[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Com redução de 26,9% no número de vagas em relação ao ano anterior, o emprego com carteira assinada no comércio acompanhou a desaceleração no mercado formal de trabalho em 2025. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o setor fechou o ano com saldo de 247,1 mil empregos formais, crescimento de 2,3% em relação a 2024, quando a alta foi de 3,3% – diferença, para baixo, de 1 ponto percentual. O total de vagas com carteira no ano anterior foi de 338 mil (+90,9 mil).
Somados todos os setores, o saldo no país em 2025 foi de 1,3 milhão de postos de trabalho com carteira, 23,7% menor que o do ano anterior (1,7 milhão). O saldo é resultado da diferença entre 26,6 milhões de admissões e 25,3 milhões de demissões. Apesar do crescimento constante desde 2021, foi a menor quantidade no período posterior ao da pandemia. Serviços (+3,3%) e construção (+3,1%) cresceram acima do comércio (+2,3%), que ficou à frente da indústria (+1,6%). O estoque de empregos formais agora é de 48,5 milhões, sendo 10,8 milhões (22,3%) no comércio. A atividade inclui varejo (7,4 milhões de vagas), atacado (2,2 milhões) e reparação de veículos (1,2 milhão).

Ao comentar os resultados do Caged, o ministro Luiz Marinho disse que a diminuição de ritmo já era esperada. E atribuiu o resultado, principalmente, à elevação da taxa básica de juros. Segundo ele, era previsível que “a pressão que o mercado às vezes exerce sobre o Banco Central poderia levar a um processo de desaceleração”. Marinho afirmou que a taxa real de juros (acima da inflação) é a segunda maior do mundo. “Atrás apenas da Rússia. E não estamos em guerra.” O ranking foi divulgado ontem (28) pela consultoria MoneYou, em parceria com a Lev Intelligence. “Podemos estar comprometendo um grande pedaço do ano por responsabilidade exclusiva do monitoramento que o Banco Central faz”, disse o ministro, que chamou a política monetária de “muito conservadora”. Ele também destacou medidas recentes do governo que poderão ter efeito positivo sobre a economia neste ano, como o aumento real do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda até a faixa de R$ 5 mil.
“O impacto dos juros foi maior que o do tarifaço”, afirmou Marinho, em referência a medidas aplicadas em 2025 pelo governo dos Estados Unidos. A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, Paula Montagner, observou que a indústria cresceu abaixo da média geral (1,6%, ante 2,7%), “principalmente pela dificuldade de obter liquidez financeira”. Mas as tarifas adicionais norte-americanas atingiram, basicamente, alguns setores, como os de madeira e sapatos. Além disso, a desvalorização global do dólar pode tornar o produtor norte-americano mais competitivo em relação à indústria brasileira.
Das 247 mil vagas abertas no ano passado no comércio, 153,3 mil foram no varejo. Nesse segmento, o crescimento foi de 2,1%, abaixo da média do setor (2,3%) e do Caged (2,7%). No atacado, a alta foi de 2,6%, com 55,9 mil postos de trabalho a mais. Na atividade de reparação de veículos, o acréscimo foi de 37,8 mil (+3,3%). O comércio teve saldo de 338 mil vagas em 2024 (+3,3%), 275 mil em 2023 (+2,8%), 352,7 mil em 2022 (+3,7%) e 664,2 mil em 2021 (+7,4%), depois de cair 0,7% em 2020 (-65,5 mil).