Comércio global em 2025 cresce 4,5%, acima da previsão da OMC. Bens ligados à IA têm alta de 20%

Uma image de notas de 20 reais
Comércio de produtos ligados à IA representa 15% do total mundial e 42% do crescimento de 2025
(Freepik)
  • Mais que a desvalorização do dólar, organização destaca antecipação de importações devido ao esperado tarifaço norte-americano
  • Itens como chips. semicondutores e equipamentos de transmissão de dados, isentos de tarifas, se destacam nas vendas entre os países
Por Vitor Nuzzi

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O comércio global de mercadorias cresceu 4,5% em volume de janeiro a setembro do ano passado, em relação a igual período de 2024. O dado, divulgado nesta quarta-feira (28) pela Organização Mundial do Comércio, fica acima da estimativa feita pela própria OMC para 2025 (2,5%, segundo a projeção mais recente, de outubro). Em valores, a alta foi de 6,5%. Segundo a entidade, o dólar “mais fraco” é um dos fatores para esse aumento, mas não o principal. A OMC destaca “a antecipação de importações por causa dos aumentos esperados de tarifas e a demanda crescente por bens relacionados à inteligência artificial”.

De acordo com a organização, de janeiro a setembro o comércio de bens vinculados à IA cresceu aproximadamente 20% ante igual período de 2024. Nesse grupo incluem-se itens como chips, semicondutores e equipamentos de transmissão de dados. “A maioria está isenta das novas tarifas”, disse a OMC. Esses produtos representam 15% do comércio mundial no ano passado e 42% do crescimento registrado em 2025. No Brasil, uma crise de escassez de semicondutores já ameaçou interromper a produção da indústria automobilística.

Já o comércio de bens não relacionados à IA cresceu 4,4% nos três primeiros trimestres do ano passado. Um dos motivos foi a alta do preço do ouro, “que serve como investimento seguro em tempos de incerteza econômica”. Produtos como medicamentos – especialmente contra a obesidade – e insumos de vacinas também contribuíram para esse crescimento, principalmente no primeiro trimestre. Nesse período, segundo a OMC, “as importações dispararam na América do Norte antes dos aumentos tarifários”.

Entre as regiões ou continentes, a Ásia teve o maior crescimento e volume de exportação: 9,5%. Em seguida, vêm África (6,1%) e Américas do Sul e Central, além do Caribe (5,7%). No Oriente Médio, a alta foi de 5,3%, chegando a 2,3% na América do Norte e com leve retração na Europa (-0,3%). As importações aumentaram principalmente nas Américas do Sul e Central, mais Caribe (13,2%) e na África (12,7%). Subiram 6,2% no Oriente Médio, 6% na Ásia, 5,4% nos Estados Unidos e 2,4% na Europa. Entre os países, destaque para Suíça, com aumento de 36% nas importações, Argentina (27%) e Taiwan (23%). No Brasil, a alta foi de 6%, mesma taxa dos Estados Unidos.

SERVIÇOS – A Secretaria de Comércio Exterior (Secex, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior-MDIC) lançou o Painel Comércio Exterior Brasileiro de Serviços em Números (ComexVis Serviços). A data de lançamento é referente ao Dia do Comércio Exterior – fixada em 28 de janeiro, dia em que o príncipe regente, Dom João VI, assinou decreto abrindo os portos brasileiros às nações consideradas amigas.

Em 2024, segundo o painel, os Estados Unidos foram responsáveis por 15,3% das exportações mundiais. Depois vêm Reino Unido (7,2%) e Alemanha (5,5%). A China concentra 4,2%. O Brasil aparece com 0,5%. “Esses dados indicam que o Brasil possui espaço significativo para ampliar sua presença no comércio global de serviços”, afirmou o MDIC.

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