SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Com a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada nesta quarta (18) pelo Banco Central, a conta de valores a serem ressarcidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) relacionados ao caso Master sobe para R$ 51,8 bilhões.
Se forem contabilizados também os prejuízos causados ao BRB (Banco de Brasília), fundos de pensão e empresas, o valor supera R$ 57 bilhões.
Segundo dados do FGC, o Pleno tem uma base estimada de 160 mil clientes com CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) elegíveis ao pagamento da garantia do fundo, totalizando R$ 4,9 bilhões -parte desse valor deve ser amortizada com o uso do patrimônio pessoal do dono do banco, Augusto Lima, que é estimado em R$ 1 bilhão.
O valor se soma aos R$ 40,6 bilhões do Banco Master e aos R$ 6,3 bilhões do Will Bank. O montante não inclui empréstimos emergenciais do FGC ao Master, que não são detalhados pelo Fundo.
O FGC informou que, até esta quarta-feira, foram pagos R$ 37,2 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master, montante que equivale a 92% do total a ser pago. “Em termos de números de beneficiários da garantia, aproximadamente 653 mil credores já receberam os valores, correspondente a 84% do total de credores”, afirmou o Fundo em nota.
Em setembro do ano passado, último dado disponibilizado pelo Banco Central, o Pleno possuía R$ 5,57 bilhões em CDBs. O montante diminuiu porque, por determinação do BC, a instituição financeira estava proibida de emitir novos certificados para se financiar.
No mercado secundário, os títulos chegaram a ser negociados a 165% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) no final do ano passado.
Com o Pleno, o número de instituições ligadas ao caso Master e liquidadas pelo BC chega a oito. Além do banco, foram liquidados a corretora Pleno, o Will Bank, a CBSF (antiga Reag Investimentos), o Banco Master, o Banco Master de Investimento, a Master Corretora e o banco Letsbank.
Para recompor o caixa do FGC, os bancos irão adiantar contribuições dos próximos anos já no início de 2026. É debatido um adiantamento de cinco anos, o que equivaleria a R$ 30 bilhões.
Instituições financeiras discutem junto ao Banco Central a liberação deste valor nos depósitos compulsórios que os bancos mantêm, obrigatoriamente, no regulador.
De acordo com as últimas informações disponibilizadas na base do BC, referentes a junho de 2025, o Pleno tinha um patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e um lucro líquido de R$ 169,3 milhões.
Na outra ponta, o passivo era de R$ 6,68 bilhões. Dessa dívida, a maior parte é de CDBs. A liquidação não é recuperação judicial nem intervenção temporária, mas um encerramento de atividades que coloca o banco em processo de desmontagem.
Com a liquidação, o Pleno deixa de operar normalmente, perde seus administradores e passa a ser conduzido por um liquidante indicado pelo Banco Central, cuja função é vender ativos e pagar credores na ordem prevista em lei.
Os problemas do Pleno o acompanham há anos, desde a época em que o nome era Indusval e tinha outros controladores. Voltado ao financiamento de empresas e do agronegócio, o banco passou por várias reestruturações em meio a prejuízos.
Em 2019, passou a se chamar Voiter, num plano de transformação digital. O foco do Pleno era a operação do Credcesta, um cartão especializado em crédito consignado focado em estados e municípios, que foi incorporada quando Augusto Lima, que foi sócio de Daniel Vorcaro, comprou o Pleno.
O cartão de crédito consignado do Banco Master era distribuído pelo Credcesta. Essas operações, conforme os registros do INSS, saltaram de 104,8 mil contratos em 2022 para 2,75 milhões de contratos em 2024, um aumento de mais de 2.500% num intervalo de dois anos.
Os números foram consolidados pelo Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), e o INSS apura se as contratações são regulares.
Segundo documentos a que a Folha de S. Paulo teve acesso, o órgão identificou um padrão reiterado de “desconformidades nas operações de crédito consignado associadas ao produto Credcesta”, o que eleva risco de danos aos beneficiários e demanda uma “intervenção preventiva” até que se conclua uma apuração completa sobre os contratos assinados.
Localizado na Faria Lima, coração financeiro de São Paulo, o Pleno se define, em seu site, como um banco parceiro de negócios, voltado para o crédito corporativo.