), a decisão do ministro André Mendonça de prorrogar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A avaliação é que a extensão do funcionamento do colegiado por mais alguns meses vai tumultuar o processo eleitoral ao avançar sobre o caso Master.

No centrão, no PT e em alas da própria direita o temor é que vazamentos possam prejudicar alvos dos integrantes da CPI de acordo com seu interesse eleitoral. A cúpula do Congresso acredita que se a comissão for prorrogada até um período próximo da eleição, haverá contaminação dos trabalhos do colegiado pelas campanhas dos seus membros.

Dessa forma, a decisão de Mendonça foi recebida com contrariedade, como fator que pode conturbar o processo eleitoral deste ano. O avanço sobre o caso Master e a imprevisibilidade acerca dos materiais recebidos pela CPI, além dos vazamentos de documentos sigilosos que fazem parte da investigação, é tratada como uma espécie de caixa de Pandora que pode afetar nomes de diversos espectros políticos.

O principal fator de preocupação é o vazamento de conteúdos íntimos e conversas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso.

A quebra de sigilo de um dos celulares do banqueiro expôs relatos que demonstraram proximidade e conversas com políticos de diversas esferas, e há temor de exposição de material de cunho pessoal que possa prejudicá-los.

A CPI do INSS foi instaurada em agosto de 2025 para investigar as fraudes em descontos de aposentados e tem prazo de funcionamento até o próximo sábado (28).

O presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o relator, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), tentaram prorrogação ao investir no caso Master, mas o requerimento foi ignorado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Dessa forma, o caso foi parar no STF.

Viana afirmou que a CPI vai ser prorrogada por, no mínimo, mais 60 dias. Se surgirem fatos novos, segundo ele, o colegiado poderá ser estendido pelos 120 dias autorizados.

Ou seja, a comissão, que até agora fez ofensivas contra o governo e revelou ligações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com figuras da direita, esquerda e do centrão, poderia funcionar até julho, às vésperas da eleição.

Dessa forma, a decisão de Mendonça foi vista como uma afronta à classe política. Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmaram a interlocutores que a prorrogação foi uma intervenção do STF no funcionamento do Legislativo.

Ambos também demonstraram irritação com o vazamento dos materiais obtidos pelo colegiado. O presidente do STF, Edson Fachin, logo convocou a sessão do plenário para avaliar a liminar do ministro.

Até o momento, o material que chegou à CPI do INSS expôs a relação de Vorcaro com figuras como o presidente do PP (Progressistas), o senador Ciro Nogueira (PI), que é ex-ministro do governo Jair Bolsonaro e aliado do senador Flávio Bolsonaro, e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda.

Além disso, foram expostos relatos de conversas com Motta, Alcolumbre, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Durante a CPI, também foi exposto o uso, pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), de um jatinho de propriedade de Vorcaro.

No PT, há reclamações públicas. O líder do partido na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que a liminar “configura intervenção indevida de um Poder sobre o outro, em afronta à separação de Poderes e à autonomia do Legislativo para conduzir matéria interna corporis”. O petista ainda afirmou que “o caso ganha contornos ainda mais graves porque a condução da CPI está contaminada por conflito de interesses”.

A avaliação, nos bastidores, é que o escândalo do Master atingiu mais figuras do centrão e da direita, além de acertar o STF com a exposição dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A leitura, porém, é que a população tende a associar o Supremo e o governo federal, o que prejudica eleitoralmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição.

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